Autor: ruthreis

  • Que Winx você seria?

    Que Winx você seria?


    Com o reboot de Clube das Winx chegando aí, que tal descobrir qual fada combina com você? Responda ao quiz e veja se você é mais Bloom, Stella, Flora, Musa, Tecna ou Aisha!

    1. O que você costuma fazer quando precisa relaxar?

    A) Leio um bom livro ou vejo uma série em casa

    B) Vou à praia pra tomar um sol e recarregar a energia

    C) Coloco uma playlist e me perco na música

    D) Vou dar um rolê na Rua da Lama com os amigos

    E) Me arrumo toda e vou para uma calourada

    F) Me jogo num esporte ou danço até cansar

    2. Como você se descreveria em uma palavra?A) Determinada

    B) Gentil

    C) Criativa

    D) Brilhante

    E) Racional

    F) Energética

    3. Seu estilo ideal tem que ser:

    A) Básico e confortável

    B) Leve e confortável

    C) Criativo e alternativo

    D) Maximalista e ousado

    E) Minimalista e funcional

    F) Esportivo e casual

    4. Em um trabalho em grupo na faculdade, você é quem…

    A) Organiza as ideias e tenta manter o foco

    B) Escuta todo mundo e faz a ponte entre as pessoas

    C) Prefere ajudar nos bastidores, mas sempre entrega

    D) Assume a liderawwwnça e apresenta o trabalho com confiança

    E) Monta o slide perfeito e cuida da parte lógica

    F) Junta a galera e bota todo mundo para produzir

    5. Qual dessas matérias/conteúdos você mais curte?

    A) Literatura ou história

    B) Biologia, geografia ou algo ligado à natureza

    C) Artes, comunicação ou música

    D) Moda, teatro ou mídias digitais

    E) Tecnologia, exatas ou pensamento análitico 

    F) Educação física, dança ou esportes coletivos

    6. Qual dessas frases combina mais com você?*

    A) A força vem de dentro

    B) Espalhe gentileza como se fosse mágica

    C) A arte é a minha forma de me expressar

    D) Se é pra brilhar, que seja agora

    E) Entender o mundo é meu superpoder

    F) Movimento é o que me faz viver


    Resultado: se você marcou mais….

    …A

    Bloom 

    Você é corajosa, determinada e sempre pronta para proteger quem ama. A líder do grupo, mesmo quando as coisas ficam difíceis.

    …B

    Flora

    Você é doce, sensível e se conecta com tudo à sua volta. Uma fada da natureza com um coração gigante.

    …C

    Musa 

    Criativa e reservada, você se expressa melhor por meio da arte e da música. A musa do grupo, literalmente.

    …D

    Stella 

      Cheia de brilho e personalidade, você adora se destacar e ama moda. Mas também é uma amiga fiel e leal.

    …E

    Tecna 

      Racional, lógica e conectada ao mundo digital, você pensa rápido e resolve qualquer problema com inteligência.

    …F

    Aisha (Layla) 

      Você é atlética, determinada e adora desafios. Uma líder nata com espírito livre e muita força interior.

  • As curiosidades do filme Guerreiras do  K-Pop

    As curiosidades do filme Guerreiras do  K-Pop

    Sinopse oficial: Quando não estão lotando estádios, as estrelas do K-pop Rumi, Mira e Zoey usam seus poderes secretos para proteger os fãs contra ameaças sobrenaturais. Juntas, elas precisam enfrentar seu maior inimigo: uma boy band rival composta por demônios disfarçados.

    01 – SPOTIFY: 

    O que parecia apenas uma animação divertida virou um fenômeno musical: a trilha sonora de Guerreiras do K-pop bombou no Spotify! A música “Your Idol”, da boyband virtual Saja Boys, alcançou o primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos, superando nada menos que o maior grupo de K-pop, o BTS.

    Enquanto isso, a faixa “Golden”, das heroínas Huntr/x, ficou em segundo lugar no mesmo ranking, igualando o recorde do maior grupo feminino, o Blackpink. No ranking global, “Golden” acumula mais de 5 milhões de reproduções por dia. Um sucesso e tanto para personagens animados!

    02 – GRUPO TWICE: 

    A faixa “Golden”, que embala as cenas mais marcantes de Guerreiras do K-pop, ganhou ainda mais força graças aos vocais poderosos de Jihyo, Jeongyeon e Chaeyoung, do grupo TWICE, que dão voz às protagonistas Huntr/x.

    03 E 04 – HISTÓRIA COREANA: 

    – As protagonistas de Guerreiras do K-pop foram inspiradas nas mudang, tradicionais xamãs coreanas. Essas figuras espirituais realizam rituais com dança, música e trajes coloridos para afastar espíritos ruins, exatamente como as caçadoras do filme, que usam o poder do K-pop para derrotar demônios.

    – Em Guerreiras do K-pop, dois mascotes bem peculiares acompanham os vilões: Derpy, um tigre azul, e Sussie, uma gralha preta com seis olhos. Os dois têm origem no folclore coreano e foram inspirados nas tradicionais pinturas jakho-do, que retratam a relação simbólica entre o tigre (protetor espiritual) e a gralha (mensageira entre mundos). Juntos, eles representam a conexão entre o mundo humano e o espiritual, trazendo um toque cultural sutil, mas cheio de significado, à animação.

  • Crônica: Sugestão de Pauta

    Crônica: Sugestão de Pauta

    Melany Pacheco

    O jovem chega cinco minutos antes. Camisa passada, caderno pautado e uma caneta azul. Seria necessário o caderno e a caneta?

