Covid-19: brasileiros passaram a ser mais consumistas durante a pandemia

Share Button

Por Breno Alexandre e Mikaella Mozer

O isolamento social levou a uma mudança na forma de comportamento, mas principalmente no modo de consumo. Uma análise da empresa de consultoria e pesquisa ConQuist identificou que 71% da população brasileira passou a preferir comprar por e-commerce ao invés de ir às lojas. O resultado ainda ressaltou o uso do WhatsApp para finalizar as compras pelos consumidores. 

Esse não era o cenário antes da disseminação do vírus da Covid-19 pelo mundo. As compras feitas por sites já aconteciam, porém as compras on-line se popularizaram com as medidas de restrição. O caso da estudante de contabilidade Julia Arariba é um exemplo disso.  A futura contadora, que tinha sido contratada pouco tempo antes do decreto de lockdown, viu os próprios gastos com lojas virtuais crescerem

“Era a primeira vez que tinha um salário integral e quando não estava trabalhando eu ficava cansada de apenas ver filmes e séries. Passei então a vagar por sites, de vários tipos de coisas”, declarou. Para a estudante, esse modelo de compras permaneceu mesmo com as liberações das medidas restritivas. “Noto que sou bem mais consumista. Comprei muita coisa boba, e quando vou ver nem sei onde foi parar o dinheiro.”

Um dos produtos citados pela estudante como campeão de compras foram e-books, os livros virtuais. Em conversa com o Universo Ufes, ela disse ter passado a seguir páginas que publicavam promoções. E Julia não foi a única. O relatório NeoTrust, que utiliza dados reais das compras realizadas, apontou que esse foi o setor que mais cresceu nesse período. O aumento das vendas foi de 97,2% só entre 2020 e 2021.

Apesar da ampla difusão do modo de compras, ainda existiam pessoas que evitavam comprar pela internet. Essa é a realidade do autônomo Manoel Ferreira, de 54 anos: “Eu buscava no máximo olhar o preço de peças de automóveis, por serem mais baratas em sites. Não confiava”, contou.

O relatório WebShoppers, uma iniciativa da plataforma de opiniões Ebit que tem por objetivo divulgar informações essenciais sobre o e-commerce no Brasil, constatou que além do Manoel, outros 13 milhões de brasileiros fizeram a primeira compra pela internet em 2020.

Os efeitos da necessidade por consumo

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que, durante a pandemia, 45,5% dos entrevistados afirmaram ter piora no sono, enquanto 39,6% declararam agravamento de sentimentos de solidão. Pesquisadores acreditam que esses números estão associados diretamente com o aumento dos vícios durante a pandemia, em principal o consumismo.

“Hoje o cidadão não é cidadão completo se não pode consumir”. A afirmação é do dirigente do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), o promotor de justiça Hermes Zaneti. Em evento promovido pelo MPES em parceria com o Procon-ES, Hermes alertou sobre os perigos do endividamento no momento pandêmico.

A facilidade de acessar os meios de compra propiciou não só o bem estar e conforto daqueles que estiveram em casa, a possibilidade de acumular contas maiores do que o orçamento é um risco dentro desse quadro. E os números não mentem, as estatísticas da mostram que quase 70% da população brasileira está endividada.

Deixe um comentário