Parlamentares capixabas comentam sobre o tarifaço de Trump e os impactos na cadeia produtiva.
O tarifaço anunciado por Donald Trump tem ganhado destaque internacional e repercutido com força no Espírito Santo, devido à importância do estado na produção e exportação de diversos produtos. Diante da nova tarifa, políticos, empresários e produtores têm se mobilizado para garantir uma gestão eficaz diante do impacto que a medida pode causar.
O governo do estado já iniciou movimentações para lidar com as novas diretrizes impostas pelo governo americano. O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, lidera um comitê exclusivo para debater, junto aos setores produtivos, os possíveis caminhos para enfrentar esse cenário.
A equipe de reportagem da Revista Primeira Mão procurou parlamentares capixabas para ouvir suas opiniões sobre o chamado “tarifaço de Trump”. Deputados estaduais e vereadores, além do presidente da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais,setor considerado um dos mais afetados pela nova medida, falaram sobre diferentes aspectos políticos que o tema desencadeia. As reações entre os parlamentares são diversas, o que evidencia um ambiente político instável e cheio de incertezas. Para alguns, a nova tarifa representa uma barreira comercial injusta, que pode prejudicar diretamente a economia do Espírito Santo.
A deputada estadual Iriny Lopes (PT) criticou duramente a medida: “Repudio veementemente. Esse tarifaço não é uma medida comercial, mas uma arma política usada para atacar a soberania do Brasil. É lamentável que essa pressão externa seja abertamente estimulada por atores políticos brasileiros, como Bolsonaro e seus filhos, em uma clara demonstração de interesses antinacionais. Essa ação prejudica diretamente as empresas e os trabalhadores, incluindo os do Espírito Santo, e não pode ser tolerada”, afirmou.
Já o vice-governador Ricardo Ferraço adotou um tom mais pragmático:“Precisamos continuar defendendo de forma intransigente e inegociável a nossa soberania, mas também precisamos de pragmatismo comercial para sentar à mesa e negociar, como China, Rússia e outros países estão fazendo. Devemos proteger nossa economia e os empregos dos trabalhadores brasileiros, sem nos prender à lacração política “, ponderou Ferraço.

O deputado estadual Capitão Assumção (PL), por sua vez, respondeu à reportagem dizendo que preferiu não se posicionar sobre o assunto.
O deputado Lucas Polese (PL) também se esquiva de tomar posição direta sobre as tarifas de Trump, mas critica o alinhamento do Brasil com potências comunistas: “Como brasileiro e representante do povo capixaba, vejo com preocupação essa taxação, que afeta diretamente o setor produtivo. No entanto, estamos falando de um país soberano, com autonomia plena para definir suas estratégias econômicas e fiscais”, afirmou.
A Deputada Estadual Camila Valadão (PSOL), afirma que “Essa política agrava desigualdades globais e atinge especialmente os setores produtivos e os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.”

“O mais revoltante é que essa medida foi articulada com o apoio da extrema-direita brasileira – em especial da família Bolsonaro -, que colocou seus interesses políticos e pessoais acima dos interesses do país. É inadmissível ver setores estratégicos ameaçados por uma perseguição com motivação ideológica. Estamos falando de milhares de empregos em risco aqui no Espírito Santo, um dos estados que mais exporta para os Estados Unidos.”
Problema pode virar oportunidade
Para outros representantes, a nova tarifa pode ser interpretada como um estímulo à diversificação comercial. O presidente da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Tales Rocha, vê o cenário com otimismo moderado:
“A partir do momento que deixarmos o debate político de lado e partirmos para uma discussão técnica e diplomática, o Brasil tem vantagem. Nosso setor, por exemplo, é essencial para os Estados Unidos, especialmente na exportação de quartzo. Temos uma relação comercial sólida e podemos avançar”, acredita.
Relembre o caso
Na quarta-feira, 9 de julho de 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 50 por cento sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. A decisão foi oficializada em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nas redes sociais. No texto, Trump critica duramente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chamando-o de “caça às bruxas” e classificando o processo como uma “vergonha internacional”. Ele afirmou que Bolsonaro foi “um líder amplamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos”.
“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro é uma desgraça. Esse julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que precisa acabar imediatamente”, declarou Trump.
O republicano ainda menciona supostas “ordens secretas e ilegais” contra plataformas de mídia nos Estados Unidos e acusa violações à liberdade de expressão. Segundo ele, esses eventos refletem uma ameaça à democracia e estariam relacionados ao atual cenário político no Brasil.
