Ufes realiza mostra com documentários produzidos por estudantes de Jornalismo e Cinema e Audiovisual

Exibição acontece no Cine Metrópolis e reúne nove produções desenvolvidas no ambiente acadêmico 

O Cine Metrópolis, cinema universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), receberá uma mostra especial no dia 09/07, às 19h, com nove documentários produzidos por estudantes dos cursos de Jornalismo e de Cinema e Audiovisual, idealizados na disciplina “Realização em Documentário”, em articulação com a disciplina de Jornalismo Transmídia. 

A iniciativa busca aproximar a comunidade das produções realizadas na universidade e destacar o potencial do audiovisual como ferramenta de expressão, reflexão e registro da realidade. Idealizada pela professora Gabriela Santos Alves, a mostra reúne trabalhos desenvolvidos no contexto acadêmico e abre espaço para que o público conheça narrativas construídas por estudantes a partir de diferentes temas, olhares e experiências. Os documentários também serão veiculados aqui, no UniversoUfes, pois fazem parte do exercício do Jornalismo Transmídia.

Gabriela Santos Alves, professora da disciplina “Realização em Documentário”

Além de valorizar a produção estudantil, a mostra também reforça o papel da universidade como espaço de criação cultural, formação crítica e experimentação artística. As obras abordam diferentes aspectos da sociedade, da cultura e da memória, evidenciando a diversidade de temas explorados pelos alunos ao longo da formação.

Segundo a professora Gabriela, os temas escolhidos pelos estudantes revelam também as inquietações e os interesses de quem está na reta final da graduação.

“Foi um aprendizado muito positivo para as duas turmas. Os filmes trazem um panorama muito sensível do que passa pela mente e pelo coração desses estudantes. Eles falam sobre memória familiar, futebol, bandas do cenário capixaba, feiras livres, o Centro de Vitória, o manguezal e também sobre a rotina de uma mãe solo. São olhares muito diferentes sobre o cotidiano e sobre a realidade que eles vivenciam.”

Produções também estarão disponíveis online

Após as exibições presenciais, os documentários realizados pelos alunos de Jornalismo poderão ser assistidos no canal Universo Ufes, no YouTube, ampliando o alcance das produções para além do espaço universitário e permitindo que mais pessoas tenham acesso aos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes.

Confira a lista de documentários exibidos:

  • Fumei e Depois Fui Chorar 

Dirigido pela estudante de Cinema e Audiovisual Camila Leite, o documentário acompanha a trajetória das bandas capixabas Bitucas e Júlia e as Choronas, registrando um momento de ascensão dos artistas. Natural de Tocantins, Camila conta que só descobriu a força da cena do rock capixaba após se mudar para Vitória. A partir desse contato, surgiu a ideia de produzir um filme que também funcionasse como registro desse momento vivido pelas bandas.

Camila Leite, diretora do “Fumei e Depois Fui Chorar”

“Quando eu vim para cá, eu nem sabia que o Espírito Santo tinha esse peso no rock. Eu conhecia algumas bandas, mas não sabia que eram daqui. Quando descobri o Bitucas e Júlia e as Choronas, pensei: as pessoas deveriam falar mais sobre eles.”

A diretora explica que a proposta foi unir a necessidade de produzir um documentário para a disciplina ao desejo de valorizar artistas independentes do Estado.

“Eu estava em um show quando tive a ideia. Pensei: vou fazer um filme sobre essas duas bandas, aproveito para desenvolver meu trabalho e também deixo para eles um retrato desse momento. Elas estão vivendo o começo da carreira, estão crescendo muito, e achei bonito registrar isso para que, no futuro, possam olhar para trás e lembrar dessa fase”. Camila Leite.

  • Meu Rockzinho Antigo

Em Meu Rockzinho Antigo, a estudante de Cinema e Audiovisual Tereza Mansur parte da história da banda Lordose para Leão para construir uma narrativa sobre memória, família e pertencimento. Em vez de produzir um documentário tradicional sobre música, a diretora decidiu contar essa trajetória a partir de lembranças pessoais.

Ao longo da produção, as entrevistas com familiares transformaram o processo em uma experiência emocional para a equipe. “Foi um processo muito emocionante porque entrevistei meus pais, meu irmão e também falo muito da minha avó no documentário. Era tudo muito íntimo. Acho que isso acaba chegando também para quem assistir”, afirma.

“Eu não queria fazer um documentário só sobre a banda. O que eu tinha para entregar era uma visão pessoal. Queria falar da banda, mas também da minha família e da forma como essas memórias atravessam a nossa vida.” Tereza Mansur.

  • Mãos que Fazem

Em Mãos que Fazem, o estudante de Cinema e Audiovisual Nathan DiCanto volta o olhar para a tradicional feira de Jardim da Penha para destacar o trabalho de quem mantém esse espaço em funcionamento diariamente. Mais do que registrar a comercialização de alimentos, o documentário busca revelar o percurso dos produtos e das pessoas envolvidas até que eles cheguem à mesa dos consumidores.

