Autor: ruthreis

  • Chegar às vinte semanas

    Chegar às vinte semanas

    A pré-eclâmpsia, a gravidez, a pressão alta, o fim e o começo, vida ou morte. 

    Não tive como não imaginar. Abri o portal de notícias e lá estava: ‘Cantora Lexa perde sua filha após quadro de pré-eclâmpsia’. Não se caracteriza como uma doença, mas uma condição determinada pelo aumento da pressão arterial durante a gestação que pode revelar que existe uma complicação no meio de um sonho. A cantora chegou às 25 semanas de gestação.  

    E quem é essa que não chegou completamente, é pré e já define futuros no seu pós? Ela se nomeia pré-eclâmpsia. Uma complicação da gestação, que além da hipertensão arterial e proteinúria pode apresentar lesão renal, hepática e cerebral. E chega justamente após as 20 semanas. Os fatores de risco incluem histórico familiar, obesidade, doenças pré-existentes (como hipertensão e diabetes), gravidez em idade extrema (muito jovem ou acima de 35 anos) e ser a primeira gestação.

    A pré-eclâmpsia às vezes vem.  Para quem? Conforme dados disponibilizados pelo DataSus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) referentes ao período de 1996 a 2021, mulheres de idade entre 20 a 39 anos possuem os maiores índices de letalidade. Já as regiões com maiores casos de mortalidade materna, somando-se todas as idades, têm em primeiro lugar a região Sudeste (35,7%) seguido respectivamente pela região Nordeste (33,8%). Se tratando de cor e raça,  do total de 2.844 mulheres acometidas, o primeiro lugar vai para as mulheres pardas (43%), seguida respectivamente pelas brancas (32%).  

    Além de chegar, a pré-eclâmpsia pode levar à mortalidade gestacional. Os dados do DataSus identificaram 517 óbitos no total. A faixa etária mais acometida foi a de gestantes entre 30 a 39 anos, seguida pela de 20 a 29 anos. O estado com maior índice foi o Maranhão com 22,63% dos casos. A etnia mais acometida foi a parda, com escolaridade entre 8 a 11 anos. A mortalidade chega para os filhos de Lexas, filhos de Marias, de Joãos, de Silvas, de Sousas, de ricos, de pobres, de pretos, de brancos. Filhos de 1,5% a 7% de gestantes brasileiras, segundo dados da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

    Fui procurar duas vidas que venceram os percalços da pré-eclâmpsia. Andressa Somerlate e Mariá Somerlate. Eram quase oito meses de gravidez. A bolsa rompeu. Pega mala. Pega bolsa. Pega a chave do carro. Pega fralda. Pega sonhos. Pega esperança. Foi a pré-eclâmpsia quem as levou ao hospital. Andressa chegou, a pressão estava alta e denunciou quem vinha junto. E já que todos chegaram, vamos correndo para outro hospital. O parto foi adiantado, o momento é agora. Parto difícil, complicado, sofrido, suado, de risco e arriscado, será que vem ao mundo mais um neném?

    O medo estava presente. “Minha vida estava em jogo e a vida da minha filha também. A fé foi minha grande doula: me acalmou, conduziu, e direcionou.” Todos bem. 20 semanas e duas vidas que vivem até hoje. Andressa e Mariá Somerlate. 

    A obstetra e ginecologista, Luisa Cardoso, me informou sobre a prevenção: “não há uma forma garantida de evitar a pré-eclâmpsia”. Não posso evitar. Mas posso me cuidar. Sim, cuidados prévios “como o controle do peso, acompanhamento regular durante a gestação e, em alguns casos, o uso de aspirina em baixas doses em mulheres com alto risco de desenvolver a doença”, afirma a Dra. Luisa. 

    A gravidez é um processo que mexe com todo o corpo que gera, com a mente, com a alma. Quão complexo é chegar às 20 semanas e por fim, descobrir que a pré-eclâmpsia também chegou. Ainda pior, é saber que uma gestação pode ser interrompida com  um sonho. E chegar às vinte semanas pode desnudar um bebê já nu e o expor antes da hora para um mundo encoberto. Um mundo coberto de fins e começos 

    Para aquelas que perderam um bebê durante a gestação chega o luto perinatal. “Esse é um processo intenso, de dor, sofrimento e sentimentos de culpa, raiva, medo. Nesse momento, uma rede de apoio é essencial para acolher essa mãe e seu luto”, afirma a psicóloga do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA-Ufal) Michele Morgana em entrevista ao site da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Enbserh). Ela ressalta a importância do apoio familiar e afirma que “o luto perinatal é pouco reconhecido e muitas vezes negligenciado. As mulheres muitas vezes não se sentem acolhidas para expressarem sua dor. Falar sobre a dor é terapêutico, assim como se permitir chorar e ficar triste diante da perda”. 

  • É depressão ou só cansaço? 

    É depressão ou só cansaço? 

    O autodiagnóstico pelas redes sociais pode parecer um atalho para o autoconhecimento, mas esconde riscos como erros de avaliação e automedicação.

    “Cinco sinais de que você pode ter TDAH”. É assim que começa um vídeo com mais de 330 mil visualizações no TikTok. Nos comentários, pessoas identificam os sintomas e as características do transtorno em si mesmas e fecham diagnóstico pela própria rede social, sem a avaliação de um profissional. “Acabei de descobrir que tenho TDAH”, comenta uma. “Tenho todos esses sintomas aí, o que eu faço agora?”, diz outra.

    Esse não é um caso isolado. Nos últimos anos, os conteúdos sobre saúde mental e transtornos psicológicos têm aumentado de forma considerável nas redes. Usando hashtags como “#mentalhealth”, “#tdah”, “#ansiedade” e “#depressao”, influenciadores sem formação na área da saúde produzem vídeos variados que prometem ajudar a quem assiste a diagnosticar em si mesmo alguma condição desse tipo.

    De acordo com dados do Google Trends, pesquisas com o termo “TDAH”, por exemplo, dobraram de 2021 para 2023 no Brasil. Só nos últimos 12 meses, a busca “teste para TDAH gratuito” teve um aumento de 180%. Nas redes sociais, vídeos com esses temas somam milhões de visualizações e comentários. Essa é a nova onda do autodiagnóstico, o ato de identificar uma condição médica em si mesmo. Mas até que ponto isso é seguro?

    Seja pela dificuldade de acesso a acompanhamento com profissionais qualificados ou até mesmo pela comodidade, a prática de se autodiagnosticar carrega alguns riscos. Apesar dessa tendência nas redes trazer à tona discussões sobre questões de saúde mental que, durante muitos anos foram estigmatizadas, especialistas alertam que nem tudo o que está na internet é confiável para se fechar um diagnóstico de transtorno mental.