    Em 2025, teclas dizem mais sobre boas qualidades. Um bom jornalista deveria ter trazido um tablet.

    Mas a camisa está corretamente engomada.

    A entrevista é simples. Segundo o e-mail: “trazer uma sugestão de pauta que demonstre sensibilidade jornalística, domínio da linguagem e visão de atualidade”. Um pedido direto. Uma boa avaliação para um bom jornalista.

    Na sala, a entrevistadora inicia o encontro:

    — Então, vamos começar? — diz, sentada atrás de um notebook com adesivos de eventos de mídia de 2016. — Qual é a sua sugestão?

    — Eu quero falar sobre um caso que aconteceu na zona norte. Uma senhora de 80 anos foi assaltada ao sair do mercado. Quebrou o braço, ficou horas na fila do hospital. Os vizinhos organizaram um mutirão para ajudar. Acho que-

    — Hmm — interrompe a entrevistadora — Tem filhos?

    — Não, parece que ela não possui familiares próximos. Podemos falar sobre assistência na terceira ida-

    A entrevistadora corta a resposta ao meio:

    — Certo, mas quem a ajudou?

    — Foram os próprios vizinhos, senhora. O que reflete ainda mais a falta de políticas públic-

    A entrevistadora tem um lapso de epifania:

    — “Senhorinha assaltada, mas moradores viram heróis!”

    O jovem hesita.

    — Acredito que seja uma denúncia. Podemos trazer dados sobre a integração de idosos, acesso à saúde e cuidado. Talvez também alguns relatos?

    Dessa vez, o jovem consegue concluir a sentença inteira.

    — Claro, claro. Alguém filmou o assalto? Com certeza conseguimos encontrar os principais vizinhos que pegaram o bandido.

    A entrevistadora abre janelas no computador, pensando alto, quase jogando frases no ar.

    O jovem retifica um detalhe que havia passado despercebido:

    — Não, na verdade, os vizinhos não pegaram o bandido.

    Mas o debate já estava encaminhado:

    — E se colocarmos uma arte com o antes e depois dela? Rosto machucado e rosto recuperado. E sublinha pode ser: “Ela foi esquecida, mas sua vizinhança deu a volta por cima!”

    — Ah… não sei como a denúncia se encaixaria…

    — A denúncia está no esquecimento, óbvio. Enfim, com algumas imagens, a matéria vai ter muito potencial.

    O jovem não entendeu a premissa do “potencial”.

    Com um tom resoluto, a entrevista voltou a ser entrevista:

    — Perfeito. Adorei. Vamos encerrar. Você vai receber um retorno em até uma semana, tá bem?

    E tão brevemente, talvez cinco minutos, a avaliação havia terminado.

    Três dias depois, o jovem recebeu a resposta. Na caixa de entrada, o e-mail dizia: “Agradecemos o interesse, mas informamos que selecionamos outra opção diferente.”

    E mais abaixo, uma boa chamada para ação:

    “Acesse as últimas notícias: Vizinhança salva senhorinha e cidade se emociona.”

    Afinal, o jovem não sabia dizer o que era ser um bom jornalista.

  • 1ª vez no ES,  seleção de basquete celebra Anderson Varejão

    1ª vez no ES,  seleção de basquete celebra Anderson Varejão

    Guarapari foi a base de treinamentos da seleção de Basquete para a Copa América de 2025, momento que representou um marco para o esporte no Espírito Santo

    Tierry Santana

    Pela primeira vez, a Seleção Brasileira masculina de basquete realizou sua preparação no Espírito Santo, escolhendo Guarapari como base de treinamentos para a Copa América de 2025. O momento representou um marco para o esporte no estado, aproximando torcedores e profissionais dos principais nomes da modalidade no país e reforçando a capacidade capixaba de sediar eventos de relevância nacional.

    A presença da equipe principal no território capixaba trouxe visibilidade e valorizou a tradição do basquete local, que já revelou nomes importantes. Entre eles, Anderson Varejão, natural de Colatina, é considerado o maior jogador capixaba da história. Com 14 temporadas na NBA, títulos com o Cleveland Cavaliers e o Golden State Warriors, além de conquistas pela a Seleção Brasileira, como o Campeonato Sul-Americano de 2003 e duas medalhas de ouro na Copa América (2005 e 2009), Varejão se tornou referência nacional e internacional.

    Durante a passagem da Seleção, o ex-pivô foi homenageado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e pela Federação Capixaba de Basquete (Fecaba) como Embaixador do Basquete Brasileiro, reconhecimento que celebra sua trajetória, suas conquistas e a influência que exerce sobre jovens atletas.

    Sensacional

    “É um evento sensacional. A gente sabe da importância de trazer a Seleção Brasileira. São ídolos, jogadores que passaram pelo que muitos atletas aqui do nosso Estado estão passando. Com certeza é uma motivação a mais para crianças e adolescentes. É algo sensacional para o nosso esporte. Infelizmente, quando eu jogava, eles não fizeram isso. Mas não tem problema não. É sempre muito bom estar aqui junto à minha família, meus amigos, ex-companheiros de clube, adversários assistindo à Seleção”, afirmou Varejão, em tom descontraído.


    Anderson Varejão, ex-jogador capixaba de basquete, recebe homenagem como embaixador do Basquete Brasileiro

    Além de sua carreira, Varejão atua à frente do Instituto Anderson Varejão, que promove inclusão social por meio do basquete, reforçando a importância de levar a modalidade para as novas gerações. Ele destacou o impacto que a presença da Seleção pode ter no desenvolvimento do esporte local:

    “Assistir ao jogo da Seleção Brasileira é uma coisa que marca. E com certeza está marcando para a nova geração. Eu fico muito feliz e espero que seja a primeira de muitas vezes”, acrescentou.

