Ghenis Carlos | Editor Geral
Caro leitor, é consenso entre os historiadores que a primeira linguagem escrita desenvolvida pelo homem remonta aos tempos da antiga Mesopotâmia, por volta de 3500 a.C. A linguagem, em todos os seus aspectos, é crucial para consolidar uma sociedade. Manusear essa característica tão intrínseca da humanidade permite adquirir amplas habilidades.
O jornalismo, por exemplo, instrumentaliza a linguagem para atribuir sentido aos fatos. Isso se dá através de formatos de conteúdo diversos. Contudo, o clássico texto por escrito, ou melhor, digitado, luta para manter seu lugar de destaque dentro da lógica de informação midiática. Essa edição da revista “Primeira Mão” é redigida por uma equipe que deseja perpetuar o valor do texto para contar histórias.
Para a escritora Clarice Lispector, sua liberdade estava no ato de escrever. Esse era o seu “domínio sobre o mundo”. A palavra, quando aplicada, possui poder de nomear e assim dar existência a inúmeras coisas no imaginário coletivo. Porém, no Brasil, esse poder é, em grande medida, ignorado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2023, havia 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais em condição de analfabetismo. O número assusta, mas corresponde a apenas 5,4% da população, o que torna difícil compreender como um país com mais de 90% da população alfabetizada segue vivenciando alto desinteresse pela leitura.
O poder se concentra muitas vezes na ponta de uma caneta em atrito com o papel; na agilidade dos dedos ao digitar um texto; no fragmento de tempo em que associamos informações e as estruturamos em uma ordem sintática coesa e coerente o bastante para transmitir uma mensagem. Há algo poderoso nas palavras, uma potência transformadora, uma força que cria e que condiciona a existência humana. As palavras podem desencadear acontecimentos históricos, como guerras, eleições e acordos internacionais. Mas se a palavra tem tanta oportunidade, por qual motivo depreciá-la, ou até mesmo, cultivar uma escrita precária e sem potencial?
Caro leitor, o conteúdo que estamos entregando nesta edição 161 foi lapidado antes de ser publicado. Para nós está claro: fazer jornalismo é mais que atender uma demanda imediata, é apurar com rigor e reportar com cuidado e alguma arte. E também fazer malabarismo para escrever com o equilíbrio necessário sempre ponderando paixão e razão.