Busca por acolhimento psicológico oferecido pela Ufes esgota vagas em minutos

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André Afonso, Isadora Wandenkolk, Júllia Cássia e Síntia Ott

Universidade lançou atendimento remoto no período de isolamento e já ofertou, até o momento, mais de 400 vagas

No Espírito Santo, universitários de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social comprovada têm sido contemplados de forma prioritária com atendimentos psicológicos. Foto: Pixabay.

#PraCegoVer: O primeiro plano da fotografia apresenta uma pessoa de pele branca vestindo calça branca e blusa de mangas longas na cor bege. O enquadramento deste plano foca nas duas mãos da pessoa, que está usando uma caneta branca para anotar em um papel que está sobre o suporte de uma prancheta de cor azul claro. No segundo plano, está desfocada a imagem de um homem, aparentemente de pele branca, vestindo calça jeans e blusa preta de mangas longas. O rapaz está sentado em um sofá cinza, usa uma máscara que cobre completamente a boca e o nariz. Ele está com as mãos posicionadas de forma que indica estar contando uma história. No terceiro plano, que se encontra desfocado atrás do homem, é possível observar uma estante branca com duas prateleiras repletas de livros com lombadas coloridas. À direita da estante há um borrão verde escuro que parece ser uma janela aberta com vistas para uma planta. Os feixes de luz que atravessam este borrão indicam que é dia.

Um dos muitos impactos da pandemia mundial da Covid-19 tem sido o aumento dos níveis de distúrbios psicológicos entre universitários e professores, devido ao isolamento social e a necessidade de aderir às aulas remotas. Com a suspensão das atividades nos Campi desde março de 2020, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) passou a ofertar acolhimento psicológico online para estudantes e servidores. Apesar de não ser possível estabelecer um comparativo entre a procura pelo atendimento antes e depois da pandemia, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci) relata uma grande procura pelo Acolhimento Psicológico Breve.

De acordo com a Proaeci, nas duas últimas chamadas para o programa foi necessário mudar a logística da oferta para poder ampliar as oportunidades dos estudantes interessados. As vagas passaram a ser distribuídas em dois dias da semana e em horários diferentes. Isto porque, segundo a pró-reitoria, a demanda oferecida em cada chamada esgota em poucos minutos após o horário de abertura. O projeto Acolhimento Psicológico Breve foi iniciado em abril de 2020. Até o momento, mais de 400 oportunidades de atendimento foram ofertadas a estudantes de graduação que estejam experienciando sintomas de sofrimento psíquico ou desconforto emocional durante o período pandêmico.

#acc Player de áudio com fala do psicólogo do Departamento de Assistência Estudantil (DAE) da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci) Gabriel Waichert Monteiro, durante uma palestra no Youtube intitulada “Saúde mental e Universidade: Como manter o equilíbrio em tempos de pandemia”.

A psicóloga e doutora pela Ufes, Samira Bissoli Saleme, aponta em sua pesquisa sobre os impactos da pandemia na qualidade de vida e no bem-estar de uma amostra de estudantes assistidos pela Proaeci que 72,25% dos alunos relatam ter experimentado com maior frequência sentimentos negativos, tais como mau humor, desespero, ansiedade e depressão. “São estudantes que estão sem força para estudar, com dificuldade de se concentrar, com o sono bastante prejudicado, com dificuldades para manter as atividades mínimas do dia a dia”, comenta a pesquisadora. 

#acc Player de áudio com relatos sobre a pesquisa e de estudantes, lidos pela psicóloga Samira Bissoli Saleme. 

A aluna do curso de Psicologia, Cinthya de Oliveira, de 24 anos, é uma das assistidas pelo programa. Ela conta que, com a pandemia, sentiu a necessidade de voltar a ter acompanhamento psicológico, embora ainda se sinta desconfortável em fazer terapia online, principalmente porque o longo período de isolamento e a transferência das atividades para o virtual têm gerado exaustão na estudante.

Cinthya, que tem deficiência visual, relata que mesmo que seja atendida pelo Núcleo de Acessibilidade da Ufes (NAUFES) ainda sofre com um acúmulo de preocupações que causa desânimo e aumenta a falta de concentração nos estudos.

#acc Player de áudio com fala da estudante Cinthya de Oliveira.
A estudante sente os efeitos do ensino remoto no aproveitamento dos estudos e no apoio psicológico de forma virtual. Foto: Iole Melo.

