Capixabas organizam mutirões para enfrentar instabilidade no agendamento virtual das vacinas

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Redes sociais das prefeituras da Grande Vitória viraram canais de reclamação da população

Por Anderson Barollo, Luisa Cruz e Mylena Ferro

A instabilidade dos sites das prefeituras da Grande Vitória tem deixado a população capixaba insatisfeita na hora de tentar um agendamento para a vacina contra a Covid-19. No último dia 11, três das sete prefeituras da região anunciaram novas vagas nas redes sociais. Em todas, houve reclamações da queda de sites, demora no carregamento das informações e mensagens de erro.

Somente entre os meses de julho e agosto foram registradas mais de 45,5 mil interações nas páginas oficiais das prefeituras no Facebook sobre o tema. Alguns posts tiveram 40% de comentários com queixas dos internautas – é o que aponta o levantamento realizado pelo Universo Ufes.

Em resposta às reclamações, as prefeituras utilizam notas oficiais e interação com os internautas para alegar que as instabilidades ocorrem devido ao grande número de acessos simultâneos no site, que gera sobrecarga nas páginas.

O Sistema Único de Saúde (SUS) permite que o brasileiro seja vacinado em outros municípios e estados. Pelas redes sociais, alguns moradores alegam que a prática prejudica o agendamento de quem mora no local. “Sabe o que está acontecendo? É esse monte de pessoas de outros lugares agendando aqui… E o povo da Serra NADA”, reclamou uma internauta em uma publicação da página da Prefeitura da Serra no Facebook.

Para fazer o controle dos vacinados, o Ministério da Saúde recomenda que o cidadão apresente somente o Cartão Nacional de Saúde e um documento de identificação (RG ou CPF). 

Corrente do bem

Na tentativa de ajudar aqueles que não conseguem agendar a vacina, muitas pessoas têm se organizado para realizar mutirões entre família e amigos. A professora Kelly Nascimento, uma das voluntárias na Grande Vitória, também enfrentou dificuldades ao utilizar as plataformas disponibilizadas pela prefeitura. “Todo mundo que eu conversava falava que estava com dificuldade para poder marcar. Mesmo na época em que era vacinação por comorbidade e tinham menos pessoas, já existiam essas instabilidades. Comecei a organizar uns mutirões para ajudar todo mundo que eu conhecia”, comenta a professora.

Além das falhas no sites, Nascimento pontuou que o horário de trabalho também foi um empecilho na hora de marcar a vacina. Para resolver essa situação, a docente envolveu familiares e conhecidos nos mutirões. “Comecei a pedir ajuda para todo mundo que eu tinha alguma intimidade. Eu pedia para ajudar as pessoas, mesmo que elas não se conhecessem. Várias vezes uma amiga do serviço conseguiu agendar a vacina para alguém da minha família”, conta. 

Os mutirões organizados conseguiram vacinar quase toda a família da professora com, ao menos, a primeira dose do imunizante. Porém, a voluntária ainda relata ter que lidar com os problemas das plataformas. “Tive muita dificuldade para agendar uma vaga para o meu cunhado agora que está na faixa +25 anos. Já fiz dois mutirões e ainda não consegui”. 

*Atualização: Na última semana, após três mutirões organizados, um amigo da professora conseguiu agendar a vacina para o cunhado.
Na última semana, a professora Kelly Nascimento recebeu a segunda dose do imunizante contra a covid-19. A docente aproveitou para ressaltar a importância dos mutirões e da vacinação: “Uma pessoa vai ajudando a outra. Quanto mais pessoas a gente vacinar, melhor! É uma corrente do bem”. Foto: Acervo pessoal.

Como melhorar?

Segundo o professor Rodolfo Villaça, especialista em Sistemas de Redes, as possibilidades de melhora nas plataformas de vacinação são amplas e vão desde melhorar a largura de banda do servidor de internet, até adotar um sistema de divisão de demandas.

Esta última alternativa começou a ser adotada recentemente por Vila Velha e consiste em determinar um horário específico para cada faixa-etária da vacinação. “Por exemplo, no lugar de abrir a vacinação de uma vez só para quem tem 30+, a prefeitura poderia abrir às 14h para quem tem 30, às 15h para quem tem 31, 16h para quem tem 32 e assim por diante! Assim, melhora o atendimento sem investir em servidor ou rede!”, explicou Villaça.

O professor afirmou ainda acreditar que o aumento do serviço de memória, contratando serviços de armazenamento em nuvem, poderia ser a alternativa mais rápida e viável para o problema.

O que dizem as prefeituras?

Vitória

A prefeitura da capital declarou que a equipe do Universo Ufes só poderia ter  acesso às informações solicitadas, caso apresentasse um ofício especificando para que fim as mesmas seriam usadas. E, ainda, se comprometesse a não publicá-lo.

Cariacica

O município informou que migrou para a plataforma do Governo do Estado, “Vacina e Confia”, para evitar a sobrecarga do sistema municipal, já que a plataforma anterior não suportava quantidade de acessos, que variava entre oito e 80 mil conexões.

Fundão

Em nota, a prefeitura informou que os agentes de saúde do município entram em contato direto com os moradores para realizar o agendamento.

Viana

A prefeitura informou que não há agendamento aberto para vacinação contra Covid-19 com a dose padrão – aquela que não faz parte do projeto “Viana Vacinada”. Informou, ainda, que a cidade tem 100% da população adulta vacinada com a primeira dose. O cidadão que estiver no período de receber a segunda dose da vacina deve procurar uma Unidade de Saúde.

Vila Velha, Serra e Guarapari

As prefeituras não retornaram o contato da equipe até o fechamento da matéria.

Painel da Vacinação

Crédito: Luisa Cruz

*A assessoria de comunicação da Sesa não soube informar o porquê de os dados do Painel de Vacinação relativos à cidade de Viana não serem equivalentes aos dados divulgados pela prefeitura do município.

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