    O evento também evidenciou o potencial do Espírito Santo para continuar se destacando no basquete. A escolha de Guarapari como sede de preparação mostra que o estado oferece condições estruturais para receber equipes de alto nível e que possui tradição suficiente para inspirar novos talentos. Essa primeira visita cria precedentes para que outros eventos nacionais ou internacionais sejam realizados, fortalecendo ainda mais a modalidade no território capixaba.

    O legado da passagem da Seleção não se limita às quadras: é um incentivo para atletas, treinadores e instituições locais investirem em formação, planejamento e competições de qualidade. O impacto se reflete diretamente na possibilidade de novos jogadores surgirem e de o estado se consolidar como referência na modalidade.

    A homenagem a Varejão simboliza tanto a história do basquete capixaba quanto seu futuro. Ela reforça a mensagem de que o talento do Espírito Santo pode alcançar os maiores palcos do esporte e inspira a continuidade de um trabalho consistente na formação de atletas. A primeira preparação da Seleção Brasileira no estado marca, portanto, não apenas um feito inédito, mas também um ponto de partida para que o basquete capixaba continue crescendo e conquistando espaço no cenário nacional.

  • Lei do streaming: soberania cultural

    Lei do streaming: soberania cultural


    O PL 2.231/2022 visa corrigir assimetrias geradas pela expansão dos serviços de streaming e criar critérios de valorização e priorização da produção independente brasileira

    A regulamentação das plataformas de vídeo sob demanda no Brasil é urgente para corrigir desigualdades fiscais, garantir investimentos na produção nacional e proteger a diversidade cultural frente ao domínio de gigantes estrangeiros.

    A expansão dos serviços de streaming revolucionou a forma como consumimos cultura. Netflix, Amazon Prime Video, Globoplay e tantas outras se tornaram parte do cotidiano de milhões de brasileiros, mas essa revolução digital trouxe também uma distorção preocupante: enquanto televisões, cinemas e operadoras contribuem para o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), as plataformas estrangeiras operam livremente, sem retorno proporcional ao mercado que exploram.

    A chamada “Lei do Streaming” (PL 2.231/2022) visa corrigir essa assimetria ao incluir as plataformas de vídeo sob demanda na cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), com alíquota de até 3% sobre sua receita bruta anual. Trata-se de uma medida justa e coerente com o princípio da equidade fiscal. Se todos os atores do setor audiovisual já contribuem, não há justificativa para que empresas bilionárias estrangeiras permaneçam à margem. Mais do que arrecadação, o objetivo é investir no fortalecimento da produção independente nacional.

    O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), alimentado pela Condecine, financia obras que expressam a pluralidade cultural brasileira, geram empregos e movimentam a economia criativa. Sem a participação do streaming, esse ecossistema perde fôlego e se torna cada vez mais dependente de conteúdos estrangeiros. A defesa da lei também é uma defesa de soberania. Como bem pontuou a deputada Jandira Feghali, o Brasil está atrasado em relação a países como França, Canadá e Coreia do Sul, que já regulamentaram o setor.

    Em todos esses casos, as regras garantem mais espaço para a produção local e ajudam a preservar a identidade cultural frente à homogeneização e a importação de cultura estrangeira imposta pelo mercado globalizado. O argumento de que a cobrança poderia desestimular investimentos no Brasil não se sustenta. Ao contrário, a regulamentação cria regras claras e previsíveis, estimulando parcerias entre plataformas e produtores nacionais. Além disso, fortalece a transparência, ponto essencial para que o público saiba quem lucra com seu consumo e quanto retorna para a cultura do país.

    É fundamental entender que cultura não é apenas entretenimento. É um instrumento de expressão nacional, de memória e de diversidade. Deixar que empresas estrangeiras se beneficiem do mercado brasileiro sem investir nele é abrir mão de contar nossas próprias histórias. É aceitar que a lógica do algoritmo defina quais vozes e narrativas chegam até nós. A aprovação da Lei do Streaming é, portanto, um ato de justiça fiscal, de incentivo à economia criativa e de preservação cultural. O Brasil não pode continuar sendo apenas consumidor de conteúdos, precisa ser protagonista na produção e difusão de suas próprias histórias.

  • Ufes: 50 anos de comunicação

    Ufes: 50 anos de comunicação


    Criado em 1974 pelo Conselho Universitário da Ufes, o curso de Comunicação Social começou em 1975, com o ingresso da primeira turma, habilitação em Jornalismo. A Ufes foi a primeira institutição de ensino superior a formar profissionais de Comunicação o Espírito Santo e a investir em pesquisa na área 

    O curso de Comunicação Social foi criado para suprir uma demanda do mercado editorial capixaba por profissionais diplomados, já que em 1969 tornou-se lei a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A previsão era formar apenas três turmas e encerrar as atividades. 

    O desejo inicial era de que o curso fosse sediado no Centro de Artes, mas, por discordância de alguns dos seus representantes, que viam, na época, o curso foi alojado no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), vinculado ao Departamento de Administração. 

    Primeiros laboratórios primeiro edificio de laboratórios do curso de Comunicação

    Por ser temporário, a Ufes não investiu em infraestrutura permanente, optando por realizar parcerias com instituições que dispunham das ferramentas necessárias para produção jornalística. Sem equipamentos próprios, as atividades laboratoriais de TV e rádio eram ministradas fora do campus de Goiabeiras, por intermédio de convênio com a TV Educativa e a Rádio ES.

