A maior festa do município do sul do Espírito Santo chega à sua 63ª edição, com o tema “Fazei isto em Memória de Mim” – História da Salvação.
Gustavo Aloquio e Lucas Fioroti
A festa de Corpus Christi de Castelo está entre as 10 maiores manifestações religiosas do país, atraindo um público próximo a 80 mil pessoas na cidade, sem contar moradores locais, na quinta-feira, dia da celebração, nos últimos anos. A festa chega a sua 63ª edição no ano de 2026, e começou de uma maneira simples, no início da década de 60, com a religiosa Zuleide Pereira da Silva, a Irmã Vicência, das Filhas da Caridade.
Irmã Vicência foi a responsável por iniciar a tradição no ano de 1963, quando, inspirada por uma visita ao interior do Rio de Janeiro no ano anterior, montou um quadro de flores, folhas e pigmentos diversos de terra, em frente à Capela de Nossa Senhora das Graças, ao lado da Santa Casa de Castelo. Assim, sem saber, ela iniciou a maior celebração do município de Castelo, que, a cada ano, atrai milhares de fiéis vindos de diversas partes do país para prestigiar os tapetes. Hoje, eles confeccionados com diferentes materiais, como pedras trituradas (calcário, calcita e granito), serragem, palha de café e raspas de madeira.
“Antes de a Irmã Vicência começar a tradição, os fiéis católicos da cidade celebravam a data de outra forma. No dia de Corpus Christi, cobriam as ruas do Centro da cidade com folhas de mangueira, e a procissão passava por cima delas. A preocupação estética com os tapetes só veio depois do primeiro tapete confeccionado, inspirado pela visita ao Rio de Janeiro feita por Vicência”, relata a pesquisadora Joelma Cellin, escritora do livro “Corpus Christi em Castelo-ES: manifestação da fé e da expressão artística”, em entrevista ao site da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.

Atualmente, os tapetes são produzidos em um percurso de 1,5 km ao redor do centro de Castelo, partindo da Igreja Matriz e seguindo pela Rua Carlos Lomba, descendo pela Rua Frei Manoel, depois, percorrendo toda a extensão da Avenida Ministro Araripe, terminando na Rua Antônio Machado, retornando à Igreja Matriz.
Cerca de 3.000 voluntários participam da produção, trabalho que se inicia com a arrecadação dos materiais utilizados nos tapetes, passando pela preparação da matéria prima– como o tingimento das pedras trituradas em diferentes cores –, até chegar à véspera do dia da festa, quando os tapetes começam a ser produzidos. Os voluntários passam a madrugada na produção, ocupando as ruas da cidade, para que todos os tapetes estejam finalizados até a manhã do dia seguinte, colorindo as ruas da cidade, e marcando o início da missa e da procissão sobre os quadros confeccionados.

Durante a quinta-feira da festa, os tapetes ficam em exposição ao longo do dia, aguardando o ponto alto da comemoração religiosa, a missa campal, que ocorre do lado de fora da Igreja Matriz de Castelo e reúne multidões todos os anos. Após a celebração eucarística, a hóstia consagrada sai em procissão pelos tapetes, junto com a multidão de fiéis, até retornar à Matriz e finalizar a festa com música e show de fogos de artifício.





Fotos: Gustavo Aloquio/Universo Ufes

