O Real acumula eliminações nos últimos estaduais, campanhas irregulares em competições nacionais e fraco desempenho, mesmo mantendo intacta a comissão técnica liderada por Duzinho Reis.
Pedro Henrique Oliveira
O Real Noroeste entrou em 2026 cercado por expectativa de retomada das glórias. Depois do tricampeonato estadual consecutivo entre 2021 e 2023, o clube de Águia Branca-ES parecia consolidado como uma das maiores forças do futebol capixaba. Mas o cenário mudou drasticamente. A derrota para o Rio Branco, no último sábado de abril, dia (26), pela Série D do Campeonato Brasileiro, aprofundou um momento que já começa a preocupar interna e externamente, já que o time merengue corre risco real de terminar a competição nacional com a pior campanha de um clube capixaba na história recente do Brasileirão Série D.
O revés amplia uma sequência negativa que se arrasta desde o fim do ciclo vencedor. O Real acumula eliminações precoces nos últimos estaduais, campanhas irregulares em competições nacionais e desempenho abaixo do esperado, mesmo mantendo praticamente intacta a comissão técnica liderada por Duzinho Reis, sua principal estrutura.
Duzinho é hoje o técnico mais longevo do futebol brasileiro no comando de um mesmo clube. Desde 2019, no noroeste do estado, ele construiu o período mais vitorioso da história do clube, conquistando três Campeonatos Capixabas consecutivos, além de uma Copa Espírito Santo. Mas o que antes era sinônimo de estabilidade agora começa a gerar questionamentos por parte dos torcedores e simpatizantes.
Derrota para o Rio Branco amplia pressão
No Kleber Andrade, o Real Noroeste voltou a apresentar os mesmos problemas que têm marcado a temporada: dificuldade ofensiva, pouca intensidade de jogo e fragilidade emocional nos momentos decisivos.
Contra o Rio Branco, a equipe até tentou competir em parte do jogo, mas voltou a sofrer com erros defensivos e pouca criação. A derrota deixa o clube em situação delicada na Série D e aumenta o temor de uma campanha histórica negativa.
Nas primeiras rodadas da competição nacional, o Real já acumulava derrotas consecutivas, figurando na lanterna do grupo e com aproveitamento baixíssimo. Em uma das partidas mais emblemáticas da crise, perdeu em casa para o Porto-BA mesmo tendo criado oportunidades, desperdiçando pênalti e terminado a partida com dois jogadores expulsos.
O desempenho ofensivo despencou em comparação aos anos de auge. O time que antes tinha intensidade, competitividade e imposição física hoje demonstra dificuldade para controlar jogos até contra adversários tecnicamente inferiores.

O trabalho de Duzinho está esvaziado?
A principal discussão no entorno do clube deixou de ser apenas técnica e passou a ser estrutural. A permanência de Duzinho sempre foi tratada como símbolo de continuidade e confiança. Em um futebol marcado por trocas constantes de treinadores, o Real seguiu na contramão. A diretoria bancou o treinador mesmo após eliminações recentes, defendendo a ideia de projeto de longo prazo.
O modelo de jogo que fez o Real dominar o futebol capixaba, perdeu eficiência. O clube já não consegue repetir o mesmo nível competitivo das temporadas do tricampeonato, enquanto rivais como Porto Vitória, Rio Branco SAF e Vitória cresceram estruturalmente.
Além disso, o elenco merengue passou por mudanças importantes nos últimos anos. Muitos jogadores identificados com o auge do projeto saíram, como o goleiro Neguete, o volante Victor Salvador e o atacante Juninho Potiguar. No entanto, as reposições não mantiveram o mesmo padrão técnico. Após o Capixabão de 2024, por exemplo, nove atletas deixaram o clube, obrigando o Real a reformular praticamente metade do elenco antes da Série D.
“Existe uma exaustão que acontece porque precisamos fazer mudanças frequentes no plantel. O elenco muda, e temos que reconstruir o entrosamento, o que gera dificuldades. Quando a equipe estiver entrosada, aí sim poderemos buscar novos objetivos”, explicou Duzinho.
Internamente, existe a percepção de que o clube perdeu força financeira na disputa de mercado. O Real ainda mantém organização administrativa acima da média estadual, mas hoje encontra concorrência maior dentro do próprio Espírito Santo.
“Infelizmente, eu gostaria que fosse diferente, que fosse algo comum no futebol, mas existe uma cultura em que qualquer resultado ruim resulta na troca do treinador. Da mesma forma, cabe ao presidente apostar em um trabalho a longo prazo com seu técnico”, afirmou.

