Close de uma cabine de DJ em uma festa. Em primeiro plano, uma mão ajusta os controles de uma mesa de mixagem iluminada, cercada por toca-discos com discos de vinil. Ao fundo, várias pessoas dançam usando roupas coloridas e brilhantes. A iluminação é baixa e quente, criando clima de balada. No centro da imagem aparece o texto ‘Disco Voador’

Disco Voador: música brasileira que decola no Centro de Vitória

Beatriz Paoliello e André Lucca

Alô, alô, marciano! Se liga que o projeto veio para resgatar clássicos da música
nacional e provar que sons, melodias e ritmos são a melhor forma de conectar gerações

Eu quis lutar
Contra o poder do amor
Caí nos pés do vencedor
Para ser o serviçal do samurai
Mas eu to tão feliz
Dizem que o amor atrai…


A música de Djavan ecoa, e seguindo o som que se move entre as ruas antigas do Centro de
Vitória, chega-se ao Beco das Pulgas. Ali, diante de um coro de vozes que dançam em
sintonia, percebe-se que o destino é o vibrante e colorido Disco Voador.
Por um tempo, o cenário do Centro de Vitória foi mais “preto e branco”, enfrentando um
período de abandono e baixo movimento, reflexo da negligência governamental em
investimentos de revitalização, segurança e cultura. Essa realidade começou a mudar no ano
passado, quando o coração da capital capixaba passou a atrair novas programações culturais,
devolvendo o movimento e as cores ao centro histórico


Uma dessas iniciativas é o evento chamado ‘Disco Voador’. Gratuito e mensal, o evento
aposta na apreciação da música brasileira exclusivamente através de discos de vinil. A
primeira decolagem aconteceu no dia 20 de setembro de 2025, ocupando o Beco das Pulgas,
região localizada no coração do Centro, cercado por história, cultura e antigas arquiteturas
que moldam a estética do rolê


Segundo o DJ e organizador do evento, Fabrício Bravim, o projeto nasceu da carência de
espaços dedicados à música nacional. Para ele, o cenário era dominado por ritmos
internacionais, deixando uma lacuna para propostas que valorizassem a pista brasileira de
forma democrática e acessível

Multidão reunida em uma festa de rua noturna, em frente a um prédio com grades e paredes cobertas de grafites. Diversas pessoas aparecem dançando, conversando e usando celulares, iluminadas por luzes rosadas e quentes. A cena transmite clima animado e cheio de movimento, com pessoas de diferentes estilos e aparências ocupando quase toda a imagem. No centro inferior aparece o texto ‘Disco Voador
Foto: Arquivo pessoal / Disco Voador

Essa valorização reflete diretamente na experiência de quem frequenta. A atriz Letícia de Sá,
de 22 anos, descreve o clima do evento: “É muita gente, muita música, muita vida. Para mim
o disco é isso: sentir meu corpo no auge da felicidade, ansiando o prazer que é me cansar de
tanto dançar e cantar, estar ao lado de quem amo estando viva na rua”, detalha a
frequentadora


O organizador também ressalta a capacidade da música brasileira de conectar gerações:
“Enquanto pessoas mais velhas reencontram músicas que fizeram parte de suas vidas, os
jovens chegam com curiosidade e acabam descobrindo artistas e estilos que continuam
extremamente atuais”


A escolha de músicas nacionais também desperta um tom afetivo no público: “Confesso que
tenho um carinho enorme quando toca Gretchen, porque sempre lembro das histórias da
minha mãe dançando quando era criança no interior de Minas. É normalmente a hora que
mais me entrego porque me conecto muito a ela e as memórias dela. Acho isso o mais lindo
do evento, o fato de conectar gerações através de artistas que são eternos pra música
brasileira”, afirma Letícia.

Grupo de pessoas dançando animadamente ao redor de uma cabine de DJ em uma festa noturna. Em primeiro plano, um toca-discos com vinil e uma mesa de mixagem iluminada aparecem no canto esquerdo. Ao centro, várias pessoas sorriem e dançam com os braços levantados, usando roupas coloridas, acessórios brilhantes e penteados volumosos. Ao fundo há grades metálicas e grafites na parede, iluminados por luz quente de balada. No centro inferior da imagem aparece o texto ‘Disco Voador
Letícia de Sá (de tranças) aproveitando a pista de dança no Beco das Pulgas.
Foto: Arquivo pessoal / Disco Voador

Para Bravim, o impacto vai além da música: “Acreditamos que iniciativas culturais têm um
papel fundamental na revitalização do Centro. Quando você leva arte e convivência para
esses espaços, cria circulação de pessoas, fortalece o comércio local e ajuda a construir uma
relação mais viva e afetiva com a cidade. Cultura também é ocupação urbana e
pertencimento.”
Atualmente, com o avanço do evento, o Disco Voador tem decolado por outras regiões da
Grande Vitória, como Vila Velha e Serra, além de testar novos ambientes no próprio Centro

O próximo pouso será no Mercado da Capixaba, que recebe a segunda edição do evento no
local no dia 30 de maio.