    A primeira grade curricular de 1975 era generalista, oferecendo formação multidisciplinar em Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Editoração e Jornalismo, tendo em vista a preparação de profissionais polivalentes para o mercado.  

    Em 1989, depois de mobilizações de estudantes e professores, a Ufes foi autorizada pelo MEC a tornar permanente o curso de Jornalismo e, também, a criar o de Publicidade e Propaganda e o de Relações Públicas.

    A partir da década de 1980, com a instituição do Departamento de Comunicação Social, novos currículos foram adotados para os novos cursos – jornalismo e publicidade. O curso de Relações Públicas, embora previsto, nunca foi implantado. A partir de 1981, foram efetivados os professores do Departamento de Comunicação. No entanto, a falta de laboratórios e equipamentos, número insuficiente de professores insuficiente e problemas com localização de salas de aula, entre outros, ainda se mantinham. 

    Em 1995, os cursos do Departamento de Comunicação Social ganharam o seu primeiro edifício de laboratórios, mas as dificuldades enfrentadas dentro do CCJE levaram à busca de uma outra alternativa já tentada no início do curso de comunicação: a mudança para o Centro de Artes, onde existiam cursos com mais afinidades temáticas e possibilidade de uso de infraestrutura compartilhada. Depois de iniciada a construção do prédio de Multimeios (o conhecido Bob Esponja), que demorou anos por escassez de recursos, foi viabilizada a transferência para o CAr. Houve também um período de “mudança” dos antigos laboratórios para os novos que só foi concluído em 2009, quatro anos após a aprovação do projeto.

    Em 2007, com a implantação do programa Reuni, uma das iniciativas do Governo Lula para ampliação dos investimentos nas instituições públicas de ensino superior, criou-se um projeto para o curso de Audiovisual. Mas foi preciso esperar pela  segunda fase do Reuni  para ser aprovado pelo Centro de Artes. Em 2020, foi implantado o curso de Audiovisual em turno noturno.

    Exposição fotográfica conta a história do Movimento estudantil da Comunicação com fotos do acervo do Centro Acadêmico de Comunicação (Cacos)

    Póscom

    Em 2014 foi criado o Programa de Pós-graduação em Comunicação e Territorialidades, logo após a aprovação pela Capes, que só ocorreu depois de quatro tentativas dos professores do Departamento de Comunicação. No início foi implantado apenas o mestrado e somente 10 anos depois foi proposto e aprovado o doutorado, que se iniciou em agosto deste ano. (apuração de Thais Baioco, Otávio Gomes e Cid Bisneto)

  • Escolhas e recomeços

    Escolhas e recomeços

    Ter certeza, em meio a tantas possibilidades, é um pouco caótico. As dúvidas sobre o futuro profissional, o peso da escolha de uma carreira ainda na adolescência e as pressões sociais fazem parte da vida de muitos estudantes que ingressam na universidade. Para alguns, esse percurso é fácil, para outros, cheio de dúvidas, pausas e recomeços.

    Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os dados mais recentes mostram que essas mudanças não são casos isolados. Em 2024, a taxa de evasão chegou a 11,1%, enquanto apenas 49,1% dos estudantes concluíram o curso, segundo os Indicadores Acadêmicos do painel InfoUfes. Isso significa que menos da metade dos alunos que entram conseguem se formar. Ao todo, foram 1.853 alunos evadidos, aqueles que abandonaram o curso antes de concluir, enquanto 2.606 estudantes concluíram a graduação.

    Além disso, a taxa de retenção, que indica quantos alunos permanecem no curso por mais tempo do que o previsto, está em 22,6%, e o tempo médio de conclusão de um curso de graduação na Ufes ultrapassa os 11 semestres. Mesmo com uma taxa de preenchimento de vagas alta (97,9%), a ocupação efetiva está em 73,4%, o que revela uma desproporção entre o ingresso dos universitários e a permanência deles.

    Box – Desempenho Acadêmico na UFES (2024)

    Fonte: InfoUfes

    5.046 vagas ofertadas

    4.938 ingressantes

    16.705 estudantes matriculados

    2.606 diplomados

    1.853 evadidos

    Taxa de conclusão: 49,1%

    Taxa de evasão: 11,1%

    Taxa de retenção: 22,6%

    Tempo médio de conclusão: 11,3 semestres

    Ocupação efetiva das vagas: 73,4%

    Relação diplomados/evadidos: 1,41

    Foi nesse cenário que Isabella Coslop, 22 anos e estudante de Direito na Ufes, decidiu trocar de curso no meio da graduação. A primeira escolha, Publicidade e Propaganda, veio menos por identificação e mais por medo. “Todos os meus amigos, na época, passaram nos cursos que queriam e estavam começando a vida universitária. E eu, naquele medo de ficar para trás, escolhi um curso que não tinha nada a ver comigo”, conta.

    A frustração surgiu logo no primeiro período. A expectativa sobre o curso não foi alcançada, e a sensação de estar fora do lugar aumentava a cada aula. “Não me identificava com nada do que via nas aulas, enquanto meus colegas pareciam estar se encontrando. Comecei a sentir essa sensação de arrependimento e de não pertencer àquele lugar.”

    A decisão de sair, no entanto, foi um salto no escuro, Isabella apenas sabia que não poderia continuar onde estava. O desligamento do curso foi feito assim que o semestre terminou. “Foi meio que um tiro no escuro o momento que eu apertei o botão de desligamento no portal do aluno, mas deu certo.”