    De acordo com a psicóloga Rachel Borges, esse movimento de autodiagnóstico já é observado em consultório. Ela nota que há uma frequência entre seus pacientes que afirmam nas sessões possuir algum diagnóstico específico, identificado a partir de relatos na internet, sem uma avaliação profissional. “Sinto que as pessoas se sentem preocupadas em ter que encaixar seus comportamentos em algum transtorno mental, quase como uma busca por pertencimento”. Nessa busca, muitos podem acabar encontrando uma solução que parece até milagrosa, mas é equivocada.

    Um estudo publicado no The Canadian Journal of Psychiatry em 2022 revelou que, entre os 100 vídeos mais assistidos sobre TDAH no TikTok, 52% continham informações falsas. Além disso, esses vídeos foram produzidos majoritariamente por pessoas sem qualquer formação na área da saúde, o que intensifica o problema, já que apenas 21% do conteúdo analisado se baseava em evidências científicas. 

    Dessa forma, esse tipo de conteúdo tem dois lados: ao mesmo tempo em que incentiva as pessoas a cuidarem da saúde mental e a buscarem ajuda psicológica, se feitos sem responsabilidade, podem propagar ainda mais desinformação sobre transtornos mentais. Isso porque, muitas vezes, os transtornos são tratados de forma divertida ou até mesmo engraçada nos vídeos, banalizando a situação e o assunto. Entretanto, na realidade, as pessoas diagnosticadas enfrentam diversos desafios em suas vidas.

    Além do risco de diagnósticos errados, o autodiagnóstico pode levar à automedicação, um problema ainda mais grave em um país onde 86% da população mantém remédios sem prescrição em casa. O dado, de uma pesquisa Datafolha de 2024 encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (ACESSA), reforça a necessidade de cautela tanto na produção quanto no consumo de conteúdos na internet que prometem soluções rápidas e fáceis.

    Quando buscar ajuda profissional não é tão simples

    Mas o que fazer quando o acesso a profissionais é dificultado? Mesmo sabendo dos riscos, para muitos, as redes sociais acabam sendo a porta de entrada para o entendimento de sua própria saúde mental. Foi o caso de Diogo Delazari, de 22 anos. Em 2022, o jovem foi diagnosticado com depressão clínica após passar por alguns profissionais, mas a suspeita de que algo não estava certo fez ele procurar conteúdos nas redes sociais.Na época, o estudante passava por problemas pessoais e já não se sentia bem. Seu comportamento chamou a atenção de amigos, professores e familiares, que sugeriram que ele procurasse ajuda. No entanto, foi só depois de assistir a um vídeo no YouTube que Diogo percebeu a gravidade da situação. “Eu sabia que estava triste, mas nem pensava no diagnóstico. Até que vi um vídeo com dez sinais de que você precisa buscar ajuda psicológica — e me identifiquei com quase todos. Foi aí que percebi que precisava de um tratamento”, lembra.

    Determinando a buscar apoio profissional, Diogo conseguiu uma consulta no programa de acolhimento psicológico da universidade onde estuda. Após alguns atendimentos, a profissional que o acompanhava identificou um possível quadro de depressão e solicitou uma avaliação psiquiátrica com urgência. No entanto, a consulta foi marcada apenas para dali a quatro meses e, no dia agendado, acabou sendo adiada. Sem alternativa, o jovem teve que recorrer ao atendimento particular.

    Esse caso evidencia um problema estrutural do país: a dificuldade de acesso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico gratuito, especialmente para as classes mais baixas. Enquanto as redes sociais ampliam a discussão sobre saúde mental, a realidade ainda impõe barreiras, como a alta demanda no Sistema Único de Saúde (SUS), a falta de profissionais em diversas regiões e os altos custos no setor privado. Nesse cenário, muitas pessoas acabam recorrendo ao autodiagnóstico e até à automedicação, buscando alternativas quando o atendimento especializado não está ao alcance.

    Apesar dos riscos, Diogo acredita que, se feitos com responsabilidade e por profissionais da área, os conteúdos sobre saúde mental na internet podem ter um papel positivo. “Eu vivi na pele a dificuldade de encontrar um profissional para me ajudar, então acho que essas informações podem ser úteis para quem está passando pela mesma situação”, reflete.

    Buscas por respostas nas redes sociais podem ser benéficas?

    Já Athila Archanji passou por uma experiência diferente. O estudante de 23 anos nunca procurou um profissional da área da saúde mental, mas consome vídeos sobre o tema com certa frequência. Desde muito novo, ele sempre foi visto como “a criança ansiosa”, mas nunca teve certeza desse diagnóstico. 

    Atualmente, baseado em conteúdos que viu nas redes sociais, ele acredita que tenha sim um quadro de ansiedade. “Eu não sou muito de ir em médico, então eu nunca fui atrás de um diagnóstico formal, mas os conteúdos que eu vejo sobre isso me levam a suspeitar de que eu tenha ansiedade”, conta o jovem. 

    Apesar disso, Athila afirma que nunca chegou a se automedicar com base nessa suspeita, mas usa as informações do vídeo para melhorar a sua qualidade de vida. “Esses conteúdos que eu consumo me mostraram coisas que posso fazer para melhorar essa ansiedade. Me influenciou a buscar fazer mais atividade física e a buscar uma rotina mais saudável, por exemplo”.

    Sendo assim, conteúdos de qualidade de profissionais responsáveis podem sim ser informativos e ajudar pessoas que estejam na mesma situação a lidar com possíveis transtornos. Com mais informações baseadas em conhecimento científico da área, outras pessoas podem se beneficiar, obtendo mais dados sobre o tema. Mesmo assim, é importante ressaltar que, por mais valiosos que sejam esses conteúdos, eles não substituem a avaliação de um psiquiatra ou psicólogo, uma vez que sinais mais sutis podem ser ignorados nesse processo, comprometendo a precisão do autodiagnóstico.

    Nada substitui a avaliação profissional

    Nesse contexto, a psicóloga Rachel Borges afirma que os vídeos podem servir para divulgar informações sobre esse tema, mas é preciso ter cuidado com o que acreditar. “O maior erro é confiar em fontes não seguras. Qualquer pessoa pode fazer um reels [vídeo] ou um post, mas quem é essa pessoa? É um profissional da área?”, comenta.

    Outro ponto importante a ser considerado é que nem todo sintoma identificado nas redes sociais é, de fato, um sinal de transtorno mental. Como os vídeos são geralmente curtos e não oferecem um aprofundamento necessário, muitas vezes o que é interpretado como ‘sintoma’ pode ser, na realidade, um reflexo da rotina ou do contexto em que a pessoa está vivendo, e não necessariamente o indício de um problema de saúde mental. “A falta de atenção que é tão falada pode ser muitas coisas: cansaço, má qualidade de sono, ansiedade, estresse, depressão, TDAH, ou simplesmente um resultado de uma sociedade acelerada. Apresentar características que se encaixem em algum transtorno não determina que de fato a pessoa tenha esse transtorno”, aponta a psicóloga.