#PraCegoVer: Na fotografia está a estudante de psicologia Cinthya de Oliveira, uma mulher jovem de pele negra. Os cabelos dela são lisos, de cor castanho escuro e de comprimento médio, alcançando um pouco abaixo dos ombros. Ela usa óculos de sol com armação arredondada na cor branca e está vestida com uma blusa rosa claro, estampada com detalhes em preto e em azul claro. Cinthya está enrolada a uma bandeira do Brasil e, ao fundo, é possível observar que se encontra em um estádio de futebol. Na parte inferior da imagem há uma grande faixa verde claro, indicando o gramado do campo. Acima dessa faixa, pequenos retângulos, que variam entre as cores amarelo, azul claro e branco, estão posicionados em fileiras verticais e horizontais, formando a arquibancada do estádio. Entre a arquibancada inferior e a superior, há um letreiro eletrônico com faixas nas cores vermelho e preto, reproduzindo a palavra “gol”.

A universitária ressalta a importância do acolhimento e afirma ser reconfortante receber esse apoio emocional da Universidade. “É muito importante esse atendimento, ainda mais agora nesse contexto pandêmico. É tanta coisa que passa pela nossa cabeça, é muito bom ter um momento para se abrir, colocar pra fora”, expõe a estudante.

Os professores e servidores da Ufes também passaram a receber assistência remota durante o período pandêmico. De acordo com a equipe da Diretoria de Atenção à Saúde (DAS), vinculada à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep/Ufes), mais de mil servidores foram atendidos ao longo do ano de 2020. Além do acompanhamento psicológico para os servidores que solicitam o auxílio, o setor desenvolve projetos e ações remotas com o objetivo de oferecer diferentes formas de acolhimento aos membros da comunidade universitária. 

#PraCegoVer: Infográfico intitulado “Saúde mental dos professores na pandemia da Covid-19”. O fundo da imagem tem a cor azul. Na parte superior, ao centro e na cor branca, está posicionado o texto informando o nome do infográfico. Abaixo do título está o seguinte texto: “A dificuldade mais citada pelos professores (390 vezes) foi pensar em uma didática adequada para o ambiente virtual”. A fonte das letras é na cor branca, exceto o destaque no centro do texto, que está em fonte amarela, com a informação “(390 vezes)”. Logo embaixo há um círculo vazado na cor amarelo mostarda, com apenas uma parte destacada na cor branco gelo. No centro do círculo há o dado: 86%. Para completar esta informação, ao lado deste gráfico há o seguinte texto: “dos entrevistados afirmaram que passaram a trabalhar mais horas durante o ensino remoto. Entretanto, isso não foi associado a maiores níveis de depressão, ansiedade e estresse”. Em seguida, abaixo dessas informações, há a ilustração de um monitor de computador na cor amarelo claro. No centro do desenho está em destaque o número 317. A informação se completa com o seguinte texto: “pessoas disseram ter dificuldades em relação ao fato de os alunos não conseguirem acessar a aula”. Seguindo, embaixo dessas informações, há a ilustração de um câmera fotográfica na cor azul claro. Em destaque no centro do desenho há o número 304, em amarelo. A informação se completa com o seguinte texto: “afirmaram não ficar confortáveis diante das câmeras”. O infográfico termina com o texto: “A diminuição da renda, relatado por 36% dos profissionais, apontou para um indício existente, porém fraco, de queda na saúde mental”. Neste letreiro, o número “36%” está destacado no centro, em tamanho e cores diferentes do restante do texto.

“O acolhimento psicossocial realizado pela Progep, por meio da DAS, mostrou-se da maior importância, ainda mais em face do novo contexto de afastamento social permeado por medo e insegurança sobre o futuro.”, explica a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Josiana Binda.

Como procurar ajuda?

O Núcleo de Psicologia Aplicada (NPA) oferece semestralmente, de acordo com o calendário da Ufes, vagas para atividades de acompanhamento e orientação psicológica a residentes da Grande Vitória e moradores de outros municípios capixabas que, em caso de necessidade, possam comparecer presencialmente ao NPA. Os interessados devem se inscrever na lista de espera através do link: www.psicologia.ufes.br/pt-br/inscricoes-npa

O Departamento de Psicologia da Ufes também oferece atendimento gratuito a moradores do Espírito Santo que estejam em processo de luto ou profissionais da saúde que convivam com um elevado número de mortes no local de trabalho, através do programa AcolheDOR. Os atendimentos podem ser realizados individualmente ou em grupo, e são conduzidos por estudantes do décimo período de Psicologia sob a supervisão. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (27) 99970-3124, pelo e-mail acolhedor.ufes@gmail.com ou no perfil @acolhedor.projeto no Instagram.

Já para a comunidade externa que procura por atendimento gratuito, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio através do número 188, e também por chat ou e-mail no site www.cvv.org.br. Os atendimentos presenciais estão suspensos durante a pandemia. 

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