    Nesse processo, o medo foi um dos principais obstáculos. Medo do julgamento, da reação da família, de não conseguir voltar à faculdade. “Mas com o tempo isso foi passando, porque eu sabia que não estava tudo perdido. Eu só não me identifiquei com um curso e estava recomeçando.” O apoio da família e dos amigos foi fundamental. Até mesmo os amigos que fez na primeira graduação seguem presentes até hoje.

    Após um ano, Isabella ingressou no curso de Direito, que naquele momento já demonstrava interesse em cursar, e as diferenças foram sentidas de imediato. “A cobrança era muito maior, e os professores, bem mais rigorosos. Isso me assustou no começo, mas logo nas primeiras aulas senti algo que não sentia quando comecei na Publicidade. Eu assistia as aulas e gostava, me interessava e a sensação de frustração foi ficando para trás”, relata a universitária. Foi um processo até se adaptar à área nova, mas hoje sente que fez a escolha certa.

    Mais do que uma mudança de curso, a decisão foi parte de um processo de amadurecimento e autoconhecimento. “Aprendi que tá tudo bem recomeçar, que isso não é sinal de retrocesso ou atraso na vida. Mudar de curso pra mim foi um passo importante porque eu soube reconhecer que o caminho anterior não condizia com quem eu era”, diz.

    Hoje, mesmo sem saber exatamente qual área do Direito quer seguir, Isabella se sente mais satisfeita com sua escolha. “Tô no começo do curso, ainda explorando, mas a cada dia, eu tenho a certeza que estou no lugar certo. E se, lá na frente isso também mudar, tá tudo bem também”, conta a estudante. 

    Projeto de carreira na Ufes

    A mudança de curso é uma realidade recorrente entre estudantes universitários e envolve fatores como frustrações, expectativas não atendidas, influências familiares e busca por sentido. Na Ufes, há um projeto de extensão que atende exatamente esse tipo de demanda: o Orientação e Preparação para Carreiras (OPC), que oferece atendimentos gratuitos de orientação profissional e planejamento de carreira para estudantes da universidade e da comunidade em geral.

    Essa sensação de inadequação em relação à graduação é comum entre os estudantes, segundo o psicólogo Alexsandro de Andrade, coordenador do projeto OPC Ufes. “O projeto surgiu a partir da alta incidência de abandono na universidade, especialmente em cursos de licenciatura, além do crescimento do adoecimento psíquico associado às dificuldades na transição entre universidade e mercado de trabalho”, explica.

    O projeto abre vagas todo ano e recebe entre 200 e 300 inscrições, porém conseguem atender de 30 a 50 pessoas por ciclo (com duração de 2 meses). Entre os principais motivos relatados, estão a falta de identificação com o curso, a dificuldade de perceber empregabilidade e inserção profissional e, especialmente em licenciaturas, o desconforto com a ideia de atuar como professor. Não conseguem se enxergar trabalhando com o que estão estudando. São pessoas que descobrem que fizeram licenciatura para serem professores do ensino fundamental ou médio, mas não gostam da ideia de serem professores quando finalizarem a graduação.

    No projeto, a mudança por cobrança familiar não é frequente. O psicólogo diz que esse motivo aparece mais na transição do ensino médio para o superior, e que na universidade a cobrança parte mais do indivíduo e da sua posição como adulto, que precisar desenvolver uma autonomia a partir da sua profissão. 

    As pessoas têm medo de abandonar um projeto de vida por causa do tempo, mas normalmente quem deseja mudar ainda é muito jovem. No entanto, para lidar com a frustração de “perda de tempo”, o coordenador do projeto diz que é preciso entender que cada vez mais as pessoas vão ter carreiras longas, então essa mudança não deveria atingir tanto. “As gerações dos 20, 30, 40 anos vão ter que refazer escolhas ao longo da vida para se manter economicamente ativa. As profissões nascem e morrem. Então, é mais interessante que tenham menos medo de enfrentar essa transição agora”, conta Alexsandro.

  • Muito além da espera: o SUS que transforma vidas

    Muito além da espera: o SUS que transforma vidas

    No país onde as desigualdades se manifestam até no acesso à saúde, o SUS segue sendo uma rede que conecta cuidado, dignidade e sobrevivência.

    Em 2005, Palmira Possati descobriu seu primeiro câncer no intestino. Sem recursos para arcar com as despesas do tratamento pela rede particular, recorreu ao Sistema Único de Saúde (SUS) em busca de acolhimento. Ela precisou retirar parte do órgão e passou seis meses ostomizada, vivendo com uma abertura cirúrgica para eliminação de resíduos do corpo. Todo o processo, incluindo a cirurgia e o acompanhamento, foi feito pelo SUS, com atendimento no Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, e no Hospital Santa Rita, localizado em Vitória. 

    Oito anos depois, em 2013, Palmira enfrentou um novo diagnóstico: o câncer de mama. Mais uma vez, foi buscar atendimento  no sistema público, onde realizou uma mastectomia, sessões de quimioterapia e, até hoje, faz exames periódicos para monitorar possíveis recaídas. Para Palmira, o SUS foi fundamental na trajetória do tratamento e recuperação.

    “Sem o SUS eu realmente não teria conseguido. Eu não conseguiria pagar um tratamento desse. E com o SUS eu não gastei nada. Tudo foi por conta do SUS, medicamento, cirurgia, internação. Além do acompanhamento com médicos maravilhosos que eu faço questão de destacar”, conta Palmira. 

