Produção das universidades públicas está em risco

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Conferência virtual de abertura do semestre discutiu história, memória e cultura. Professora destaca falta de investimento no tema

Alexandre Passos

A produção artística, cultural e científica das universidades públicas está em risco. Este é o diagnóstico da professora María Luisa Bellido Gant, da Universidade de Granada (UGR), na Espanha. Palestrante convidada pelo Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGA) da Ufes, ela alerta para o perigo ao qual a educação pública está exposta: a falta de investimentos.

“O patrimônio universitário está em risco devido aos cortes em investimentos que as universidades sofrem. Temos que entender que este bem faz parte da nossa história, da nossa tecnologia e da nossa civilização”, defendeu.

Com o tema “Patrimônio Universitário e as mediações tecnológicas em tempos de COVID-19”, o encontro virtual foi realizado em 11 de fevereiro e fez parte da acolhida ao novo semestre letivo iniciado no último dia 01.

Catedrática de História da Arte e diretora do Secretariado de Bens Culturais da UGR, a professora abordou a importância de se preservar, incentivar e divulgar aquilo que a academia produz.

Segundo ela, este é um assunto pouco debatido ou até mesmo desconhecido, inclusive por parte daqueles que já estão inseridos no ambiente acadêmico. “É importante compreender que a manutenção desse patrimônio faz parte da memória de uma comunidade e contribui para a promoção da cidadania”, explicou.

Além da participação de Bellido, evento contou com a presença de estudantes e professores do Departamento de Artes. Foto: Reprodução/Apresentação Prof. Bellido

Em uma análise internacional do tema, Bellido apresentou grupos e projetos de países europeus que catalogam, precificam e divulgam os patrimônios culturais de seus países. Em tempos de pandemia, muitas universidades europeias intensificaram o esforço em promover exposições virtuais devido à necessidade do isolamento social. Já no Brasil, ainda faltam incentivos a iniciativas que cultivem este hábito.

A criação de um Museu de Arte e Cultura na Ufes, por exemplo, foi debatida na conferência como forma de preservar e difundir a identidade universitária capixaba. “Eu sempre digo que a grande riqueza que existe em uma universidade são as suas pessoas. Por isso, o patrimônio universitário tem que estar em uma boa posição [de investimento] para apresentar o nosso valor incalculável à sociedade”, justificou a professora.

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