Moradias irregulares despertam a atenção na cooperativa capixaba

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O projeto Saúde habitacional é uma  ações do Instituto Unimed Vitória no Território do Bem 

por: Thauane Lima 

Supervisão por: Victor Israel Gentilli

O projeto visa reformar moradias em situação de vulnerabilidade social. Crédito: Instituto Unimed Vitória | Ascom

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”, esse é o trecho da música de Vinicius de Moraes, que retrata a situação de pessoas com moradias precárias que se agravou na pandemia. Não há um planejamento arquitetônico para as construções dessas casas. Devido à falta de assistência e de opção dos moradores, muitos encontram lugares inapropriados para fazer as suas moradias, como em ribanceiras, que resultam em catástrofes ambientais e sociais. 

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua), realizada  em 2019, o estudo Síntese de Indicadores Sociais mostrou que pretos e pardos moram com maior frequência  em domicílios com algum tipo de inadequação. O estudo esclarece  que 45,2 milhões de pessoas residiam em 14,2 milhões de domicílios com pelo menos uma de cinco inadequações – ausência de banheiro de uso exclusivo, paredes externas com materiais não duráveis, adensamento excessivo de moradores, ônus excessivo com aluguel e ausência de documento de propriedade.

Entenda no infográfico a situação de moradia irregular no Brasil:

O professor associado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil do Espírito Santo (IAB-ES),Tarcísio Bahia de Andrade, comenta que a situação de moradia no Brasil é crítica, porque as pessoas saem da zona rural em busca de melhores condições de vida  e acabam morando em lugares inapropriados para viver. “No Brasil, o problema de habitação é grave. A pobreza aumentou. A maioria da população mora em locais inapropriados como nos morros, e nos morros há um problema que dificulta o acesso de água e esgoto. E a maioria das pessoas moram em situação insalubres onde não há ventilação dentro de casa e muitas vezes, essa casa está sem estrutura que não suporta grandes chuvas devido os locais inapropriados que as pessoas moram como nas encostas de morros onde há risco de deslizamento”, alertou. 

Com base na Lei Federal nº 11.888/2008, o objetivo geral é investigar a relação da Lei da Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) e moradia digna, por meio da destinação de 2% da receita anual dos Conselhos de Arquitetura e Urbanismo (Cau) no Brasil.

Andrade lembra ainda que existe um projeto de Lei Federal Nº 11.888/2008, que poderá melhorar a condições de moradia dos brasileiros. “O Athis é uma lei federal que vai ajudar as pessoas com moradias em situação de risco. O projeto é como se fosse o “sus da moradia” para melhorar a habitação das pessoas. O projeto é composto por arquitetos e engenheiros em que eles fazem uma avaliação dos problemas da moradia para melhorar a estrutura arquitetônica da casa. O programa possibilita a criação de uma atividade econômica com a reforma das casas com compras de material de construção, que resulta em um fortalecimento da economia local. Sem falar que melhorando as condições de saúde dos moradores, as pessoas viverão bem, e não precisarão demandar tanto dos serviços públicos de saúde e poderão ser produtivos no trabalho porque têm uma qualidade de vida melhor”, frisou. 

Ouça no podcast “Universo Ufes” com o professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo,coordenador do Escritório de Modelo de Arquitetura e Urbanismo e pesquisador  e extensionista na área de Arquitetura e Interesse Social,  Lutero Proscholdt Almeida,  e entenda como funciona a Lei da Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis). 

Projeto Saúde Habitacional

A Associação Ateliê de Ideias, foi criada para promover o desenvolvimento socioeconômico local, atua por três eixos: inclusão habitacional, fortalecimento comunitário e fortalecimento das economias locais por meio de finanças solidárias. A Associação Onze  8 é um grupo de arquitetos e engenheiros que se propõem a agir na melhoria habitacional de casas de famílias vulneráveis e defende e promove o direito  à habitação digna na melhoria das casas. 

