Bicicletas facilitam deslocamentos, mas circulação irregular e velocidade preocupam pedestres e desafiam a fiscalização
Por Anna Alice Ruiz, Edição Kezia Neris Santana.
As bicicletas elétricas ganharam espaço nas ruas da Grande Vitória, mas o crescimento também trouxe conflitos de circulação e preocupações com segurança. Enquanto usuários destacam a mobilidade, pedestres e agentes de trânsito alertam para os riscos causados pela condução inadequada.

Conflitos ganham as ruas
As estudantes Yasmin Lourenço e Isabely Almeida, ambas de 19 anos, relatam ter presenciado uma colisão entre uma bicicleta elétrica e uma convencional no Centro de Vitória. O acidente teria acontecido próximo a um ponto de ônibus, onde não havia ciclovia, embora a calçada fosse ampla. Elas afirmam ter presenciado também um atropelamento próximo ao Shopping Vitória, envolvendo uma bicicleta elétrica em alta velocidade e um pedestre.
Para as jovens, parte do problema está na forma como alguns usuários conduzem e seu nível de preparo. “Uma pessoa não pode dirigir uma moto ou carro sem carteira de motorista. Como é que você vai dirigir um veículo que pode alcançar até 32km/h em uma calçada feita para pedestres?”
Mobilidade exige atenção
Para o ciclista Afonso Sousa, 27 anos, que utiliza uma bicicleta elétrica há menos de um ano, o veículo trouxe mais autonomia para a sua rotina.
“O principal benefício é em relação à mobilidade. A rotina passa a ser muito mais estruturada. Consigo dedicar mais tempo de forma assertiva às coisas que eu busco fazer no meu cotidiano.”
Ao mesmo tempo, Afonso reconhece os riscos da convivência nas ruas.
“Quase acidente a gente vê a todo momento. Vai da direção defensiva da pessoa que está pilotando a bicicleta e do pedestre que acaba tendo que compartilhar a mesma via.”
Para ele, orientações adequadas para a condução podem ajudar a reduzir os conflitos.
“As pessoas tendo noção de como conduzir nas ruas, onde o caos do trânsito acontece, se conscientizam, melhoram a convivência e passam a exercer o respeito mútuo entre pedestres.”
Guarda identifica irregularidades
A percepção de quem circula pela cidade também aparece no patrulhamento da Guarda Municipal de Vila Velha. Segundo o inspetor Nunes, agente da corporação, o aumento da circulação de veículos autopropelidos foi especialmente expressivo no último ano.
Com o crescimento, os agentes passaram a observar irregularidades na condução. “Muitos acabam conduzindo em cima de calçadas. Também tem a questão da contramão de direção.”
Segundo Nunes, os adolescentes estão entre os grupos que mais preocupam a Guarda, principalmente nos horários de pico, no início da manhã e no fim da tarde.
Para Nunes, o crescimento rápido trouxe situações que exigem adaptação da fiscalização.

Regras desafiam fiscalização
A Resolução nº 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece parâmetros para bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos, incluindo o limite de 32 km/h.
“A Guarda tem que se basear no que tange à fiscalização de trânsito. Com o aumento dos veículos elétricos surgiram algumas necessidades que a legislação não regulamentou e não esclareceu como seria a fiscalização.”
A falta de obrigatoriedade da carteira de habilitação e do uso de capacetes são exemplos dos parâmetros não estabelecidos que preocupam os guardas. Além disso, Nunes afirma que alguns usuários desbloqueiam os veículos para alcançar velocidades maiores, chegando a ultrapassar os 50 km/h, podendo ocasionar o aumento de sinistros. A dificuldade se apresenta no monitoramento desses casos, os classificando como ciclomotores que, diferentemente dos autopropelidos, possuem regras de condução mais bem estabelecidas.
Diante do crescimento, a Guarda Municipal de Vila Velha discute procedimentos com órgãos de trânsito no Comitê Integrado de Trânsito, no Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), para uniformizar a fiscalização. Dentre as ações voltadas à conscientização e a segurança viária, em 19 de setembro, a corporação também realizará um treinamento aberto à população sobre bicicletas elétricas, com orientações sobre legislação, circulação, segurança, condução e equilíbrio.
Expediente: reportagem produzida neste semestre letivo dentro da disciplina Laboratório de Jornalismo – Turma 2. Estudantes: Anna Alice Ruiz Lima Dionizio (repórter), Ester Loureiro dos Santos Cardoso (pauteira), Kezia Neris Santana (editora), Rayla Corrêa (mídias sociais), Sara Vieira da Silva (fotógrafa). Professor e jornalista responsável: Maria Lúcia da Silva (MTB 0563 ES).

