Plantação de alface de Edeir Viana Rodrigues em Viana. Créditos: Gabriela Costa Carvalho

“SUPER EL NIÑO” ACENDE ALERTA PARA AGRICULTORES E CIDADÃOS

Fenômeno climático altera regime de chuvas e temperaturas, ameaça produção agrícola capixaba e exige preparação para os próximos meses

Por Giulia Porto, com edição de Ana Beatriz Schmitz

Com a chegada de um El Niño mais intenso, os agricultores, as autoridades e a população comum precisam estar atentos às mudanças provocadas pelo fenômeno no Espírito Santo. A preparação antecipada pode ajudar a diminuir os impactos sobre a produção agrícola, os preços dos alimentos e a rotina dos capixabas. 

Edeir Viana Rodrigues segurando alface de sua plantação em Viana. Foto: Gabriela Costa Carvalho

O fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial provoca alterações na circulação dos ventos e nos regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

“Super El Niño” é a versão mais forte do fenômeno climático
Wesley de Souza Campos Correa, climatologista, doutor e professor de Geografia da UFES, afirma que existem 4 classificações para o fenômeno: fraca, moderada, forte e muito forte. O último, apelidado como “Super El Niño”, está previsto para chegar e atingir a vida da população nos próximos meses. 

“Além de ter temperaturas mais elevadas, tem muitos eventos extremos, ventos e chuvas muito fortes em um período muito curto de tempo. Então, se há essa alteração em um ciclo, impacta em todos os outros: a agricultura, a economia, o transporte e o fornecimento de energia. Está tudo envolvido”, afirma o especialista.

Impactos na agricultura
As consequências climáticas atingem diretamente a produção de alimentos, e dificultam a vida de quem depende da agricultura para se manter.

Agricultora de café de Conceição de Castelo, Renata Rigo relata os impactos sentidos com as alterações climáticas: “No nosso caso aqui, as chuvas foram muito importantes para determinar a florada, porque a gente sabe que há muitos pontos relevantes no quesito produtividade”. 

Barraca de banana de Alisson Gouveia Ferreira na feira de Jardim da Penha, Vítoria. Foto: Gabriela Costa Carvalho

A chuva ou a falta dela é um fator determinante no final da colheita. Os períodos de seca podem comprometer a qualidade do solo enquanto tempestades fortes podem causar perdas nas plantações.

Ela explica que essas alterações climáticas afetam o desenvolvimento do fruto, comprometendo a colheita do café. Para se prevenir da estiagem eles utilizam da tecnologia da caixa d’água seca, sendo uma boa alternativa para os produtores rurais. 

Impactos na economia 
O problema ultrapassa os limites rurais. “Quando uma produção é afetada por condições climáticas adversas, a redução da oferta pode pressionar o preço dos produtos e alimentos e os consumidores podem sentir o efeito no orçamento do dia a dia”, declara o economista capixaba Plínio Natalino Sena.

Além disso, o especialista cita algumas medidas que podem amenizar possíveis impactos do El Niño. “O ideal é tentar se preservar. Se itens básicos estiverem a um preço bom, recomendo comprar uma quantidade a mais, como o óleo de soja, que tem uma quantidade boa e não estraga com facilidade”.

Posicionamento preventivo da Defesa Civil 
Além dos produtores e consumidores, o poder público também busca se antecipar aos possíveis impactos. 

O coronel Benício Ferrari Júnior, coordenador estadual de proteção e defesa civil do Espírito Santo, afirma que o órgão intensificou o monitoramento da estiagem, da disponibilidade hídrica e dos focos de incêndio no estado. 

Entre as ações estão o monitoramento por satélite, o acompanhamento dos níveis dos rios e pontos de captação de água, o reforço das equipes de combate a incêndios e a contratação de brigadistas para unidades de conservação. 

Expediente reportagem produzida neste semestre letivo dentro da disciplina Laboratório de Jornalismo – Turma 2. Estudantes: Ana Beatriz Schmitz (edição), Caroline Costa (pauteira)Giulia Porto (repórter), Gabriela Costa (fotógrafa) e Gabriel Torini (redes sociais). Professora e jornalista responsável: Maria Lúcia da Silva (MTB0563/ES).