O projeto  Saúde Habitacional da Unimed Vitória, tem como o objetivo a realização de projetos e de reformas residenciais para famílias com renda mensal de até três salários mínimos, densas e com problemas de ventilação, umidade e acesso à água potável nas comunidades do Território do Bem em Vitória (ES), que compõem as comunidades de São Benedito, Jaburu (Gurigica), Itararé, Bairro da Penha, Bonfim, Engenharia, Consolação, Floresta, Andorinhas e Santa Marta.  

O projeto Saúde Habitacional foi iniciado em 2020 e, já beneficiou diretamente 43 pessoas, sendo 31 moradores de quatro residências contempladas e 12 trabalhadores  locais que atuaram nas reformas de quatro casas do bairro  Gurigica, São Benedito e Morro do Jaburu, em Vitória.

Segundo o diretor executivo do Instituto Unimed Vitória, Cosme Péres, detalha que o projeto saúde habitacional se dedica a dar condições de moradia digna para essas pessoas com infraestrutura e saneamento básico. “O projeto está muito vinculado ao DNA do Instituto Unimed Vitória, que é cuidar da saúde das pessoas. Quando se pensa em saúde, é preciso pensar em saúde de forma integral, a começar pela situação do lar das pessoas, que muitas vezes não conta com a mínima infraestrutura de saneamento básico”, destacou. 

A moradora do bairro Jaburu Maria Lúcia Gonçalves Moreira, é uma das contempladas pelo projeto da reforma de casas em situação de risco. “Eu estou de parabéns, minha casa está linda. Era muito problema de umidade, não entrava vento, faltava estrutura para as crianças. Agora, foi feito até um jardim e está tão bonitinho. Estamos muito felizes”, conta ela, que divide a casa com mais três filhos e o marido.

Com o apoio do Instituto Unimed e da associação Onze 8; composta por arquitetos que proporcionam o direito à habitação digna, e do Ateliê de Ideias, uma organização social, produtora de soluções e tecnologias sociais para o desenvolvimento local no Território do Bem e em outras regiões periféricas da Grande Vitória.

O arquiteto da Onze 8 Renan Grisoni, destacou que as duas casas estavam em péssimas condições estruturais, pois as casas não tinham saneamento básico, ventilação e acesso à água potável.  “Com a ajuda da ONG Ateliê de Ideias, que atua na região há 18 anos, fizemos a seleção dessas casas que precisavam de mais melhorias que proporcionam saúde a seus moradores. Eram casas sem saneamento, ventilação, acesso a água.”

Veja a casa da Maria Lúcia Gonçalves Moreira em Jaburu antes do projeto Saúde Habitacional 

A casa da Maria Lúcia é avaliada pelos arquitetos e engenheiros. Crédito: Instituto Unimed Vitória | Ascom

Veja como ficou:

Veja a casa depois da reforma. Crédito: Instituto Unimed Vitória | Ascom

O antes da casa da Maria Sônia da Silva Nascimento em São Benedito

A casa Maria Sônia estava com pouca ventilação, umidade e mofo. Crédito: Instituto Unimed Vitória | Ascom

A casa da Maria Sônia depois da reforma ficou revitalizada. Crédito: Instituto Unimed Vitória | Ascom

Confira o vídeo da entregas das casas reformadas em parceria com a Onze 8 e Ateliê de Ideias financiado pelo Instituto Unimed:

A moradia digna é também uma questão de saúde pública, pois haverá um mapeamento das redes de água, esgoto e eletricidade para essas pessoas. O esgoto inadequado nas ruas, gera doenças como verminoses (em crianças e adultos) e aumenta a incidência de mosquitos da dengue. O projeto Saúde habitacional da Unimed em parceria com a Onze 8 e Ateliê de Ideias vem resolver essa precariedade de moradia vivida pelos moradores do Território do Bem. 

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