    O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Ele oferece uma ampla gama de serviços, desde a atenção primária, com atendimentos básicos como aferição de pressão arterial, consultas médicas, acompanhamento de gestantes, crianças e idosos, além de serviços odontológicos e vacinação, até procedimentos de alta complexidade como os realizados por Palmira.

    O SUS também abrange serviços especializados, como o diagnóstico e tratamento de doenças crônicas (diabetes e hipertensão), tratamento oncológico completo (do diagnóstico à quimioterapia), atendimento em saúde mental (incluindo consultas e internações), cirurgias de média e alta complexidade (ortopédicas, cardíacas e neurológicas), hemodiálise para pacientes renais e, por fim, o processo completo de transplante de órgãos.

    A garantia de todos os serviços oferecidos bem como o atendimento por equipe especializada e acompanhamento pós tratamento são guiados por três princípios básicos, sendo eles: universalidade (todos os cidadãos brasileiros têm direito à saúde, sem distinção), integralidade (garantindo que atendimento em saúde seja completo, abrangendo desde a promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação, considerando as necessidades individuais de cada pessoa) e, por fim, a equidade (que busca reduzir as desigualdades no acesso à saúde, garantindo que aqueles que mais precisam recebam a atenção adequada, priorizando os mais vulneráveis).

    Esses princípios são colocados em prática no dia a dia do Sistema Único de Saúde, especialmente num país com mais de 200 milhões de habitantes. A Secretária Municipal de Saúde de Vitória, Magda Lamborghini, recorre ao próprio conceito do SUS para demonstrar a complexidade do sistema. “Quando a gente fala de SUS, já é o próprio desafio, né? Porque o acesso é universal. Então a gente tá lidando com uma diversidade enorme de pessoas. Cada uma com sua necessidade, seu contexto e seu jeito de viver. Mesmo que você tenha procedimentos iguais para todo mundo, com equidade, é preciso tratar cada ser humano com sua particularidade”, explica.

    Para lidar com este cenário, segundo Magda, a cidade de Vitória aposta na ampliação da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Atualmente, 25 das 29 unidades básicas de saúde do município já funcionam nesse modelo, e a meta é alcançar 100% da cobertura. A estratégia permite um cuidado individualizado e contínuo, com base em prontuários únicos e atendimento próximo à realidade dos moradores. “A gente sabe o que cada um dos nossos munícipes cadastrados na rede necessita e faz o atendimento voltado exatamente com a necessidade de cada um. A ideia é cuidar da saúde para evitar que a pessoa adoeça, buscando, além do tratamento, a promoção à saúde.”, afirma.

    Com mais de 50 mil equipes de Saúde da Família em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS tem apostado nesse modelo como forma de garantir não apenas o tratamento de doenças, mas também a prevenção, base fundamental para reduzir internações e melhorar a qualidade de vida da população.

    Uma rede de cuidado 

    Casos como o de Palmira Possati evidenciam a importância dos investimentos contínuos em tratamentos de alta complexidade. Segundo informações do site oficial do Governo Federal, o orçamento destinado à atenção especializada do Ministério da Saúde aumentou 34% entre 2022 e 2024, saltando de R$ 54,9 bilhões para R$ 74,7 bilhões no último ano. Esse recurso é aplicado em serviços como quimioterapia, transplantes e exames especializados, ampliando o acesso da população a atendimentos fundamentais.

    O cuidado prestado pelo SUS também se revela fundamental em áreas que, muitas vezes, são negligenciadas, como, por exemplo, a saúde mental e o acolhimento emocional de quem enfrenta situações extremas, como um diagnóstico de câncer ou a vivência em contextos de vulnerabilidade social. Para a psicóloga Jamille Coimbra, que atua na rede pública há mais de 10 anos, o segredo de um acompanhamento eficiente está no fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e na escuta ativa das pessoas dentro de seus próprios territórios.

    “Não é só ter um psicólogo disponível em um consultório. É preciso vínculo, conhecimento da realidade daquela pessoa, da sua família, do bairro em que vive. Isso também é cuidado em saúde mental”, explica. “A gente precisa de equipes bem preparadas, integradas, com suporte técnico, porque o sofrimento não é só individual. Ele fala de uma estrutura, de uma sociedade, e precisa ser tratado como tal.”

    Além dos atendimentos individuais, a atuação da psicologia no SUS se estende a grupos terapêuticos, oficinas e espaços coletivos de escuta, que, segundo Jamille, são essenciais para a construção de novas narrativas sobre a dor e a superação. “Quando eu tô sofrendo e vejo que você também sofre como eu, ou que a sua história me inspira a repensar a minha, isso é extremamente rico. O SUS precisa apostar na coletividade como forma de cuidado.”, conclui. 

  • Tarifaço divide opiniões

    Tarifaço divide opiniões

    Parlamentares capixabas comentam sobre o tarifaço de Trump e os impactos na cadeia produtiva.

    O tarifaço anunciado por Donald Trump tem ganhado destaque internacional e repercutido com força no Espírito Santo, devido à importância do estado na produção e exportação de diversos produtos. Diante da nova tarifa, políticos, empresários e produtores têm se mobilizado para garantir uma gestão eficaz diante do impacto que a medida pode causar.

    O governo do estado já iniciou movimentações para lidar com as novas diretrizes impostas pelo governo americano.  O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, lidera um comitê exclusivo para debater, junto aos setores produtivos, os possíveis caminhos para enfrentar esse cenário.