    Como uma profissional da área de saúde mental que utiliza as redes sociais como ferramenta de trabalho, Rachel diz que é importante ter muita responsabilidade com aquilo que ela posta. Ela acredita que esse tipo de conteúdo ajuda muito a diminuir o preconceito diante do cuidado da saúde mental, mas que é preciso buscar fontes seguras.

    Para quem desconfia de algum diagnóstico o conselho é entender qual seria o possível transtorno e buscar um profissional competente o mais rápido possível. Só assim, a partir da queixa do paciente, é que esse psicólogo, psiquiatra ou neurologista vai poder fazer as avaliações necessárias para ajudar essa pessoa da melhor forma possível. “Antes de pensarmos em um diagnóstico, se tenho ou não algum transtorno mental, é pensar em como lidar com aquela situação de maneira que facilite meu modo de estar no mundo”, conclui Rachel.


  • Rio Branco SAF: exemplo capixaba de planejamento de futebol

    Rio Branco SAF: exemplo capixaba de planejamento de futebol

    O Rio Branco Atlético Clube é um clube centenário e o maior campeão capixaba, tendo levantado a taça do estadual 38 vezes. Além disso, também é o detentor do maior número de torcedores entre os times do Estado, e foi o primeiro clube do Espírito Santo a se transformar em uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF), sendo campeão no mesmo ano da sua compra (2023).

    Em 2024, a T2R Sports adquiriu 90% da instituição, com um investimento de cerca de R$ 50 milhões, aplicados ao longo de 10 anos. A proposta, comandada pelo atual CEO Renato Antunes, focava em melhorar a infraestrutura do clube, incluindo a criação de um centro de treinamento, e elevar o elenco do time capa-preta. O objetivo era claro: tornar o Rio Branco a maior potência da modalidade no Espírito Santo, e colocar mais um vez o clube no cenário futebolístico nacional.

    “Acreditamos no futebol como um propulsor da evolução do Espírito Santo, e o Rio Branco tem potencial para capitanear esse movimento, pois é um clube tradicional, centenário, maior vencedor do Estado e dono da maior torcida. Queremos atingir todo o potencial do maior clube do Estado e fazer do Rio Branco e do Espírito Santo um dos maiores cases de sucesso do futebol nacional”, disse Renato Antunes, à época da efetivação da compra. 

    Título no primeiro ano de SAF

    Em 2024, logo no primeiro ano sob a nova direção da SAF, o Rio Branco levantou a sua 38ª taça do Campeonato Capixaba, depois de nove anos. Desde 2015, ano da última conquista do Estadual, o clube sofreu um hiato que ficou engasgado para o torcedor, que viu o maior vencedor do Espírito Santo ser rebaixado em 2017, jogar Série B do Capixabão em 2018, e ser vice duas vezes da Copa ES, em 2022 e 2023. 

    “Atingimos o nosso principal objetivo que era ser campeão estadual. Isso trouxe a oportunidade de jogar um calendário cheio em 2025. Quando construímos o planejamento de 2024, queríamos o título estadual e, por consequência, as vagas nas competições nacionais. O balanço é muito positivo: muitos aprendizados, tanto na vitória quanto na derrota”, disse Renato, ao analisar o que foi o ano de redenção do Rio Branco. 

    Planejamento e gestão de elenco

    Para 2025, o Rio Branco investiu ainda mais, tanto na construção de um centro de treinamento, que fica localizado no Bairro de Fátima, na Serra, alémda formação de um elenco estrelado para disputar as cinco competições da temporada: Capixabão, Copa Verde, Copa Espírito Santo, Copa do Brasil e Brasileirão Série D.

    Ao todo, foram contratados 22 jogadores, incluindo nomes grandes do futebol nacional e até internacional, como o volante Bruno Silva,  com passagens por Botafogo, Fluminense, Internacional e Cruzeiro; Ricardinho, atacante que fez grande parte de sua carreira na Europa e é ídolo do Sheriff Tiraspol, clube que ganhou fama ao vencer o Real Madrid na Champions League 2021/22; e o meia Breno Melo, atleta da base do Grêmio que sempre foi tratado como promessa e, durante dois anos, foi observado pelo Barcelona.

    “A gente analisou 300 jogadores, por baixo, e não teve nenhum jogador que veio, que a gente viu menos de 3 horas de jogo. A gente tem um departamento de saúde e performance que participa do processo de contratação. Ele faz a análise histórica e a gente pede exame físico dos atletas antes deles virem. A comissão técnica pede referência de todos os atletas, e nenhum vem para o Rio Branco com menos de três referências de jogadores ou treinadores que tenham trabalhado com esses caras em menos de 24 meses”, disse Renato Antunes, dando exemplos de como funciona o processo de contratação de novos jogadores. 

    Começo de temporada complicada e nova fase

    Na atual temporada, o Rio Branco vem decepcionando a sua torcida até mais da metade da primeira fase do Campeonato Capixaba. Das sete partidas no ano, o Capa-Preta só venceu uma. Além disso, teve quatro empates e duas derrotas, sendo uma goleada para o Goiás por 6 a 0 pelas oitavas da Copa Verde.

    Após um começo conturbado, o treinador contratado para 2025 Ricardo Colbachini, não aguentou a má fase e foi desligado do cargo. Em seguida, o time anunciou Rodrigo Fonseca como novo comandante do clube, que vai ter a árdua missão de tirar o Rio Branco da zona de rebaixamento, levar aos mata-matas e conseguir o principal objetivo da diretoria: o bicampeonato capixaba. Além disso, o treinador seguirá para as disputas da Copa do Brasil, Copa Espírito Santo e o Brasileirão Série D.

    “Nossa prioridade é muito clara: ser campeão capixaba e depois a gente busca o que tiver para buscar. A Copa do Brasil é uma oportunidade maravilhosa de a gente recuperar o orgulho. Quando a gente vai com força máxima para o jogo contra o Goiás era para a gente recuperar o orgulho de uma torcida que está sofrendo há bastante tempo.  O jogo contra o Novorizontino é mais uma oportunidade, acima de financeiro, de passagem de fase, é uma oportunidade de a gente recuperar a nossa confiança e atingir os nossos objetivos de longo prazo”, disse Renato, exemplo capixaba de planejamento de futebol.

  • Editorial

    Editorial

    Ghenis Carlos | Editor Geral

    Caro leitor, é consenso entre os historiadores que a primeira linguagem escrita desenvolvida pelo homem remonta aos tempos da antiga Mesopotâmia, por volta de 3500 a.C. A linguagem, em todos os seus aspectos, é crucial para consolidar uma sociedade. Manusear  essa característica tão intrínseca da humanidade permite adquirir amplas habilidades. 

    O jornalismo, por exemplo, instrumentaliza a linguagem para atribuir sentido aos fatos. Isso se dá através de formatos de conteúdo diversos. Contudo, o clássico texto por escrito, ou melhor, digitado, luta para manter seu lugar de destaque dentro da lógica de informação midiática. Essa edição da revista “Primeira Mão” é redigida por uma equipe que deseja perpetuar o valor do texto para contar histórias.    

