Das 46 propostas somadas dos candidatos ao governo para área do esporte, apenas 8 são voltadas às áreas periféricas
Com as eleições marcadas para 4 de outubro, os candidatos a governador no Espírito Santo já registraram as suas propostas. Ao todo, eles apresentaram 46 para o esporte, incluindo a manutenção dos programas esportivos vigentes e a implementação de auxílio para atletas e paratletas. Só que apenas oito dessas 46 propostas são voltadas para as periferias e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Professor do departamento de Ginástica da Ufes, Otávio Guimarães ressalta que as pautas relacionadas ao esporte ainda são secundárias nas eleições, pois as principais pautas costumam ser educação, saúde e segurança. Falta uma maior compreensão sobre a importância que o esporte tem principalmente para a formação dos mais jovens, pontua.
Moradora de Alto Lage, em Cariacica, Mara Gomes da Vitória, de 51 anos, sabe como é custoso manter uma criança no esporte em um bairro periférico. Sua família gasta cerca de R$ 300,00 por mês para manter seu neto Bernardo, de 12 anos, no futebol.
“A gente precisa pagar mensalidade, uniforme, transporte, taxas de jogos e campeonatos… e, quando participa de competições fora da região, os gastos aumentam. Muitas crianças querem participar, mas seus pais não podem pagar”, afirma Mara.
Foco nas favelas
Representante no estado da Central Única das Favelas (Cufa), o Instituto das Favelas e Periferias (Infape) tem dez anos de atuação e já realizou eventos como o Expo Favela ES, a Taça das Favelas, Central de Valores e Fórum G20 das Favelas, atentendo mais de 200 mil famílias que passam por necessidades no Espírito Santo.
Presidente do Infape, Gabriel Nadipeh afirma que falta muito investimento público no esporte das favelas. O esporte que pode ficar restrito num território, pode se tornar muito maior na vida das pessoas. Os políticos precisam colocar a periferia como prioridade, inclusive porque fica aqui o motor da economia.
Gabriel também aponta que é preciso que o governo faça investimentos diretamente nas organizações sociais, pois isso facilita o acesso aos recursos públicos disponíveis. “A incerteza dessa disponibilidade de recursos leva à descontinuidade de muitos projetos.”
Projeto do estado impacta há 14 anos
Uma das principais iniciativas para esporte na periferia é do próprio Governo do Estado: o Campeões de Futuro, que há 14 anos leva, a muitas comunidades, práticas esportivas para crianças e adolescentes com idade entre seis e 17 anos. São 19 modalidades, do futebol às artes marciais, em 72 municípios. O governo faz parceria com as prefeituras, principalmente, para fornecer material esportivo e estagiários e professores de Educação Física.
“Queremos crescer muito… o sonho da gente é estar em bairros como Terra Vermelha, Flexal, onde a criança é disputada pelo tráfico”, afirma um dos gestores do Campeões de Futuro no Governo do Estado.
Além de chegar a mais comunidades, o projeto também planeja envolver mais a sociedade civil, por meio de associações e afins, na gestão das atividades.
Expediente: reportagem produzida neste semestre letivo dentro da disciplina Laboratório de Jornalismo – Turma 1. Estudantes: Arthur Clifford Capeli Kegele (editor), Felipi Pena Rodrigues (pauteiro), Miguel Gois Pereira de Brito (repórter), Pedro Mendes Wrigg (repórter), Sylvester Boateng (mídias sociais) e Teodoro de Araújo (fotógrafo). Professor e jornalista responsável: Ademar Possebom Pessini Junior (ES01474/JP).

