Eventos para vacinados: um passo ao novo normal ou uma oportunidade para as variantes?

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Governo estuda possibilidade de retomada do setor cultural através de eventos para vacinados contra a Covid-19, especialistas alertam que ainda não é o momento.

Por: Beatriz Bessa, Hérick Salomão e João Paulo Rocha

Na Espanha, evento para 5 mil pessoas aconteceu em formato de teste.

No Espírito Santo, a Orquestra Camerata Sesi realizou nos dias 02 e 03 de julho duas apresentações direcionadas para pessoas que já estão imunizadas. O concerto “Noite de Tchaikovsky” foi o primeiro realizado no estado com este formato e serviu como um teste para a prefeitura de Vitória verificar a possibilidade de retomada das atividades culturais em meio a pandemia.

Além da obrigatoriedade da vacina, o concerto seguiu todos os protocolos de segurança, tais como uso de máscaras e distanciamento da plateia. Foto: Reprodução/ Camerata Sesi

 O diretor do Sesi Cultura, Marcos Lages, afirma que todos os músicos estão vacinados ao menos com a primeira dose do imunizante e que todos os protocolos foram seguidos. Ele diz ainda que este é um momento de retomada, que já vem acontecendo até mesmo em estados com vacinação menos acelerada que o Espírito Santo.

O Doutor em Imunologia e professor da Faculdade de Medicina da UFES, Daniel Gomes, disse ser contrário a realização de eventos durante a pandemia, mesmo para quem já se vacinou, ele explica que as vacinas não bloqueiam a infecção pelo vírus e que indivíduos vacinados podem transmitir o coronavírus para pessoas que não tenham tomado o imunizante. Ele ainda alerta para a existência das variantes que possuem maior capacidade de causar doenças.

“Os eventos não são seguros para quem participa, pelo fato de poderem se infectar, de termos variantes que causam doenças mais graves e pelo fato de poderem carrear o vírus. Existe sim risco de contágio, a vacina não bloqueia uma infecção, as vacinas que temos hoje estão muito mais ligadas a uma proteção contra uma piora clínica. Não é o momento, de modo algum, de organizar estes eventos”, ressalta Gomes.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do Espírito Santo informou que os protocolos para a realização de eventos culturais no estado são definidos por diferentes setores do Governo, não tendo como obrigatoriedade entre as normas, a comprovação de vacina.

“Em geral, as medidas dizem respeito ao distanciamento social e regras de higiene que evitem a proliferação da covid-19”, informou a assessoria de imprensa da SECULT.

A secretaria ainda acrescentou que está com chamada pública aberta para impulsionar a realização de eventos que atendam às normas de segurança contra a Covid-19. O objetivo segundo o órgão é a democratização do acesso aos recursos públicos e valorização da cultura produzida no Espírito Santo.

A administração do Teatro Universitário da UFES respondeu a esta reportagem dizendo que não está nos planos a realização de programações culturais limitadas a quem já se vacinou. A Diretoria informou que está usando o período atual para investir na infraestrutura do espaço. Acrescentou ainda que segue as diretrizes do conselho universitário e que só retornará quando as atividades presenciais forem retomadas.

A polêmica envolvendo a obrigatoriedade da vacina e a retomada das rotinas são temas constante na vida da população brasileira, infectologistas que estudam as variantes apontam que o momento é de cuidado e precaução, a abertura desses eventos pode em certo aspecto reduzir o combate ao vírus e aumentar os picos de infecção, sobretudo pelas variantes.

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