    Para a escritora Clarice Lispector, sua liberdade estava no ato de escrever. Esse era o seu “domínio sobre o mundo”. A palavra, quando aplicada, possui poder de nomear e assim dar existência a inúmeras coisas no imaginário coletivo. Porém, no Brasil, esse poder é, em grande medida, ignorado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2023, havia 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais em condição de analfabetismo. O número assusta, mas corresponde a apenas 5,4% da população, o que torna difícil compreender como um país com mais de 90% da população alfabetizada segue vivenciando alto desinteresse pela leitura. 

    O poder se concentra muitas vezes na ponta de uma caneta em atrito com o papel; na agilidade dos dedos ao digitar um texto; no fragmento de tempo em que associamos informações e as estruturamos em uma ordem sintática coesa e coerente o bastante para transmitir uma mensagem. Há algo poderoso nas palavras, uma potência transformadora, uma força que cria e que condiciona a existência humana. As palavras podem desencadear acontecimentos históricos, como guerras, eleições e acordos internacionais. Mas se a palavra tem tanta oportunidade, por qual motivo depreciá-la, ou até mesmo, cultivar uma escrita precária e sem potencial?

    Caro leitor, o conteúdo que estamos entregando nesta edição 161 foi lapidado antes de ser publicado. Para nós está claro: fazer jornalismo é mais que atender uma demanda imediata, é apurar com rigor e reportar com cuidado e alguma arte. E também fazer malabarismo para escrever com o equilíbrio necessário sempre ponderando paixão e razão.

  • Estudantes estrangeiros na Ufes: o desafio da adaptação

    Estudantes estrangeiros na Ufes: o desafio da adaptação

    Integração e oportunidades: a trajetória de cerca de 50 estudantes internacionais PEC-G na UFES

    O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), uma iniciativa do governo brasileiro, traz para o Brasil centenas de estudantes de países da América Latina, África e Caribe a oportunidade de cursar graduação em universidades públicas no Brasil. A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), tinha 199 estudantes estrangeiros em 2024, segundo a Secretaria de Relações Internacionais (99 na pós e 100 na graduação) que trazem diversidade cultural e enriquecem a comunidade acadêmica, mas também enfrentam desafios na adaptação à nova realidade.

    O PEC-G  oferece isenção total de mensalidades e a possibilidade de cursar qualquer área do conhecimento, sem a necessidade de exames de admissão. No entanto, a adaptação ao ambiente acadêmico e cultural pode ser um desafio para muitos desses alunos.

    A estudante gabonesa do curso de Enfermagem na Ufes, Anne Samuelle, relembra os obstáculos enfrentados ao chegar ao Brasil. “No começo, eu não entendia nada de português. Além disso, os capixabas são mais fechados, o que tornou a socialização difícil”, conta. Para ela, o período de pandemia, logo após sua chegada em 2020, tornou a experiência ainda mais difícil. “A gente teve que superar isso longe da família.”

    Anne Samuelle: “O português do dia a dia e os termos acadêmicos são muito diferentes.”

    A barreira linguística é um dos principais desafios enfrentados pelos estudantes estrangeiros, mesmo após a aprovação no exame de proficiência exigido pelo PEC-G. “O português do dia a dia e os termos acadêmicos são muito diferentes. Precisei fazer muita pesquisa para acompanhar o curso”, explica Anne.

    Outro obstáculo significativo está relacionado à questão financeira. Segundo o presidente da Liga dos Universitários Africanos da Ufes (LUA), Evrad Deutou, o suporte financeiro oferecido não é suficiente para cobrir todas as despesas dos alunos. “A Ufes não tem residências universitárias, então precisamos pagar aluguel, contas e outras despesas. Muitos de nós enfrentam dificuldades para se manter no Brasil.”

    Além disso, Evrad destaca questões estruturais e sociais que impactam a vivência dos alunos estrangeiros. “Já passei por situações em que colegas me olhavam como se eu não pertencesse àquele lugar. O racismo ainda é um problema que enfrentamos”, lamenta.

    Para facilitar a adaptação dos estudantes, a SRI desenvolve iniciativas como o Programa Anjos, que conecta alunos estrangeiros a membros da comunidade acadêmica voluntários. Os “anjos” auxiliam os recém-chegados em questões práticas, como moradia, transporte e familiarização com a universidade. Além disso, a SRI oferece suporte burocrático e informações sobre a vida acadêmica.

    Do ponto de vista cultural, os estudantes do PEC-G também promovem iniciativas de integração, como o Dia da África, evento organizado anualmente pela LUA para divulgar a cultura africana na universidade. “Esse é um momento de troca, onde podemos compartilhar nossa cultura e nos aproximar mais da comunidade acadêmica”, afirma Evrad.

    Apesar dos desafios, tanto Anne quanto Evrad enxergam o PEC-G como uma oportunidade valiosa. “O Brasil oferece grandes possibilidades. Quero aproveitar essa experiência ao máximo e levar o conhecimento adquirido aqui para contribuir com o desenvolvimento do meu país”, conclui Evrad.

    Para a Ufes e o estado do Espírito Santo, o programa representa uma via de mão dupla: além de proporcionar oportunidades de formação a estudantes estrangeiros, ele contribui para um ambiente acadêmico mais diverso e enriquecedor.


    O que é o PEc-G

  • Nude: Inovação na Cobertura Esportiva do Espírito Santo

    Nude: Inovação na Cobertura Esportiva do Espírito Santo

    Projeto universitário se destaca no cenário capixaba com novas abordagens e presença digital.

    Criado por estudantes da Ufes há cerca de 10 anos, o Núcleo Desporte (Nude) surgiu como um programa da Rádio Universitária Bandejãow.  A proposta inovadora, visava desenvolver habilidades de comunicação na área do esporte, oportunizando experiências em competições oficiais aos universitários e ampliar a cobertura esportiva no Espírito Santo. Após um período de inatividade durante a pandemia de covid-19, o projeto renasceu no final de 2021, com uma nova energia e um novo foco sob o comando dos estudantes de jornalismo Felipe Dutra e Renan Linhares, tornando-se rapidamente um dos protagonistas na cobertura esportiva no Espírito Santo. Hoje, o projeto conta com uma equipe composta por 35 alunos, principalmente dos cursos da área de comunicação da Ufes.

    Em 2024, o Nude consolidou sua presença no cenário estadual com uma participação marcante na cobertura do Capixabão e da Copa ES de Futebol, dois dos maiores campeonatos do estado. O Núcleo se destacou por sua abordagem multifacetada, produzindo conteúdo jornalístico de qualidade, com reportagens pós-jogo, registros fotográficos, atualizações de resultados e, especialmente, transmissões ao vivo dos jogos via YouTube.

