As dificuldades do novo normal: como o ensino remoto afeta a vida das pessoas que frequentam a universidade

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O avanço da vacinação traz de volta, mesmo que aos poucos, a normalidade das atividades cotidianas. As escolas municipais e estaduais, por exemplo, já iniciaram o ano letivo de 2022 com aulas presenciais. Este, no entanto, não é o caso da Ufes, a única que ainda mantém o ensino remoto. 

Por Brunella Rios e Lara Favaris

“Não dá para ficarmos toda vida no remoto. A universidade não tem essa característica de ensino”, opina Carlos Eduardo Ribeiro, assistente em administração da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

A fase 4, recém recomendada pelo Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus da Ufes (COE-Ufes), inaugura um novo ciclo, em que os alunos poderão retornar às aulas presenciais. Entretanto, o período de ensino a distância acabou impedindo a vivência no ambiente universitário, tão necessária para a formação profissional e o bem estar social de todos. Mesmo que o EARTE tenha tido resultados satisfatórios, muito se perde com a ausência das experiências diárias em um ambiente tão plural e importante.  

A estudante de Publicidade e Propaganda Laura Fernandes iniciou seus estudos na Ufes já no ensino remoto, durante o segundo semestre de 2020. Mas, apesar da empolgação com essa nova fase da vida, ela começou a sentir as dificuldades do Earte logo cedo:

“No início eu estava animada por começar a faculdade, mesmo no remoto. Mas a partir do segundo período notei uma queda na minha concentração e na minha dedicação. Ficava cansada de prestar atenção nas aulas e sentia dores de cabeça frequentes por ficar o dia todo usando o computador para estudar.”

Muito mais do que os efeitos das telas, Laura também sentiu a ausência da convivência com colegas e professores em sala de aula:

“Também sinto falta de ter amigos, principalmente por ser de outro estado e não ter pessoas presentes comigo no começo. Felizmente agora já tenho colegas e até já encontrei alguns presencialmente, mas ainda sim faz muita falta ter todos convivendo juntos.”

Todos esses fatores acabaram prejudicando a experiência acadêmica da estudante, que deseja voltar ao ensino presencial o quanto antes:

“Tem sido uma experiência abaixo do esperado, pois quando entramos na faculdade esperamos calouradas e conhecer pessoas novas, por exemplo. No online acabo perdendo a vontade de tentar conversar e participar das aulas, o que é perceptível que também prejudica os professores, dá pra ver que estão cansados. Por isso sou muito a favor do ensino presencial.”

A pandemia não afetou somente a vida dos estudantes e professores da Ufes. Os servidores também precisaram encarar a nova realidade e se adaptar rapidamente aos moldes do trabalho remoto para manter a universidade funcionando. Muitos levaram o trabalho para casa, como é o caso do assistente em administração Carlos Eduardo Ribeiro. 

“Tivemos que nos adequar para o trabalho remoto, e para isso foi necessário utilizar equipamentos do próprio trabalho como notebooks, pois eu mesmo não tenho em casa. O uso do Whatsapp foi de extrema importância, além do celular mesmo”. 

Enquanto secretário de curso, Carlos presencia de perto a insatisfação dos alunos com o ensino a distância e diz ter visto muitos trancando os cursos ou desistindo por falta de estímulo nas aulas remotas. Além disso, existe ainda a dificuldade de realizarem a matrícula em matérias obrigatórias de seus cursos, o que já é um grande sinal da necessidade do retorno às atividades presenciais.

“Eu sendo secretário de curso, estou constantemente recebendo emails dos alunos, e a maioria é com reclamação de que ficará atrasado, que a qualidade da aula não é a mesma no ensino remoto/híbrido […] Há um desejo da comunidade acadêmica em retornar. Isso é fato”.

Para ele, uma alternativa para a situação seria fazer um revezamento, mantendo 50% da carga horária presencial, assim, professores e alunos podem alternar entre si e manter a segurança. Mas, embora se sinta seguro e cumpra os protocolos devidamente, Carlos sempre observa os alunos deixando de fazê-los. 

Além disso, o sistema de limpeza da universidade não consegue acompanhar as necessidades do protocolo, a exemplo de seu setor que, mesmo com dispensers de álcool espalhados pelos corredores, a maioria se encontra vazio e ele precisa levar de casa para sua utilização.

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