Para o diretor, acompanhar a rotina dos feirantes também foi uma forma de valorizar um trabalho que faz parte do cotidiano da cidade, mas que costuma passar despercebido por quem frequenta a feira. “A gente quis mostrar justamente esse processo, como as pessoas interagem, trabalham e fazem a feira acontecer todos os dias. Existe toda uma dinâmica por trás daquele espaço que nem sempre é percebida por quem está ali apenas como consumidor.” Nathan DiCanto

“A ideia de Mãos que Fazem é explorar como a vida na feira acontece. Muitas vezes a gente chega lá, compra um produto e vai embora, mas não imagina por quantas mãos ele passou até chegar à nossa casa.” Nathan DiCanto.

  • Terra Afogada
Sofia Menezes, diretora do “Terra Afogada”

Segundo Sofia, conhecer o manguezal mudou também sua própria percepção sobre um espaço que considera essencial para compreender a história da capital. “O filme dá luz para um espaço muito capixaba, que conta muito da nossa história. Eu amei conhecer esse ambiente. Acho que é um lugar com o qual a gente precisa estar mais em contato, porque ele faz parte da nossa identidade.”

“Inicialmente, o filme era sobre as comunidades ribeirinhas, mas essa ideia foi mudando aos poucos. O Wallace acabou se tornando nosso personagem principal e percebemos que o filme poderia mostrar o contraste entre a tranquilidade do mangue e o caos da cidade.” Sofia Menezes.

  • Arredores

Para o estudante de Jornalismo Luca Freitas, o futebol foi o ponto de partida para falar sobre relações humanas. Em Arredores, o esporte aparece como espaço de convivência entre pais, filhos e amigos, ultrapassando o resultado das partidas.

Mais do que registrar partidas ou torcidas, o diretor afirma que o documentário busca mostrar o esporte como agente de aproximação entre pessoas. “O futebol explica sentimentos que muitas vezes as pessoas não conseguem colocar para fora em outros lugares. Tem gente que não consegue chorar ou demonstrar emoção em várias situações, mas no estádio consegue. Ele libera essas emoções e cria vínculos muito fortes. A gente teve muitos imprevistos, mas o cerne permaneceu. O documentário mostra que o futebol vai muito além das quatro linhas. Ele conecta pessoas, histórias e gerações”, afirmou.

“Num país tão apaixonado por futebol como o Brasil, ele desempenha um papel muito importante nas relações. Às vezes é a única coisa que um pai e um filho têm em comum. Ou a única conversa que dois amigos conseguem manter durante anos.” Luca Freitas

  • Enquanto o sol não nasce

Dirigido pela estudante de Jornalismo Rachel Machado, o documentário acompanha a vida noturna do Centro Histórico de Vitória sob a perspectiva de quem frequenta a região. A proposta é fazer com que o espectador percorra esse trajeto junto com os personagens, desde o encontro antes da festa até o fim da noite.

Rachel Machado, diretora do “Enquanto o Sol não nasce”

“A ideia era que quem assistisse se sentisse com a gente durante todo o percurso. Desde o esquenta, passando pelos deslocamentos, até o after. É um território que faz parte da nossa vida e que a gente conhece muito bem.” Ao longo do filme, a diretora também procura questionar discursos que apresentam o Centro Histórico como um espaço vazio ou degradado.

“A gente combate essa ideia de que o Centro precisa ser revitalizado. Ele já é um território vivo, frequentado por muita gente. O que falta é olhar para esse espaço com mais carinho e reconhecer a cultura que já existe ali.” Rachel Machado.

  • Presença

Em Presença, a estudante de Jornalismo Camila Calmon parte da discussão sobre a dupla jornada feminina para refletir sobre como o trabalho atravessa diferentes dimensões da vida das mulheres. Durante as entrevistas, no entanto, a história tomou novos rumos.

Para a diretora, ouvir atentamente a trajetória da personagem foi uma das principais experiências proporcionadas pelo projeto. “Trabalhar com comunicação também é isso: ouvir uma outra pessoa e tentar contar a história dela da forma como ela te atravessou. Foi um processo muito bonito.”

A escolha de não mostrar o rosto da personagem também faz parte da narrativa construída pela equipe. “A gente quis coletivizar essa experiência. Existe uma personagem específica, mas a ideia não era individualizar essa história. Queríamos que outras mulheres também pudessem se reconhecer nas imagens e nos relatos”, completa Camila.

“Eu cheguei pensando que faria um documentário sobre exaustão e dupla jornada. Mas, quando ouvi aquela mulher, percebi que ela trazia muitas outras questões. O documentário foi mudando junto com a história dela. Acho que essa é a beleza do documentário: ele é muito vivo.” Camila Calmon.

Serviço

  • Mostra de produções da disciplina “Realização em Documentário”
  • Onde: Cine Metrópolis –  Avenida Fernando Ferrari, 514, UFES;
  • Quando: Quinta-feira, 09/07
  • Horário: 19h