“É um trabalho que exige prática, que exige discussão, que exige o corpo estar presente”

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Coordenador do Departamento de História da UnB Daniel Gomes critica a normalização dos cursos considerados teóricos no modelo remoto

Doutor em História Social Daniel Gomes de Carvalho (Crédito: Arquivo Pessoal)

Em entrevista ao Universo UFES, o doutor em História Social e docente na Universidade de Brasília Daniel Gomes de Carvalho falou sobre as perspectivas de um retorno presencial. A Instituição permanece em ensino híbrido para alguns cursos, tendo ficado à critério de cada departamento o retorno de determinadas disciplinas no modelo presencial. 

Na História, o primeiro semestre de 2022, iniciado em janeiro, está sendo feito completamente on-line. O professor explica que houve uma tentativa de retorno no departamento, que foi impossibilitada devido à demanda de salas que seriam necessárias para um retorno seguro. Embora argumente que do ponto de vista da saúde tenhamos todas as justificativas para manter o remoto, ele destaca: “Não temos justificativas políticas sociais, porque toda a sociedade já está em atividades presenciais”. 

Ele conta que em seu departamento a vontade dos professores era voltar e crê que também era o desejo da maioria dos alunos. “Agora, curiosamente, na pós-graduação, me parece que tinha uma quantidade maior de alunos que não queriam voltar. Isso se deve ao fato de que muitos deles trabalham, são de outras cidades e entram no curso já nesse esquema de ensino remoto”. 

Um dos pontos de maior destaque na fala de Carvalho é a reflexão a respeito do curso de História ser considerado mais teórico. Para o doutor esse discurso que é visto na política é equivocado. 

“A História se faz a partir da documentação e o nosso trabalho, seja com paleografia, com a leitura e a análise de fontes, com textos mais recentes é, em grande medida, um ofício. É um trabalho que exige prática, que exige discussão, que exige o corpo estar presente”, defende.

POSSÍVEIS IMPACTOS

O docente se preocupa com a concepção de História e da universidade por parte de alunos que passaram o final do ensino médio e início da faculdade no modelo remoto. “Da minha própria experiência como estudante lembro bem que meu aprendizado na universidade foi, em vários aspectos, não apenas na sala de aula”, afirma. Explica que a vivência também perpassa a extensão, núcleo de línguas, centros acadêmicos, movimento estudantil e a própria circulação nos ambientes universitários. 

“Meu medo é que essa trajetória na pandemia endosse uma percepção bancária do conhecimento, da atividade de dar aula, de ensinar. Pensando que na história a maior parte dos estudantes serão professores, a preocupação é dobrada“  – Daniel Gomes de Carvalho (Doutor em História). 

Confira a entrevista na íntegra:

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