Alunos se dividem sobre adesão ao ensino híbrido

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Pesquisa aponta para polarização acerca da implantação do modelo, apesar de relatos negativos sobre o ensino à distância

“Eu acho que o ensino online não deu certo”. Palavras da aluna Júlia Dias, estudante do quarto período do curso de Fisioterapia na Ufes. Para ela, é muito difícil prender a atenção do aluno pelas telas e visto que as disciplinas requerem raciocínio e explicações, pode se tornar exaustivo no modelo remoto. 

A discussão sobre o desgaste promovido pelo Earte, que já dura um ano, se tornou pauta entre o corpo discente da universidade. Entre os dias 23 e 28 de junho, 141 universitários matriculados em 22 cursos dos camp de Goiabeiras e Maruípe responderam a enquete do Universo Ufes sobre a adesão ao modelo híbrido de ensino na Ufes

O resultado foi acirrado quando perguntados se o modelo deveria ser adaptado para todos os cursos. Com 50,4% dos votos a resposta positiva foi a maioria, contra 49,6% para não. Apesar disso, 60,3% dos entrevistados dizem não se sentir seguras(os) para retornar ao presencial. É o caso da estudante Pamela Soares, 21 anos, do curso de Licenciatura em História, que sofre de asma e já tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

Soares afirma temer voltar à Ufes, mas o impacto de meses com aula virtual e de total isolamento social foram prejudiciais. “Foi tão prejudicial pra mim, principalmente pra minha saúde mental, que eu honestamente mal vejo a hora de voltar algum tipo de aula presencial, mesmo com o medo e não me sentindo segura”.

Gráfico de respostas do Formulários. Título da pergunta: Na sua visão, a Ufes deve estender a modalidade de ensino híbrida a TODOS os cursos quando a vacinação começar para o público 18+?. Número de respostas: 141 respostas.

Crédito: Enquete Ensino Híbrido. Em resposta acirrada, a maioria acredita que o híbrido deve ser implantado para todos os cursos.

Além disso, 57,4% consideram que o modelo híbrido deve ser implantado apens para o seu curso, contra 37,6% queresponderam que não e 5% afirmam que já estão com algumas disciplinas presenciais. No Espírito Santo, julho começou com agendamentos para vacina contra a Covid-19 abertos para o público 35+. A V Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação apresentou em 2019 que mais de 50% dos discentes têm idade entre 20 e 24 anos. Portanto, a maioria do corpo discente das Ufes ainda não recebeu sequer a primeira dose do imunizante.

Em relação à Universidade, a professora do Departamento de Psicologia da Ufes Mariane Lima de Souza concorda com Dias que o estudo online desregula a rotina dos estudantes, especialmente na interação durante as aulas.

“Além de estarem menos participativos do que no ambiente presencial, os alunos tendem a usar mais o espaço de bate-papo das vídeo-chamadas ao invés de perguntar algo verbalmente, com o microfone.”, completou.

Por ser aluna de Odontologia, Sammya Pimenta já tem aulas no formato híbrido. A estudante destacou que, considerando o distanciamento social necessário, o espaço ofertado pela Ufes não é suficiente para atender a todos os períodos. “O curso de odontologia tem muitas matérias práticas, clínicas e laboratoriais. Nesse momento, temos várias disciplinas que ainda não foram ofertadas e, por conta disso, turmas que estão com muitos alunos sem conseguir avançar no curso, aguardando para cursar essas matérias”, afirmou a estudante.

Já a aluna do curso de Química Cristiana Carneiro acredita que o ensino presencial não deva voltar, mesmo que todos os alunos e docentes tenham tomado as duas doses, pois “o vírus ainda se encontra no ar e continua sendo um risco para a saúde de cada um de nós.” “Vale salientar também que a maioria dos alunos, senão todos, usam o transporte público, o que é um risco a mais à exposição do vírus. Fora o espaço presencial da Ufes, que não está adequado para que as normas sanitárias exigidas no cenário atual abarque a quantidade de alunos matriculados”, disse.

Gráfico de respostas do Formulários. Título da pergunta: Na sua visão, a Ufes deve estender a modalidade de ensino híbrida a TODOS os cursos quando a vacinação começar para o público 18+?. Número de respostas: 141 respostas.

Crédito: Enquete Ensino Híbrido. Em resposta acirrada, a maioria acredita que o híbrido deve ser implantado para todos os cursos.

Cuidados no ensino híbrido

Lilian Citty Sarmento, presidente da Comissão Interna de Biossegurança em Odontologia (CIBIOS) do Instituto de Odontologia da Ufes (IOUFES),  explicou que o ensino para o curso está sendo ofertado em formato híbrido, variando a presença do aluno em sala de acordo com as disciplinas em que ele estiver matriculado.

Sobre os protocolos de segurança, Lilian explicou que seguem as recomendações de órgãos competentes como a Anvisa, Ministério da Saúde, OMS e o Conselho Federal de Odontologia. “A Ufes elaborou, para orientar um retorno seguro aos alunos, um plano de Biossegurança em tempos de COVID-19 e um de contingência, além das recomendações gerais para o retorno gradual e seguro às atividades”, completou. Os 5 relatórios técnicos específicos para a odontologia com as medidas de Biossegurança, elaborados pela CIBIOS, estão disponíveis no site do IOUFES.

Ela enfatizou que “para um retorno seguro, mesmo vacinados, é importante manter o uso de máscaras, higienizar as mãos, praticar o distanciamento social, evitar aglomerações, permanecer em isolamento em caso de suspeita ou confirmação da doença e manter o ambientes arejados e ventilados.” E finalizou afirmando que, além dos cuidados, é imprescindível acompanhar as recomendações de risco que norteiam o funcionamento das instituições de ensino.

Com a ampliação da campanha de imunização e a estabilização do mapa de risco do estado, a expectativa dos alunos é de que os debates sobre o ensino híbrido continuem. Na arte oficial de divulgação do calendário acadêmico de 2021/1, foi adicionada a informação de que as datas estão “condicionadas à manutenção do Earte ou híbrido”. A observação demonstra que as discussões em torno do retorno às aulas presenciais ou da adoção do ensino híbrido ainda não são conclusivas e podem se tornar umas das principais pautas discutidas pela reitoria.

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