Retorno das aulas presenciais na Ufes gera debate na comunidade acadêmica

Retorno das aulas presenciais na Ufes gera debate na comunidade acadêmica
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Enquanto a universidade caminha para a normalização das atividades, alguns alunos acreditam que o momento não é o ideal

Breno Alexandre e Mikaella Mozer

Apesar de ser um momento esperado pela comunidade acadêmica, a migração para a fase quatro do plano de contingência gera debate entre servidores e alunos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). As questões levantadas são acerca da insuficiência de recursos para proporcionar medidas de prevenção da infecção por Covid-19, como a disponibilidade de álcool em gel e espaços ventilados.

Para Davi Barbosa, estudante de Ciências Biológicas, o modelo remoto é a melhor opção para o presente momento: “Mesmo que a maioria da população esteja vacinada, ainda é um passo muito grande voltar com as atividades presenciais, ainda mais com a alta transmissibilidade da variante Ômicron e a taxa de mortes em níveis preocupantes”, argumenta.  

A preocupação do estudante é baseada na explosão da quarta onda de Sars-Cov-2 que atingiu o Estado no começo de fevereiro. O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, pontuou em coletiva de imprensa que essa situação levou o Espírito Santo a bater todos os recordes de contaminações desde o início da pandemia, tendo ainda alcançado a marca de um milhão de casos na segunda semana de fevereiro. 

Outro ponto levantado pelo aluno é a insegurança devido à falta de infraestrutura adequada na universidade. Davi percebe a carência de recursos necessários para promover a segurança daqueles que frequentam salas de aula e laboratórios: “Muitas vezes não temos nem sabonete líquido no banheiro, muito menos álcool em gel para a higienização das mãos.  Tem salas de aula que as janelas não abrem, como vamos nos expor ao vírus dessa maneira?”, questiona.

Para quem é favorável à retomada, a visão do cenário atual tem uma percepção diferente. estudante de Jornalismo da Ufes Laura Gomes defende que o retorno é imprescindível, pois o ensino remoto é prejudicial ao aprendizado e foi proposto como medida temporária até a imunização de alunos e professores. Agora, com a vacinação em estágio avançado, Laura não vê razões para manter um ensino excludente e de baixa eficácia.

Essa opinião também é defendida pelo infectologista e professor do Departamento de Medicina da Ufes, Crispim Cerutti. O especialista aponta a educação presencial como primordial para o ensino. “Ela é estratégica na vida das pessoas. Para os adultos a competência de atuar no mercado de trabalho e mudar a vida, é uma dignidade maior em termos de exercício de profissões. Então impedir ou manter essa situação adversa é promover a desigualdade”, frisou o infectologista.

Ele ainda reforçou que no ensino remoto muitos não têm acesso à rede de internet e equipamentos de qualidade, e isso torna o dano no aprendizado muito grande. Para o pesquisador, o melhor caminho é o retorno com dinâmicas que possibilitem a inclusão e participação de todos.

Do coletivo ao individual

Se durante um ano e meio o mundo tomou a decisão coletiva de isolamento social como forma de combater a doença, agora é a vez dos atos individuais serem a frente de combate. Crispim não considera a ideia da ausência de recursos um argumento para manter o Earte. 

O médico aponta que as decisões pessoais de uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento social são agora a principal parte da segurança contra a transmissão do vírus. “Se esses três pilares forem mantidos, em conjunto com a rede de informação e observação que mantenha as pessoas praticando as medidas estabelecidas no protocolo, devemos retornar a uma rotina segura de processo de ensino e aprendizagem da universidade”, completa.

A falta de providências tomadas pela Ufes também foi negada por ele: “Temos condições de atuar com agenda mínima de proteção. Existem ambientes com a circulação artificial de ar, instalação de álcool em gel na entrada e saída dos espaços”, finalizou.

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