    Com o crescimento significativo de sua audiência, os canais de comunicação do Nude já somam mais de 8 mil espectadores, um número que demonstra a relevância e o impacto do projeto. O trabalho do Núcleo não atraiu apenas jovens e universitários, mas também levou os tradicionais veículos de imprensa a repensarem suas estratégias de cobertura, trazendo uma renovação na forma de produzir e distribuir conteúdo esportivo no estado.

    Ao lado dos principais meios de comunicação, o núcleo ajudou a moldar uma nova era de cobertura esportiva no Espírito Santo, com uma linguagem mais próxima do público e uma abordagem mais interativa, refletindo o cenário de transformação que o esporte capixaba está vivendo.

    Mudança na forma de comunicar

    Para Juliana Moreira, repórter da TVE, emissora detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos, o Núcleo Desporte foi responsável por mudar a forma de comunicação através das redes sociais: Na minha opinião o Nude  fortaleceu ainda mais a cobertura por meio das redes sociais, com entrevistas pós-jogo e cobertura ao vivo das partidas no YouTube. Isso mostra que a cobertura por esses meios de comunicação são importantes e conseguem atingir diferentes públicos.

    Este renascimento não é apenas um marco na trajetória do Nude, mas também um reflexo das mudanças no consumo de mídia, onde a interação em tempo real e a presença digital se tornam cada vez mais essenciais para atrair a atenção do público jovem.

    De acordo com diretor do Nude, Pedro Henrique de Oliveira, o ressurgimento do projeto foi impulsionado pela necessidade de reaproximar os universitários da prática esportiva em um momento de reconstrução social e digital após a pandemia. “O Núcleo Desporte sempre teve como propósito dar voz àqueles que amam o esporte, mas que ainda não têm espaço na grande mídia. Após a paralisação, nossa ideia foi revitalizar o projeto, abraçando as novas tecnologias e a comunicação digital para fortalecê-lo ainda mais”, afirma o diretor.

    Pedro Henrique: “Nosso propósito dar voz àqueles que amam o esporte”

    Neste ano de 2025, o projeto demonstrou sua importância ao conceder o prêmio de Craque da Rodada, que reconhece o jogador que se destaca entre as partidas do Capixabão. O troféu é valorizado pelos próprios atletas, que se sentem honrados em receber um reconhecimento que celebra o esforço e o comprometimento de seu trabalho dentro de campo.

    Autossustentável

    Inicialmente, o projeto não tinha a monetização como objetivo principal. No entanto, devido ao sucesso das diversas coberturas realizadas, o Núcleo Desporte passou a se tornar financeiramente autossustentável. Em duas ocasiões, membros do Núcleo viajaram com a seleção Bom Time para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a fim de cobrir o trabalho dessa iniciativa, que visa levar atletas juniores, oriundos de escolinhas de futebol, para grandes clubes. Além disso, atualmente, o Nude mantém uma parceria com o programa ES Hoje, que reconheceu o impacto dos aspirantes a jornalistas no estado e, como resultado, passou a compartilhar as publicações do Núcleo, em uma colaboração mútua entre os perfis, e, em troca, é responsável por financiar as coberturas.

    Roberta Rodrigues, também diretora do projeto, compartilha sua percepção sobre o sucesso do núcleo, destacando a sensação de ver o projeto alcançar novos horizontes: ‘É muito gratificante. A equipe tem uma enorme força de vontade em potencializar o crescimento do projeto, movida pelo amor ao que faz. Somos um projeto independente, então esse reconhecimento é o maior retorno que temos, e é fundamental para o desenvolvimento profissional de cada um de nós.


  • O fim da linha

    O fim da linha

    De passeio turístico concorrido a local abandonado: o adeus da estação ferroviária de Viana

    Até o ano de 2015, ainda era possível ver o trem passar no município de Viana. Turistas do Espírito Santo e de diversas partes do Brasil que visitavam a sede do município de Viana embarcavam no trem em direção às montanhas capixabas. Atualmente, esse passeio turístico que saía em direção a Marechal Floriano, não está mais em operação, assim como as atividades da estação. Em contrapartida, surge o projeto de uma nova linha ferroviária para ligar o Espírito Santo ao Rio de Janeiro – a EF 118, que está sendo discutida com grupos empresariais interessados. 

    Mas voltemos ao começo da vida da personagem principal. A Estação Ferroviária de Viana, que também já foi chamada de Jabaeté, nasceu em 12 de julho de 1895. Ela integrava, junto de outros 10 municípios capixabas, a grande família denominada Ferrovia Centro-Atlântica, mais conhecida como FCA. A via era gerenciada pela Companhia Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo. Era o tempo em que se esperava para ouvir a buzina do trem avisando suas chegadas e partidas. Seus vagões acomodavam mercadorias e passageiros.

    Em 1992, aos 97 anos de idade, a ferrovia recebeu uma grande festa: era a inauguração do passeio pelas montanhas. Antes, realizava somente longas viagens, agora receberia também um breve passeio turístico. O então Governador de seu Estado, Albuíno Azeredo, foi um convidado especial, além de outras importantes personalidades da região, como a prefeita Maria Pimentel e o secretário municipal de turismo da época. A comemoração foi um sucesso, com direito até a jantar em um dos vagões do trem. Visitantes de outros estados enfrentavam fila de espera de meses para conseguir um ingresso para o passeio. Apesar do êxito, essa jornada foi interrompida devido à mudança da gestão municipal.

    Após décadas de trabalho para o governo transportando cargas e passageiros, ela foi privatizada. Foi concedida e comprada pela empresa VLI, em 1996. Seus novos responsáveis não a trataram muito bem; deixaram-na de lado. Aos poucos, a saudosa estação Jabaeté teve suas operações reduzidas até parar completamente. Ela e suas outras 10 irmãs capixabas tiveram o mesmo destino: o abandono.

    Começaria, então, uma história marcada de esperanças e desesperos para a carinhosamente chamada e apelidada aqui de FerroVia(na). Em 2009, por meio de uma união de forças de seus antigos conhecidos, os governos do município e estado implementaram novamente o passeio turístico pelas montanhas. Com início na já conhecida estação, passava por Domingos Martins e finalizava a excursão em Marechal Floriano. Foi um sucesso, como fora no passado. Mas, novamente, suas atividades foram pausadas sem qualquer explicação para seus demais companheiros da cidade.

    Uma expectativa surge da parte de todos quando uma Maria Fumaça que participou da 2ª Guerra Mundial é adquirida em 2006 pela Prefeitura de Viana. Os reparos na sua estrutura e maquinário perduraram até 2019. O sonho aumenta após a fala do secretário da cultura de Viana, Leodir Porto: já tendo sido finalizadas as melhorias, o plano agora era colocar o transporte em funcionamento e oferecer um passeio de aproximadamente 8km Viana adentro. Além de tudo isso, a estação, agora reformada, também seria palco de eventos para promover a cultura regional. Mas tudo não passou de sonho.

