#VianaVacinada e a imunização nas mídias sociais

Viana Vacinada
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Publicações de voluntários e organizadores são doses de esperança e uma resposta ao negacionismo.

Por Andressa Antunes, Beatriz Heleodoro, Camila Borges e Teresa Breda 

Há dois anos, ninguém imaginaria que uma foto tomando vacina causaria comoção e engajamento no Instagram. Enquanto o primeiro ano de pandemia foi cercado por dúvidas e fake news acerca das vacinas contra a Covid-19, 2021 se tornou o ano em que a imunização representa orgulho, esperança e posicionamento

Os números surpreendem: de acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada no mês de julho, subiu de 91% para 94% o percentual de brasileiros que já se vacinaram ou pretendem receber algum imunizante contra o vírus. 

“A vacina é o único remédio para a covid-19”, afirma com convicção o estudante Filipe Helmer. Voluntário na campanha Viana Vacinada, iniciada no dia 13 de junho, ele postou uma foto no dia em que se vacinou para tentar convencer mais pessoas a tomarem a vacina. 

A cidade é a primeira do Espírito Santo a ter 100% da população adulta vacinada, exceto aqueles que recusaram a imunização. A cobertura vacinal completa é resultado do “Projeto Viana”, um estudo científico que avaliará a capacidade de meia dose da vacina Astrazeneca Oxford/Fiocruz em reduzir o número de infectados pelo novo coronavírus no município.

O estudo

Nas redes sociais, a esperança, o orgulho e o agradecimento à ciência pautam publicações de voluntários e organizadores. A conclusão é baseada na coleta de posts do Instagram que contém a hashtag #VianaVacinada na legenda da imagem ou vídeo publicados. A análise por meio da ferramenta Crowdtangle selecionou postagens publicadas nos últimos doze meses. 

Foram coletadas 75 publicações, que juntas somam um total de 39.780 interações. O maior número de postagens ocorreu entre os dias 13 e 19 de junho deste ano, período em que ocorreu o chamado Dia D — início da aplicação da primeira dose após o lançamento do estudo. 

“Já sabemos da eficácia da vacina, mas a partir de agora, com o início deste estudo científico, Viana e o ES serão um símbolo para o combate ao coronavírus e para esperança de dias melhores, dias de cura”, afirmou um internauta.

 A maior parte dos posts foram publicados pelos perfis institucionais da prefeitura de Viana (@prefeituraviana), do Governo do Espírito Santo (@governo_es) e do governador do Estado, Renato Casagrande (@casagrande_es). Os posts expõem a atualização dos números de vacinados e prestação de contas a respeito dos resultados da pesquisa.

Publicações de voluntários externalizam o sentimento de pertencimento a uma iniciativa pioneira que pode mudar o rumo da imunização contra a Covid-19. Há também apelos para que outros façam parte do projeto. Fonte: Universo Ufes

A publicação com mais interações é do governador do Estado, publicada no Dia D. Nele, Casagrande afirma ser um momento histórico para o Espírito Santo: “Viana se tornou a cidade da esperança. Estamos vacinando 100% da população do município com duas doses fracionadas da vacina da @oficialfiocruz e vamos acompanhar os resultados com ajuda da @hucamufes e da Organização Pan-Americana de Saúde.” 

Legendas de publicações na plataforma demonstram gratidão aos envolvidos na campanha.Fonte: Universo Ufes

Vacina: curte ou não curte?

Fora das redes sociais, discursos de teor negacionista se contrapõem a positividade de fotos e cartazes com #VivaOSus. Jaldei Teodoro, morador do município há 26 anos, optou por não se vacinar. 

“Eu não me vacinei, primeiramente, porque não é vacina e sim um placebo experimental. Para ser considerada vacina, tem que ter no mínimo 10 anos e essa saiu em meses. Mesmo que digam que foi testada e é eficaz, meia dose pra mim é igual a 0, já que com duas ainda tem gente morrendo. O que me fez tomar essa decisão foi que a AstraZeneca foi proibida em nove países por causar trombose e eu tenho caso de duas cirurgias provocadas por trombo no intestino.” 

“Infelizmente sempre haverá alguém do contra. Pessoas que não acreditam na ciência, pessoas que não buscam informação e se deixam levar por negacionistas da vacinação” é o que diz Geovana Gonçalves, agente comunitária de Saúde e voluntária na campanha. Mesmo assim, a agente afirma que seu trabalho tem sido intenso e bem recebido por grande parte da população. “A população recebeu com muito entusiasmo e gratidão por nosso município ser o primeiro a ter a oportunidade de participar de um acontecimento histórico tão importante.” 

Quanto à comoção que repercutiu com a imunização, Gonçalves destacou a semelhança do sentimento dos vacinados com o da campanha de vacinação contra a febre amarela, em 2017. “As pessoas sempre ficam muito apavoradas quando se trata de doenças contagiosas, o que as deixa eufóricas para serem imunizadas de imediato”. 

No offline 

Para além de likes e comentários, a imunização contra a covid-19 também é uma mobilização por cuidado com a própria saúde e zelo pela vida do próximo. Mesmo com as medidas de segurança, como distanciamento social, uso de máscaras e higienização — que continuam sendo necessários após a imunização — a vacinação é a melhor forma de controlar a propagação do vírus. 

Para ser utilizada, as vacinas devem ser aprovadas por um órgão regulamentador – no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira e segunda AstraZeneca com 76% e 81%, respectivamente. Mesmo com a eficácia comprovada, qualquer insegurança por risco de agravar alguma comorbidade deve ser elucidada por um profissional da saúde. 

Os resultados preliminares do “Projeto Viana” apresentados em divulgação pública são promissores. O estudo constatou que, dentre os voluntários monitorados, 88,3% dos que nunca tiveram contato prévio com o novo coronavírus desenvolveram anticorpos neutralizantes com apenas metade da dose padrão da vacina AstraZeneca/Fiocruz.

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