Receitas tradicionais, memória afetiva e espírito comunitário marcaram a oitava edição da festa organizada pelos próprios moradores no Centro Histórico de Vitória
Isabella Oliveira
A Rua Barão de Monjardim, no Centro Histórico de Vitória, foi tomada pelas cores, festejos e tradições do São João durante a realização do 8º Arraiá da Barão, no dia 6 de junho. Organizada pelos próprios moradores, a festa reuniu dezenas de famílias e visitantes em uma programação que combinou gastronomia típica, quadrilhas, brincadeiras tradicionais e apresentações culturais. Considerado um dos eventos que abrem a temporada de festas juninas na Grande Vitória, o arraiá transformou a rua em um grande espaço de convivência comunitária.
A programação começou às 17 horas, o público participou de atividades que resgatam o imaginário das festas de interior, como casamento na roça, escolha do casal caipira, apresentações de quadrilhas juninas e brincadeiras para todas as idades. Entre as atrações mais disputadas estiveram a tradicional pescaria com premiação e o touro mecânico, que garantiram momentos de diversão para crianças, jovens e adultos. O palco também recebeu shows ao vivo, incluindo a apresentação de Regis Ribeiro e Banda, além da participação da Escola de Samba Imperatriz do Forte, Junina É Babado e Arraiá Flor de Liz.
Sabores que deram início à festa
A história do Arraiá da Barão começou justamente a partir da vontade de reunir pessoas. A ideia surgiu em 2015, durante uma conversa descontraída entre amigos no Bar Gruta da Onça. No ano seguinte, a primeira edição saiu do papel em formato simples, mas já com a comida ocupando lugar de destaque.
“Na primeira edição tivemos as comidinhas do bar, eu coloquei meu churrasquinho para funcionar, fui o noivo do casamento na roça e montamos nossa quadrilha de forma bem simples. A gente brincou, se divertiu e nem havia interdição da rua”, relembra Augusto.
Desde então, o bar passou por três mudanças de gestão, mas a tradição permaneceu viva graças ao envolvimento dos moradores, que transformaram a festa em um compromisso anual com a cultura e a convivência comunitária.
Meses antes da festa, moradores se reúnem em mutirões para confeccionar bandeirinhas, produzir a decoração e organizar a estrutura do evento. Os encontros acontecem na Praça do Chafariz e costumam ser acompanhados de conversas, lanches compartilhados e troca de ideias, fortalecendo os laços entre vizinhos.
A mesma lógica coletiva aparece na arrecadação de recursos. Rifas com prêmios doados pelos próprios moradores ajudam a custear a estrutura necessária para a realização do arraiá.
“Eu amo ser voluntária da festa, porque é feita com amor verdadeiro e é disso que as pessoas precisam”, relata Andressa Souza, responsável pela Cadeia do Amor.
Comida que aproxima pessoas
Entre quadrilhas, apresentações musicais e brincadeiras, foram as barracas espalhadas pela rua que ajudaram a dar o tom da festa. Receitas tradicionais preparadas por moradores e colaboradores do evento criaram um percurso de sabores que convidava o público a permanecer por horas no local. O aroma dos caldos e doces espalhava-se pela via, convidando o público a experimentar sabores tradicionais da culinária junina.
Como principais destaques estavam o caldo verde, servido em porções generosas e ideal para as noites mais frescas de junho; a papa de milho, uma das receitas mais tradicionais da temporada; e o doce de goiabada, que agradou quem buscava uma sobremesa simples, mas carregada de memória afetiva. As opções gastronômicas ajudaram a criar o clima acolhedor que caracteriza o evento desde suas primeiras edições.
A preocupação com a variedade gastronômica acompanha o crescimento do evento. A organização busca reunir expositores que participam da festa há várias edições e preservam receitas tradicionais dos festejos juninos, ao mesmo tempo em que abre espaço para novos participantes a cada edição por meio das redes sociais.
“Buscamos ter a maior variedade possível de comidas típicas. Isso é uma das características do nosso arraiá”, destaca Augusto Júnior, um dos idealizadores da festa.
Mais do que alimentar os visitantes, a gastronomia funciona como um elemento de memória afetiva. São receitas que remetem às festas do interior, às celebrações familiares e aos encontros que marcam o período junino em diferentes regiões do país.

Uma tradição construída coletivamente
Ao longo do dia, a programação contou com encontro literário, apresentações de quadrilhas juninas, casamento na roça, shows musicais, pescaria e outras brincadeiras tradicionais. As atividades ajudaram a completar o clima típico de São João que tomou conta da rua. Mas, para os organizadores, o principal resultado da festa vai além da programação. O evento se consolidou como um espaço de encontro entre gerações e de fortalecimento dos vínculos comunitários em uma das áreas mais tradicionais de Vitória.
Em sua oitava edição, o Arraiá da Barão mostra que as receitas mais importantes da festa não estão apenas nas barracas. Elas também estão na capacidade de reunir pessoas em torno da mesa, preservar memórias e manter viva uma tradição construída coletivamente ano após ano.

Com o sucesso de mais uma edição, os preparativos para o próximo ano já começaram. Mantendo a tradição de acontecer sempre no primeiro sábado de junho, a 9ª edição do Arraiá da Barão está prevista para acontecer no dia 5 de junho de 2027. A expectativa é ampliar o espaço utilizado pela festa para receber com mais conforto o público que cresce a cada ano.