    Prestes a completar 130 anos, os planos para a antiga conhecida estação de Viana são desconhecidos por seus vizinhos até hoje e pouco divulgados pela atual gestora, a Prefeitura do município. Sobre as intenções para a Ferrovia, a atual secretária da cultura do município  informou que alguns projetos da pasta ainda estão em finalização e “seriam amplamente divulgados em momento oportuno”. Quando exatamente é este momento oportuno? Não se sabe. Mas por ironia do destino, os preparativos para o carnaval na cidade estão a todo vapor – e o CarnaViana é divulgado desde janeiro. O barulho da folia abafaria o apito dos trens?

    A tempo de ser incluído neste relato, a Prefeitura de Viana, que deveria zelar pela nossa  protagonista, informou que a Estação está enfrentando “obras de restauro para abrigar um projeto gastronômico”. O intuito é integrar o município à Rota do Polo Cervejeiro. Veja só, mais uma  ironia: destruir os trilhos para integrar-se a uma rota. Isso mesmo, um local com tantos enredos, um patrimônio histórico e carregado de identidade se tornará um comércio gastronômico. Moradores se perguntam se valeria a pena acabar com o passeio para satisfazer a fome.

    Em 2025, as vizinhas da Estação rememoram velhos tempos e lamentam os atuais. Selma Rocha tem 72 anos, é advogada e mora próximo da estação há 46 anos. Ela lembra da ferrovia movimentada e da exibição de peças antigas no museu ferroviário – foi o começo do fim da estação, que aos poucos foi desfalecendo até não ser nada. Rita Dias tem 69 anos e mora junto da irmã, Selma. Sobre o estado atual da ferrovia, afirma ser uma paisagem de tristeza e desolação em toda sua extensão, com seus trilhos abandonados.

    Simone Franco, 62, é moradora antiga de Viana. Ela chegou a fazer o passeio de trem nas montanhas em 2010 e achou “muito bom”. Relembra de como o local era cheio de turistas, visitas de escolas, fotógrafos clicando  noivas e imagens para capas de cds… Simone conta que os moradores ainda não compreendem o fim do passeio turístico e não sabem ao certo o que se passa por trás dos tapumes de construção da prefeitura. Por fim, ela reúne todos seus sentimentos em uma única frase: “Viana tá morrendo”.

  • Transcol: aumento de tarifas não melhora qualidade

    Transcol: aumento de tarifas não melhora qualidade


    Reajuste de 4,26% no Transcol gera insatisfação de passageiros, que reclamam de manutenção precária e lotação, mesmo com investimentos na modernização da frota.

    O preço da tarifa do Sistema Transcol na Região Metropolitana de Vitória sofreu um reajuste de 4,26% em janeiro. O valor, que antes era de R$ 4,70, subiu para R$ 4,90. O aumento afeta os passageiros, que precisam desembolsar mais para utilizar o transporte público, que ainda carece de melhorias no serviço prestado à população.

    Kessia Lopes, moradora da Serra, utiliza o transporte público diariamente para ir ao trabalho e não considera justo o valor atual da tarifa, devido à qualidade do serviço. Ela afirma que “como há um reajuste, deveria haver também manutenção nos ônibus, porque pegamos muitos veículos quebrados ou com ar-condicionado sem funcionamento.” Kessia também destacou que o aumento da frota de ônibus é uma das melhorias que gostaria de ver no Sistema Transcol.

    Já Arildo de Jesus relata que o sistema de transporte passou por mudanças e melhorou nos últimos anos, o que justificaria o reajuste da passagem. Ele afirma que “a tarifa está com um preço estável e as condições do transporte público coletivo têm melhorado bastante.”

    Essas melhorias observadas pelo pintor Arildo refletem, segundo a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), os investimentos do governo do Estado na modernização do Transcol. Nos últimos anos, mais de 60% da frota foi renovada, com climatização sem tarifa extra, além da previsão de incorporação de 150 novos ônibus, incluindo veículos elétricos. Entretanto, o aumento da frota é apenas uma previsão, ainda sem data definida. O sistema também conta com integração temporal e com o aplicativo Ônibus GV, que fornece informações em tempo real sobre o percurso dos ônibus.

    Entre as melhorias futuras anunciadas pelo governo está o Corredor Metropolitano Sul – Expresso GV, que ligará Vila Velha a Cariacica, reduzindo em até 50% o tempo de deslocamento. Além disso,  Semobi informa que foi iniciada a reforma do Terminal Ibes, com previsão de modernização em outros terminais.

    Mesmo com os investimentos do governo no sistema de transporte público, a superlotação continua sendo uma das dificuldades enfrentadas pelos passageiros. Patrícia dos Santos utiliza o Transcol para chegar ao trabalho e relata que embarca diariamente em ônibus lotados. Neste período de verão,  o desconforto aumenta ainda mais.

    A Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado (Ceturb) informou que mantém diálogo com a população para aprimorar os serviços. Além disso, ressaltou que o fato de o Transcol operar sem paralisações há anos demonstra uma gestão eficiente, garantindo a continuidade e a qualidade do transporte. A empresa afirma que também realiza estudos e análises regularmente para identificar oportunidades de melhoria.

    A série histórica dos preços das passagens em comparação com a variação da inflação (IPCA) mostra que os aumentos das tarifas têm sido menores do que a inflação do ano anterior, exceto no ano de 2023 e no período de 2016 a 2019. O número médio de passageiros nos ônibus aumentou enquanto quantidades de veículos em circulação permanecei inalterada nos últimos dois anos. A superlotação nos horários de pico é uma rotina, causando mais desconforto aos usuários.

  • O legado de Trump: Mudança de ideologia ou de regime? 

    O legado de Trump: Mudança de ideologia ou de regime? 

    A chegada de uma nova elite republicana ao poder nos EUA aponta para uma superação do paradigma reaganita.

    No âmbito da política internacional, o ano de 2024 foi marcado pela eleição de Donald Trump para um segundo mandato não-consecutivo na presidência dos Estados Unidos, uma reedição inédita do feito de Grover Cleveland, eleito em 1885 e 1893. Mais do que o retorno dos republicanos à Casa Branca, a recondução de Trump também significa a consumação do movimento MAGA (Make America Great Again, na sigla em inglês) como ideologia oficial do partido, agora reformado à imagem e semelhança do líder populista. Tal transformação, apesar de consolidada pela vitória, não aconteceu na noite de 5 de novembro, mas ao longo dos últimos quatro anos, nos quais Trump enfrentou não apenas as famigeradas ações judiciais que quase o impediram de participar do pleito, como também a resistência por parte de republicanos da velha-guarda. 

    De fato, os valores reivindicados pelos grupos que hoje orbitam o governo dos EUA representam uma ameaça à ação política conservadora que se tornou convencional no pós-Guerra Fria, construída a partir do prestígio da presidência de Ronald Reagan (1981-89). A grosso modo, a agenda reaganita, que conquistou hegemonia durante quase quatro décadas no GOP (Great Old Party, sigla em inglês para se referir ao Partido Republicano), consiste na continuação das políticas implementadas pelo governo dos EUA nos anos 1980. 

