Festival de Fatias: as histórias por trás dos doces
As trajetórias de duas confeiteiras revelam como os festivais têm impulsionado o crescimento de pequenos negócios
Isabella Oliveira
Festival de Fatias tem se consolidado como uma tendência entre confeiteiras em todo o Brasil. Reunindo dezenas de sabores de bolos e tortas vendidos em fatias generosas, os eventos têm atraído consumidores interessados em experimentar diferentes sabores e se tornaram uma estratégia para ampliar o alcance de pequenos negócios. Entre as empreendedoras que fazem parte desse movimento estão Mariza Elizeta, da Doces da Tatá, que realiza suas vendas na Praça de Colina de Laranjeiras, na Serra, e Aline Almeida, da Doces da Aline, conhecida pelas edições promovidas na Praça de Itararé, em Vitória.
O crescimento desse tipo de iniciativa acompanha o avanço do empreendedorismo feminino no segmento de alimentação. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que as mulheres estão à frente de mais de 52,07% dos negócios do setor de alimentação fora do lar, cenário que também se reflete no estado do Espírito Santo com 52,02%.
Além de impulsionar as vendas, os festivais se tornaram importantes espaços de divulgação para marcas locais. Ao aproximar produtoras e consumidores, os eventos fortalecem redes de clientes, ampliam oportunidades de negócio e contribuem para a valorização do trabalho desenvolvido por empreendedoras da confeitaria.
Quando a paixão vira profissão
Mariza Elizeta, proprietária da Doces da Tata, tem uma relação antiga com a confeitaria. Apaixonada pelos doces desde a infância, ela conta que o interesse pela área surgiu muito antes da profissionalização. Nas reuniões e festas da família, era ela quem costumava assumir a preparação das sobremesas.
Foto: Redes sociais
“Eu fazia sobremesas e sempre gostei muito dessa área. Trabalhei em outros ramos, mas o que eu gostava mesmo era de fazer doces.” Mariza Elizeta.
Com o desejo de transformar paixão em profissão, Marísia passou a investir em qualificação. Ao longo dos anos, participou de cursos em outros estados do Brasil e até no exterior, aprimorando técnicas e ampliando seus conhecimentos em confeitaria. Em Goiás, conheceu a venda de bolos em fatias acompanhados de caldas, formato que já fazia sucesso na região. A proposta chamou sua atenção e, há cerca de um ano, decidiu trazer a ideia para o Espírito Santo. “Era uma novidade para muitas pessoas aqui. Depois surgiu o Festival de Fatias e a clientela foi aumentando”, explica. A receptividade do público fez com que a produção crescesse gradativamente, acompanhando a demanda cada vez maior pelos doces.
O sucesso dos festivais surpreendeu a confeiteira. Segundo Mariza, a procura pelos produtos aumentou significativamente após a adesão ao formato, o que possibilitou alcançar novos clientes e fortalecer a marca. Entre os sabores mais procurados estão Três Amores, Ninho com Nutella, Ninho com Morango e o Pudim com Doce de Leite.
Além da trajetória empreendedora, o negócio também carrega um significado especial. O nome Doces da Tatá nasceu como uma homenagem à neta da confeiteira, que serviu de inspiração para a criação da marca e segue sendo uma das maiores motivações para o crescimento do empreendimento.
Embora comemore os resultados alcançados até aqui, Mariza ainda planeja novos passos para o futuro: “Eu sempre sonhei em fazer isso que eu tô fazendo. E quando trabalhamos no que gostamos, as coisas dão certo. Então, quero continuar crescendo cada vez mais e ter meu próprio ponto físico”, afirma Mariza.
Da enfermagem aos doces
Aline, proprietária da Doces da Aline, encontrou na confeitaria uma forma de reinventar sua trajetória profissional. Sua paixão pelos doces surgiu durante o período em que morou na França, onde teve contato mais próximo com a confeitaria e decidiu trazer essa influência para o Brasil. “Quando voltei, trouxe essa raiz junto comigo e comecei a misturar um pouco da nossa cultura com o que aprendi lá”, ela conta.
A mudança de carreira também foi motivada por questões familiares. Aline é formada em Enfermagem, mas após um acidente sofrido pelo marido, precisou encontrar uma atividade que permitisse conciliar a geração de renda com os cuidados da casa.
Quando os festivais de fatias começaram a ganhar popularidade nas redes sociais, a confeiteira enxergou uma oportunidade de divulgar seu trabalho e alcançar novos clientes. A estratégia deu resultado. Segundo Aline, as fatias costumam se esgotar entre uma hora e meia e duas horas após o início das vendas. Entre os sabores mais procurados estão Ninho com Nutella, Ninho com Morango e Kinder Bueno.
“Também estou trazendo sabores diferentes, como pistache e frutas vermelhas, para que a minha população tenha acesso de provar coisas diferentes.” Aline Almeida.
Foto: Isabella Oliveira
Para a confeiteira, o festival representou um divisor de águas para o negócio: “Muitas vitórias vieram depois do festival. Fez muita diferença para mim”. Além do aumento da renda, a iniciativa ampliou sua visibilidade e abriu novas oportunidades. A rotina de produção exige dedicação intensa, Aline conta que realiza praticamente todo o processo sozinha, contando com ajuda apenas nos dias que antecedem os eventos.
Mais do que uma fonte de renda, a confeitaria se tornou uma forma de realização pessoal: “Não é só pelo dinheiro. Quem trabalha com confeitaria faz por amor. Adoçar a vida das pessoas é um sentimento muito gostoso”, relata.
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Doces da TatáDoces da Aline
Embora tenham chegado à confeitaria por caminhos diferentes, Marísia e Aline compartilham algo em comum: encontraram nos doces uma oportunidade de empreender e construir novas perspectivas para o futuro. Histórias como as delas ajudam a explicar por que os festivais de fatias se tornaram mais do que uma tendência gastronômica.
Serviço:
Doces da Tatá Local: Praça de Colina de Laranjeiras, Av. Mestre Álvaro, 379-409 – Colina de Laranjeiras, Serra – ES Preço das fatias: R$ 25,00 Instagram: @docesdatat.a
Doces da Aline Endereço: Praça de Itararé, R. das Palmeiras – Itararé, Vitória – ES Preço: R$ 20,00 Rede Social: @docesdaline_