Do interior a capital: os passos de um sonhador

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Conheça os caminhos que levaram o ex-estudante da UFES, Willian Loyola, em direção a uma das maiores emissoras do estado 

Por Gleiciane Marriel

Entre brincadeiras e um olhar curioso para o futuro, um desejo no coração de uma criança andou pelas ruas do interior de Colatina, viajou até Rio Bananal e se consolidou em Vitória. “Uma pessoa sonhadora”, se define Willian Loyola. Produtor que desenvolveu projetos como estudante de Cinema na UFES, se formou amante do audiovisual e conta histórias por meio do que ama. 

A comunicação sempre foi seu álibi e a televisão sua paixão. A quem o acompanhou no projeto de extensão Janela, na produção de curtas metragens, ele surpreende “não era o cinema que me fascinava”. 

“Não me via como jornalista, apesar de ser uma boa porta de entrada para estar em programas de TV. Não me via como publicitário, porque não era esse o lugar que eu queria estar. Eu queria falar diretamente com as pessoas”, afirma.  

Ele diz que queria, com o curso, aprender a contar histórias de uma forma, dita por ele, legal. Para isso, um longo e difícil caminho foi percorrido. “Meu maior desafio foi topar sair do interior e vir pra cidade grande para estudar. Isso parece uma coisa simples, mas para uma pessoa de classe média baixa, com pai e mãe que não fizeram nem a quinta série e ser o primeiro da família em tudo é complicado. Inicialmente é muito duro, porque você não sabe como é ou o que vai acontecer”.

Os planos pareciam ainda mais incerto pois seus pais não possuíam condições de o manter na nova cidade. “Eu não sabia como eu ia me sustentar. Sem dúvidas, o maior obstáculo que eu enfrentei”, recorda. Com orgulho ele diz que sua esperteza é abraçar oportunidades. “Quando eu olho pra trás, eu percebo que muita gente com mais oportunidade, não aproveitou. Eu fui aos poucos observando a vida conectar as minhas conquistas”. 

E a vida, apesar de difícil, forma ótimas conexões na trajetória de Willian. Seus projetos contam com curtas metragens financiados pela Secretaria da Cultura e diversos documentários que lidam com temas sensíveis, o mais admirado por ele.

Para fortalecer e contribuir com seus projetos, depois de formado ele foi produtor executivo, um lado da produção independente, mas ainda não era a área que desejava. “Gosto de estar diretamente ligado com pessoas, conhecer e levar conhecimento de uma forma mais efetiva”, diz.

E foi por meio do esforço que as muitas direções o levaram para televisão. “Na comunicação por tevê eu tenho fascínio. A gente produz uma coisa em uma semana e na outra já conseguimos saber quantos assistiram, que foram afetadas, ou não, com aquilo que foi produzido”, afirma.

O menino do interior, que avistava um futuro incerto na capital, não imaginava que andaria pelos corredores da maior emissora de telecomunicações do Espírito Santo. Atualmente, Willian é produtor da TV Gazeta. “Eu trabalho no setor de promoção. Adaptamos o nacional e o regional para ficar mais próximo do capixaba”, conta.

Willan, atualmente, apresenta um programa na TV Gazeta. Foto: TV Gazeta ES

Exercendo uma atividade que reúne roteiro, direção, produção e, até mesmo, apresentação, o produtor foi convidado para um projeto novo dentro do setor. Inicialmente, comentam sobre Big Brother Brasil. “A ideia do projeto é que ele continue falando de outros produtos da programação que precisem de uma atenção da audiência ou que queiram conectar o capixaba”, explica.

A comunicação direta para as pessoas não se limita a um programa, Willian também faz parte da produção e direção do projeto Conecta Favela. “As portas foram se abrindo e estou em um setor muito interessante. Estamos em contato constante com o nacional e, lá, eu consigo exercitar técnicas que eu aprendi no curso de comunicação”, afirma. 

A televisão, que sempre fez parte de seu fascínio, foi também um de seus grandes desejos. “Eu sempre quis muito apresentar, trabalhar em um programa e entender os projetos”, diz. Para ele, essa é umas das melhores experiências de seu início de carreira. “Sem dúvidas, foi uma virada na minha trajetória. Assim que me coloco na frente das câmeras trago um pouco de tudo o que eu aprendi e vivi”.

Para quem aprendeu a lutar desde pequeno, se acomodar não é uma opção. “Eu quero conhecer outros espaços maiores com a tevê, chegar nesse lugar de evolução”. Para o país que o abraça, ele espera organização política que forneça mais espaço para continuar projetando sua história. 

“Esse sonho não dá dinheiro, mas faz eu me sentir bem, eufórico com o resultado do que fiz com o coração”, acrescenta Willian, com a certeza de que está no caminho certo. No Espírito Santo, ou em qualquer outro lugar do Brasil, suas expectativas quanto ao futuro se transformam e o acompanham em cada fase de sua vida. 

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