    No prisma econômico, o reagan republicanism, como ficou conhecido, advoga por um programa identificado com o neoliberalismo. Já no eixo político-social, a característica mais distinta é a defesa de uma suposta superioridade moral da democracia frente a regimes autoritários. Essa crença foi instrumentalizada mais tarde como justificativa para incursões imperialistas no Oriente Médio, empreendidas pelos neoconservadores, outro subgrupo republicano que cresceu às margens do reaganismo, representado historicamente pelas famílias Bush e Cheney.

    Apesar do inegável triunfo cultural do reaganismo, até mesmo além das fronteiras da direita norte-americana (algo que a eleição de Bill Clinton deixa claro), seu legado chegou a ser contestado ainda nas eleições presidenciais de 1992, com o sucesso da candidatura independente de Ross Perot. Em linhas gerais, a plataforma eleitoral de Perot denunciava o aumento expressivo do déficit público após as políticas fiscais da era Reagan-Bush e advogava por um reequilíbrio da balança comercial a partir da imposição de tarifas sobre produtos importados. 

    A volta do protecionismo

    O sucesso desse discurso protecionista chamou a atenção do então jovem empresário Donald Trump, que, apesar demonstrar entusiasmo com as políticas de desregulamentação da economia e dos cortes de impostos federais implementados na década de 1980, já era famoso por criticar um suposto abuso por países asiáticos das baixas tarifas de importação dos EUA. Segundo ele, China e Japão se beneficiavam do imenso público consumidor norte-americano, que acabava preterindo os produtos produzidos nacionalmente (e, por isso, mais caros), um movimento que enfraquecia a indústria.

    Trump chegou a concorrer à presidência nas eleições de 2000 pelo Partido Reformista, fundado por Perot para participar do pleito de 1996, mas acabou desistindo durante as prévias. No entanto, em 2016, somente oito anos após o fim do mandato de George Bush Jr., agora concorrendo pelo GOP, Trump venceu com um vocabulário político cujo conteúdo carregava uma miríade de heresias para o cânone neoliberal, que encontra adeptos numa maioria de representantes eleitos no país até hoje. 

    Por mais incrível que pareça à época, um republicano havia sido eleito presidente sob promessas de aumentar tarifas alfandegárias e isolar o país das relações internacionais. Não satisfeito, ao longo dos seus quatro anos de mandato, Donald Trump aproximou os Estados Unidos da Rússia, (algo que somente o democrata J. F. Kennedy havia ousado fazer), elogiou publicamente regimes iliberais e líderes autocratas mundo afora e proferiu discursos críticos à atuação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) e das Nações Unidas, bastiões do atlantismo e da resistência ao imperialismo russo na Europa. 

    A sua derrota para Joe Biden nas eleições de 2020 parecia encerrar esse experimento estranho ao status quo nacional, uma volta à normalidade que se mostrou tão breve quanto ilusória. Hoje, as características que fizeram do trumpismo o inimigo público número um do establishment liberal internacional estão mais aclamadas do que nunca entre os eleitores republicanos.

    J.D. Vance trouxe o apoio de uma elite tecnocrática do Vale do Silício

    Vance e o apoio do Vale do Silício

    Em 2024, o seu companheiro de chapa, o católico, monarquista e autodenominado pós-liberal James David Vance, ou apenas J.D. Vance, trouxe consigo não só o apoio de uma elite tecnocrática oriunda do Vale do Silício, mas uma nova linguagem política conservadora que vem sendo formulada e ganhando adeptos em subculturas da internet e em think-tanks alheios à esfera de influência tradicional do Partido Republicano. A ideologia neorreacionária (NRx), formulada pelo blogueiro e amigo de Vance, Curtis Yarvin, alguns apologetas da Doutrina Social da Igreja Católica (DSI), como o escritor Rod Dreher, além de demais críticos da democracia-liberal norte-americana, como Patrick Dennen, autor do livro “Porque o Liberalismo Falhou” (2018) são algumas das influências intelectuais do atual vice-presidente dos EUA. 

    Com a perspectiva de Vance assumir a sucessão de Trump, é possível que o futuro “líder do mundo livre” seja um homem profundamente cético, para dizer o mínimo, em relação às bases da cooperação econômica internacional e, mais importante que isso, ao conjunto de valores do liberalismo norte-americano. Uma possível “mudança de regime” nos EUA, algo desejado por muitos dos segmentos que se sentem representados por Vance, com certeza não ficaria restrita à política interna do país.

    A célebre frase do crítico literário Lionel Thrilling, segundo a qual “Nos Estados Unidos o liberalismo não é apenas dominante, mas sim a única tradição intelectual” parece ter perdido a sua validade descritiva. Contrariando aqueles que anunciaram o fim da História após a queda do Muro de Berlim, ouso dizer que ela não acabou.

  • A desigualdade no calor

    A desigualdade no calor

    O aumento das temperaturas mostram mais uma face das diferenças sociais

    A onda de calor que tem atingido, com frequência, o Brasil nas últimas semanas, colocou o Espírito Santo sob alerta de “grande perigo”.  Na capital, Vitória, os termômetros marcaram a maior temperatura do ano: 35,7°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A empresa de meteorologia Climatempo, estima que a onda de calor que atinge o sul do Brasil deve elevar as temperaturas no Espírito Santo.

    Embora o calor seja característica de países situados mais próximos da linha do Equador, como a maior parte do Brasil, as mudanças climáticas têm promovido incrementos no aquecimento, o que é aferido pelos termômetros e sentido pelas pessoas. Mas se o calor é distribuído igualmente para todas as pessoas de uma região afetada pelas altas temperaturas, a sensação térmica pode ser desigual, consideradas as condições de acesso a ambientes mais adequados para enfrentá-lo. 

    Nas comunidades, o teto das casas esquenta, as escolas não têm ventiladores suficientes para a quantidade de alunos e, mesmo embaixo de um sol escaldante, os moradores precisam subir e descer os morros. Além disso, ainda lidam com falta d’água constante. Para moradores periféricos, falta o básico: as casas são construídas sem planejamento, com materiais que absorvem mais calor, como telhas de alumínio, além de não terem ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.

    O clima impacta a nossa vida de forma desigual, pessoas que vivem em áreas mais pobres, com ausência de planejamento urbano e do Estado, sofrem mais os impactos climáticos e o estresse térmico do que em bairros mais de maior renda. 