    A equipe de reportagem da Revista Primeira Mão procurou parlamentares capixabas para ouvir suas opiniões sobre o chamado “tarifaço de Trump”. Deputados estaduais e vereadores, além do presidente da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais,setor considerado um dos mais afetados pela nova medida, falaram sobre diferentes aspectos políticos que o tema desencadeia. As reações entre os parlamentares são diversas, o que evidencia um ambiente político instável e cheio de incertezas. Para alguns, a nova tarifa representa uma barreira comercial injusta, que pode prejudicar diretamente a economia do Espírito Santo.

    A deputada estadual Iriny Lopes (PT) criticou duramente a medida: “Repudio veementemente. Esse tarifaço não é uma medida comercial, mas uma arma política usada para atacar a soberania do Brasil. É lamentável que essa pressão externa seja abertamente estimulada por atores políticos brasileiros, como Bolsonaro e seus filhos, em uma clara demonstração de interesses antinacionais. Essa ação prejudica diretamente as empresas e os trabalhadores, incluindo os do Espírito Santo, e não pode ser tolerada”, afirmou. 

    Já o vice-governador Ricardo Ferraço adotou um tom mais pragmático:“Precisamos continuar defendendo de forma intransigente e inegociável a nossa soberania, mas também precisamos de pragmatismo comercial para sentar à mesa e negociar, como China, Rússia e outros países estão fazendo. Devemos proteger nossa economia e os empregos dos trabalhadores brasileiros, sem nos prender à lacração política “, ponderou Ferraço.

    O deputado estadual Capitão Assumção (PL), por sua vez, respondeu à reportagem dizendo que preferiu não se posicionar sobre o assunto.

    O deputado Lucas Polese (PL) também se esquiva de  tomar posição direta sobre as tarifas de Trump, mas critica o alinhamento do Brasil com potências comunistas: “Como brasileiro e representante do povo capixaba, vejo com preocupação essa taxação, que afeta diretamente o setor produtivo. No entanto, estamos falando de um país soberano, com autonomia plena para definir suas estratégias econômicas e fiscais”, afirmou.

    A Deputada Estadual Camila Valadão (PSOL), afirma que “Essa política agrava desigualdades globais e atinge especialmente os setores produtivos e os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.”

    “O mais revoltante é que essa medida foi articulada com o apoio da extrema-direita brasileira – em especial da família Bolsonaro -, que colocou seus interesses políticos e pessoais acima dos interesses do país. É inadmissível ver setores estratégicos ameaçados por uma perseguição com motivação ideológica. Estamos falando de milhares de empregos em risco aqui no Espírito Santo, um dos estados que mais exporta para os Estados Unidos.”

    Problema pode virar oportunidade

    Para outros representantes, a nova tarifa pode ser interpretada como um estímulo à diversificação comercial. O  presidente da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Tales Rocha, vê o cenário com otimismo moderado: 

    “A partir do momento que deixarmos o debate político de lado e partirmos para uma discussão técnica e diplomática, o Brasil tem vantagem. Nosso setor, por exemplo, é essencial para os Estados Unidos, especialmente na exportação de quartzo. Temos uma relação comercial sólida e podemos avançar”, acredita.

    Relembre o caso

    Na quarta-feira, 9 de julho de 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 50 por cento sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. A decisão foi oficializada em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nas redes sociais. No texto, Trump critica duramente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chamando-o de “caça às bruxas” e classificando o processo como uma “vergonha internacional”. Ele afirmou que Bolsonaro foi “um líder amplamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos”.

    “A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro é uma desgraça. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que precisa acabar imediatamente”, declarou Trump.

    O republicano ainda menciona supostas “ordens secretas e ilegais” contra plataformas de mídia nos Estados Unidos e acusa violações à liberdade de expressão. Segundo ele, esses eventos refletem uma ameaça à democracia e estariam relacionados ao atual cenário político no Brasil.

  • A hora do protesto

    A hora do protesto

    Número de atletas que utilizam sua voz para tecer críticas durante as entrevistas ainda é baixo, mas vem se mostrando eficaz.

    Yanara Aedo e outras atletas têm utilizado o espaço de entrevistas para realizar manifestações e reclamações (Foto: Javier Salvo/Photosport)

    Quando o árbitro apita o fim da partida e é chegada a hora das entrevistas com os atletas, é possível traçar padrões do que dirão: valorizar o bom jogo, melhorar o desempenho ou elogiar a equipe. Palavras simples, com conteúdo protocolar. Mas historicamente, houve jogadores que se utilizavam do espaço da entrevista para tecer críticas à organização do torneio que disputavam ou mesmo se posicionar contra o avanço da extrema-direita em seu país. 

    Um caso relevante ocorreu na última edição da Libertadores Sub-20, realizada no dia 7 de março de 2025, quando um jogador do Palmeiras sofreu ataques racistas durante a partida contra o Cerro Porteño. Na ocasião, Lughi, o jovem agredido, foi questionado em entrevista após o jogo sobre lances da partida, mas ignorou a pergunta do repórter e decidiu falar sobre seu caso de racismo.

    Ainda que não existam pesquisas que traduzem em números a quantidade de jogadores e jogadoras que fogem das entrevistas padronizadas, é perceptível o número baixo de atletas que decidem ir na contramão. No masculino, percebe-se ainda menos. 

    Por outro lado, é notável o esforço existente para banalizar expressões políticas e sociais dentro do campo. Em uma matéria publicada na revista GQ da Globo, em 2018, o jornalista Tiago Leifert escreveu: “será que o evento esportivo é um local apropriado para manifestações políticas? Eu acho que não. Olhando por todos os lados, não vejo motivos para politizar o esporte […] Tem muita coisa contaminada por aí. Precisamos imunizar o pouco espaço que ainda temos de diversão. Textão é no Facebook. Deixem o esporte em paz”.

