Insatisfação de jovens 25+ nas redes sociais mostra desconhecimento sobre esquema vacinal em Vila Velha

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Com atrasos no calendário, diversos jovens pedem nas redes sociais para que a faixa etária da vacinação caia mais rapidamente

Por Gabriela Brito, João Vitor Castro, Marcus Vinícius Reis e Newton Assis

Dúvidas, reclamações e até xingamentos destinados aos poderes executivos são alguns exemplos de comentários que podem ser encontrados nas mídias sociais de Vila Velha, quando a cidade anuncia as novas faixas etárias a serem vacinadas contra a Covid-19. Até a última semana, ao pesquisar os posts hospedados na rede social Instagram, a principal requisição do público de 25 anos ou mais era uma posição do governo municipal sobre quando o grupo seria contemplado pelo esquema vacinal.

O analista Rafael Moraes, de 28 anos, morador de Santa Mônica, teve a rotina de trabalho alterada desde o início da pandemia, passando a exercer a função no formato home office. Ele relata que a situação financeira de sua família mudou por conta do isolamento social. 

Na minha família, minha mãe pediu para sair do emprego, e apenas eu e meu pai trabalhamos. Meu irmão não trabalha. De todos, apenas meu pai saiu para trabalhar, e não parou durante todo esse tempo”, explica o analista.

Ansioso, Rafael declarou que já publicou sua insatisfação com a demora da vacinação. “No Twitter, já reclamei sobre isso. Não só a demora para a minha vez como de todos de modo geral. Todo esse atraso que tivemos para a compra de vacinas e o início da vacinação”, exclamou. 

Já para a advogada Júlia Bastos, de 26 anos, moradora da Praia da Costa e recentemente vacinada com a primeira dose, a demora para receber o insumo não foi um problema. Sem se estressar, Júlia aguardou sua vez  na ordem de vacinação e não se manifestou publicamente. “Eu fiquei com vontade de vacinar, lógico, mas não fiquei muito ansiosa nem indignada”, expressou.

Esquema vacinal desconhecido

No entanto, não foi esse o caso de toda a população canela-verde. Na página do Instagram da prefeitura, o principal tópico discutido pelos moradores nos diversos comentários era o atraso das vacinas.

Foto: Reprodução/Instagram PMVV

O município começou a disponibilizar vagas para vacinação desta faixa etária na última segunda-feira, 9 de agosto. Em um primeiro momento, foram ofertadas 12 mil vagas de forma escalonada e decrescente. As vacinas começaram a ser aplicadas já na terça-feira, 10, com direito a samba e pagode no Ginásio Tartarugão.

O que se nota, nesse contexto, é o desconhecimento de parte da população sobre como funciona o Plano Nacional de Imunização (PNI) no município. O analista Rafael declarou não saber como funciona o método do governo municipal para que a faixa etária caia, mas fez um bom palpite: “Nunca parei para estudar a respeito, mas acredito que trabalham em metas. Por exemplo, x por cento deve ser vacinado para abrir outra faixa etária”.

Bem como elaborou Rafael, a medida só foi possível após a cidade atingir a marca de 90% de vacinados no grupo de 30 a 34 anos. Essa taxa é a mínima exigida pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) para que o agendamento do grupo subsequente seja aberto, sem restringir o agendamento de idades mais avançadas.

Júlia também desconhece a metodologia aplicada pelo governo para o avanço da faixa etária: “Confesso pra você que eu não faço a mínima ideia”.

Por meio de nota, a Prefeitura de Vila Velha enfatiza que, ao contrário do que muitos acreditam, a responsabilidade dos municípios é apenas a realização do agendamento e a definição dos novos grupos que serão atendidos. Segundo a PMVV, a quantidade de doses disponibilizadas para as novas faixas etárias não depende apenas da cidade, já que o repasse é feito pela Sesa.

Andamento da imunização

Para a satisfação dos jovens 25+, a prefeitura anunciou, na última sexta-feira (6), 12 mil vagas para agendamento. Aliviados, diversos usuários canela-verdes saudaram a chegada da nova leva de insumos em uma publicação no Instagram.

Foto: Reprodução/Instagram PMVV

Agora, com mais jovens dessa faixa etária sendo imunizados contra a Covid-19, tanto Rafael, quanto Júlia enfatizam que as precauções se mantêm as mesmas. “Os cuidados continuam. E vou continuar trabalhando de casa e evitando ao máximo sair” conclui o analista.

Olha, vou continuar usando máscara e evitando aglomerar, até porque eu não tomei a segunda dose ainda e mesmo quem tá vacinado ainda pode transmitir, então eu acho que agora não vai mudar tanto, né?”, relembra a advogada.

A cidade possuía como meta, estipulada pelo Ministério da Saúde, a imunização de 384.058 pessoas acima de 18 anos. Até o momento dessa edição, 70% do público-alvo havia sido alcançado.

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