    Bairros de classe média de Vitória apresentam um número de árvores maior do que bairros da Serra, aponta o pesquisador do Instituto de Estudos do Clima (IEC) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Wesley Correa. Segundo ele, estudos ao redor do mundo, como o da Organização das Nações Unidas (ONU), indicam uma série de medidas que podem ser tomadas para mitigar esses impactos da onda de calor.  “É preciso entender é que o aquecimento global é uma realidade, e por isso as ações de mitigação devem ser colocadas em prática em coletivo, já que é um problema mundial que atinge com intensidade os moradores de locais vulnerabilizados. Para atenuar os impactos extremos do clima, precisamos de cidades inteligentes, com uso de telhados e áreas verdes para aumento da umidade do ar e da sensação de refrescância do ambiente””, explica o especialista. 


    Um ventilador para seis

    A respiração ofegante e o suor são sensações frequentes da aposentada Maria da Silva Felix, 78 anos, moradora do bairro Bandeirantes, em Cariacica. O sol forte castiga, mas o problema não é só esse. Todo dia, ao menos quatro vezes, ela precisa sair de casa e ir para a varanda que fica de frente para a rua, para diminuir a sensação de calor e reduzir os impactos para sua saúde.

    Maria diz que tem sido difícil regular o sono e ter apetite. O que mais a preocupa é que o extremo calor tem influenciado no aumento da sua pressão arterial.  Na casa pequena que divide com outras cinco pessoas, o único ventilador que dispõem é insuficiente para amenizar o calor de todos. 

    E as salas de aula?

    Com a volta às aulas, crianças e adolescentes de escolas públicas localizadas em bairros periféricos enfrentam o desafio de aprender em salas de aulas que são verdadeiros “fornos”, dificultando o rendimento dos alunos. 

    O estudo “Condições Térmicas e Desempenho em Ambientes de Ensino – norte de Portugal e nordeste do Brasil”, feito em 2017, por investigadores da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) de Porto em parceria com pesquisdores da Universidade Federal da Paraíba, uma das entidades portuguesas que participam do projeto, analisa a influência das mudanças de temperatura no desempenho cognitivo dos alunos, e aponta que o calor é inimigo da aprendizagem. 

    “A temperatura mais elevada do ar pode provocar o aumento da frequência cardíaca dos estudantes acima de 100 batimentos por minuto”, passando estes a consumir “mais calorias” e a diminuir o ser “desempenho cognitivo”, explicou o pesquisador Paulo Oliveira à agência de notícias Lusa.

    Para crianças e adolescentes da periferia, esse problema é uma realidade e se agrava devido à falta de estrutura das escolas e à dificuldade de adaptação em casa, onde muitas vezes não há ventilação adequada. Em muitas escolas públicas da periferia, a falta de ventiladores e ar-condicionado transforma as salas de aula em verdadeiros caldeirões. Professores e educadores relatam que o calor excessivo leva ao aumento do cansaço, da irritabilidade e da dificuldade de manter a atenção dos alunos. “A gente tenta adaptar a rotina, dar intervalos, permitir que os alunos bebam mais água, mas chega um momento em que não dá mais para ensinar”, conta Maria de Lourdes da Silva, professora de uma escola municipal de ensino infantil localizada em Cariacica.

    A situação se torna ainda mais grave quando se observa que muitas dessas escolas foram construídas sem preocupação com ventilação e conforto térmico. Paredes de concreto sem isolamento térmico, janelas pequenas e pouca circulação de ar fazem com que o calor fique aprisionado dentro das salas.

    Adriana Moura, mãe do Miguel de 3 anos, que estuda na escola de Cariacica, teme que o calor extremo possa atrapalhar o bom desempenho dele na escola, deixando-o agitado, já que a sala de aula em que estuda todos os dias conta com ventiladores fracos e insuficientes para a turma de 40 alunos. A escola precisa, juntamente com os pais, reivindicar à Secretaria de Educação uma verba para climatizar as salas de aula, ou no mínimo fazer a troca e aquisição de novos ventiladores, aponta Adriana Moura.

    A adaptação das escolas públicas para enfrentar as mudanças climáticas é urgente. Medidas como a instalação de ventiladores, telhados verdes, sombreamento externo e mudanças na arquitetura das escolas poderiam aliviar o problema. No entanto, investimentos nessa área ainda são insuficientes, pelo que se observa nas escolas.

    Enquanto isso, professores, alunos e pais continuam buscando alternativas para driblar o calor. A diretora escolar Viviane Rodrigues dos Santos ressalta que, infelizmente, não há muito o que fazer com os poucos recursos disponíveis. 

    Durante as férias escolares, Viviane promoveu a manutenção nos ventiladores para mantê-los funcionando. Apesar de as salas de aula serem grandes, elas são extremamente quentes. A alternativa ideal, na opinião dela, seria climatizá-las. “Não adianta preparar uma boa aula se o calor impede os alunos de aprender”, afirma.

    Com o avanço da crise climática, fica evidente que o problema do calor nas escolas não pode mais ser ignorado. Sem ações concretas para garantir um ambiente de aprendizado adequado para todos, a desigualdade educacional só tende a se aprofundar, comprometendo o futuro de milhares de crianças e adolescentes da periferia.

    Ondas de calor se tornam mais frequentes

    O pesquisador do Instituto de Estudos do Clima da Ufes, Wesley Correa, alerta que as ondas de calor devem se tornar mais frequentes e intensas nos próximos anos. Segundo ele, os modelos climáticos indicam um aumento contínuo da temperatura média global, o que pode impactar diretamente diversas regiões do Brasil.

    “Estamos observando uma elevação das temperaturas mínimas e máximas, além da intensificação de eventos extremos, como longos períodos de seca e ondas de calor intensas. Isso traz impactos tanto para a saúde da população quanto para a economia, principalmente na agricultura e no consumo de energia elétrica”, explica.

    Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que 2024 foi o ano mais quente no Brasil desde o início dos registros em 1961. A temperatura média anual atingiu 25,02°C, representando um aumento de 0,79°C em relação à média histórica de 1991-2020, que é de 24,23°C. 

    Além disso, destaca-se que 2025 tem sido  marcado por altas temperaturas e forte umidade, especialmente nas grandes cidades. Há uma tendência de chuvas irregulares, com possibilidade de períodos de seca seguidos de precipitações intensas, o que pode impactar diversas regiões do país.

    A exposição a temperaturas elevadas pode desencadear diversos efeitos adversos no organismo:

    Desidratação  –  O calor excessivo aumenta a transpiração, levando à perda significativa de líquidos e eletrólitos. Sem reposição adequada, pode causar tonturas, fadiga e, em casos graves, desmaios.

    Problemas Cardiovasculares  – Para dissipar o calor, o coração intensifica o bombeamento sanguíneo, o que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, especialmente em indivíduos com doenças cardíacas preexistentes.

    Distúrbios Musculares e Nervosos  – A perda de eletrólitos pelo suor pode afetar a função muscular e nervosa, resultando em câimbras, espasmos e, em casos extremos, convulsões.

    Hipertermia  – Quando a temperatura corporal ultrapassa os 40°C, mecanismos naturais de resfriamento podem falhar, levando a confusão mental, desmaios e risco de falência de órgãos.


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