    A opinião de Leifert não é impopular e parece ter tomado força a nível mundial. Durante a Copa do Mundo de 2022, a FIFA enviou cartas às 32 seleções  que participariam dos jogos solicitando que não deixem o futebol ser “arrastado para todas as batalhas ideológicas ou políticas que existem”. Em comunicado oficial, a entidade apenas informa que “permanece neutra em questões políticas”

    Além disso, outras competições estão tomando medidas similares, como foi o caso do Super Bowl de 2025. Desde 2021, era exibido nas zonas finais dos estádios durante o campeonato a frase “End Racism”, porém neste ano a National Football League (NFL) confirmou que a campanha contra o racismo não será mais exibida.

    Campanhas contra o racismo e temas políticos tem sido barrados por entidades esportivas (foto: Reprodução/NBC News)

    HISTÓRICO RECENTE

    Na Copa América Feminina de 2025, ainda em curso, muitos problemas e protestos marcaram esta edição. Muitas jogadoras que participam da competição relatam problemas na estrutura e divulgação do torneio. Yanara Aedo, atacante do Chile, manifestou seu descontentamento com a ausência do Video Assistant Referee (VAR) para a revisão de jogadas e solicitou que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) dê atenção ao feminino tal qual dão aos homens. 

    Antes dela, o técnico da seleção feminina do Brasil, Arthur Elias, já havia criticado a estrutura do torneio durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, as críticas foram ao impedimento de as jogadoras se aquecerem para o jogo dentro do campo. Segundo ele, “essa é uma condição que tem que ser determinante pela saúde das jogadoras e para o jogo, porque quando as duas seleções não aquecem no campo demoram mais para pegar. Ocorrem mais erros de passe no início do jogo, por exemplo. Eu penso que isso influencia muito”.

    Alguns atletas também têm utilizado outros meios fora das entrevistas para se manifestarem. Este foi o caso da atacante brasileira Kerolin que também se mostrou irritada com a organização do evento se comparada com aquelas feitas para o torneio europeu de seleções. Ela foi contra a proibição do aquecimento dentro do campo, pois eram obrigadas a fazê-lo dentro de uma sala pequena. Ambas as manifestações ocorreram através de seu perfil no X.

    Manifestações negativas da atacante brasileira Kerolin quanto à organização da Copa América Feminina de 2025. (Foto: Reprodução/X)

    O protesto deu resultado: a Conmebol voltou atrás na decisão e a brasileira usou as redes para parabenizar a Confederação. “Gostaria de agradecer a @CONMEBOL pela consciência de deixar aquecer por 15 min vai ser bastante importante, ainda não é o ideal e nem chega perto, mas é um bom passo, e que possamos sempre evoluir”, escreveu ela, marcando a Confederação.

    Um exemplo de jogador que percebeu o poder da sua voz é o inglês Marcus Rashford. De início, era como qualquer outro, mas viu ali e também fora dos gramados uma oportunidade de ajudar grupos minoritários e jovens negros como ele. Sua influência nos bairros periféricos da Inglaterra rendeu agradecimentos e até mesmo um mural em Withington, nos subúrbios de Manchester. Porém, seu rendimento na Eurocopa de 2020 (realizada em 2021 por causa da pandemia) causou uma revolta contra ele. Na ocasião, quando a Inglaterra disputou a final contra a Itália, Rashford perdeu um dos pênaltis na decisão. Diversos comentários ofensivos foram direcionados ao atacante. Até mesmo seu mural foi vandalizado pelos criminosos, mas foi restaurado 

    Novamente, utilizou as redes sociais e entrevistas para pedir que as pessoas não o critiquem por suas origens, mas sim pelo seu desempenho em campo.

    Mural em homenagem à Marcus Rashford foi vandalizado com insultos, mas foram encobertos por fãs com mensagens positivas e bandeiras da Inglaterra (Foto: Reprodução/BBC).

    O posicionamento político também não escapa das opiniões de jogadores. No dia 29 de julho, o Athletic Bilbao, clube espanhol, apresentou seu novo capitão: Iñaki Williams, nome consagrado no clube que nunca havia recebido a oportunidade de usar a braçadeira de capitão e se tornou o primeiro atleta negro a ganhar tal privilégio por toda a temporada. Mas ao invés de, na coletiva de imprensa, falar da “promoção”, o jogador optou por alertar sobre o avanço da extrema-direita e do racismo tanto na Espanha quanto em toda a Europa. “Parece que a extrema-direita está na moda. Então nós, que temos voz, vamos seguir trabalhando para calar bocas e derrubar barreiras”, declarou o atacante.

    Iñaki Williams durante uma partida amistosa contra o PSV, o primeiro jogo que realizou como capitão do Bilbao (Foto: Reprodução/GE)

    Tanto Iñaki quanto seu irmão, Nico Williams, nasceram em Bilbao, mas são filhos de ganeses que deixaram o país africano e cruzaram o deserto para chegar até a Espanha. Desde pequenos, presenciaram o racismo na pele. Hoje, Iñaki defende a seleção de Gana e seu irmão a Espanha, com ambos sendo titulares em suas respectivas equipes.

    “Significa muito. Parece casualidade que meus pais me tiveram em Bilbao, há 31 anos. O destino é o destino. Se não fosse por eles, não estaria aqui, nem Nico. Temos sorte por poder representar muita gente que vem de fora para ganhar aqui o pão de cada dia, e ser uma das referências no País Basco e na Espanha, é importante para nós”, complementou Iñaki em sua entrevista. 


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