O movimento não parou: a reinvenção das organizações estudantis na pandemia

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Falta de engajamento e fluxo de trabalho intenso são alguns dos desafios enfrentados pelas entidades da categoria estudantil durante o ensino remoto

Por Eduarda Moro, Esther Mendes e Noélia Lopes

A atuação das organizações estudantis, durante o surto da Covid-19, precisou ser reinventada. Para continuar atendendo às necessidades dos alunos, o Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos), a Atlética Panteras e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) lidaram com o desconhecido e com diferentes obstáculos.

Um Cacos vazio

Quando as atividades na Ufes foram interrompidas, a liderança do Cacos planejava realizar a recepção de calouros de 2020/1 e promover uma nova eleição, porém os planos mudaram. O grupo precisou ficar por mais um ano na gestão do Centro Acadêmico (CA). “Apesar de a gente entender a educação à distância, ela veio de uma forma muito diferente, em um momento que ninguém esperava”, comentou Weslley Victor, ex-diretor do Cacos.

Com a pandemia, o principal obstáculo foi mobilizar os estudantes para se engajarem no movimento estudantil. A eleição para uma nova gestão foi um exemplo disso. Apenas em uma “segunda chamada” para candidaturas que um grupo de alunos se inscreveu.

Recepção dos calouros 2021/1 realizada pelo Cacos de forma virtual. Imagem capturada pelo Google Meet pelos organizadores do evento

A chapa Primavera foi a única inscrita na disputa pela gestão do Cacos, assumindo a organização em maio deste ano. A diretora de Cultura da chapa e estudante de Jornalismo, Laura Gomes, percebeu a falta de engajamento dos alunos de Comunicação Social com o Centro Acadêmico e afirma ter sido essa a razão que a motivou criar um grupo para assumir o CA durante a pandemia.

“Sem uma representação estudantil, com a pandemia e com o ensino remoto, os alunos de Comunicação não poderiam ficar”, completou a Diretora.

A Atlética virtual

A atual gestão da atlética, que assumiu no modelo remoto, conta que é desafiador o trabalho de manter a proximidade com o curso, mas que tem tentado pensar novas formas de engajar as pessoas. Com o distanciamento social, a organização suspendeu as atividades presenciais, como jogos, eventos e ações sociais. 

A realização das reuniões também é um desafio para a organização. Conciliar os horários dos 13 membros da gestão atual não tem sido fácil. Os encontros estão sendo realizados uma vez por mês. 

“Usamos a nossa voz para ir além das barreiras da Universidade e impactar positivamente – pelo menos, o mínimo -, a sociedade”, afirmou o estudante de Publicidade e Propaganda e atual diretor de Comunicação da Atlética Panteras Ufes, Guilherme Destefani.

Um DCE sobrecarregado

“Estar no DCE é uma dor e uma delícia ao mesmo tempo”. É assim que a diretora do Grupo de Trabalho (GT) de Assistência Estudantil e aluna de Serviço Social na Ufes, Elissa Soeiro, define estar à frente do DCE em tempos de Covid-19. Ela assumiu, com os colegas e concorrentes de chapa, o Diretório Central dos Estudantes.

Para atender aos alunos, uma coalizão provisória uniu três chapas, com o objetivo de construir uma política unificada. Foram criadas diretorias e GTs temáticos, previstos no estatuto da entidade, e realizadas reuniões com pessoas interessadas em participar do movimento para elaborarem um plano geral de ação.

Soeiro e mais dois membros do DCE, o coordenador-geral e graduando de Direito, Hilquias Crispim; e o diretor do GT de Diversidade Sexual e de Gênero e estudante de Administração, Kael Miguel Lopes, falaram a respeito dos desafios enfrentados nos últimos meses de Earte na Ufes. 

Uma das dificuldades apontadas pelos integrantes do diretório é conciliar as atividades da organização e a vida pessoal. “O fluxo de demandas é permanente e diário”, comenta Crispim.

“Não dá para deixar de lado que a gente também é ‘gente’, e não só uma máquina de militância”, Kael Lopes, um dos diretores do DCE.

Mesmo com as demandas acumuladas, o DCE procura atuar de forma política sempre que possível, como ocorreu nos dois atos nas ruas contra o presidente Jair Bolsonaro neste ano. “São agendas que demandam não só uma mobilização permanente, como também a realização de reuniões organizativas e a concentração de recursos”, esclarece o coordenador do diretório. 

DCE marca presença em ato, realizado no dia 21 de junho, em apoio à professora de inglês 
Rafaella Machado, servidora de escola estadual em Jardim Camburi, Vitória./ Foto: Lara Aiofi.
No dia 13 de maio deste ano, Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, o DCE
juntou-se às manifestações realizadas no Centro de Vitória./ Foto: Fernando Madeira.

Apesar das dificuldades, os integrantes do DCE dizem ter muito orgulho de fazerem parte do movimento, mesmo que de casa. “Desde o início da pandemia, lidamos com o desconhecido. Desde então, o movimento estudantil vem re-existindo”, conta Crispim.

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