Seminário debate estéticas do audiovisual contemporâneo

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Participantes levantam questões sobre o mercado e a importância do cinema para a população periférica

Repórter: Clara Curto // Edição: Heloísa Bergami

A noite da última segunda-feira (16) foi marcada por um intenso debate sobre o cenário atual do audiovisual e como a periferia se encaixa neste contexto. A mesa faz parte do Seminário Estéticas e Tecnologias Audiovisuais (SETA), em comemoração aos 10 anos do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Os participantes foram a realizadora audiovisual Gabriela Luiza e o diretor, produtor e roteirista Adirley Queirós.

Durante a mesa, que tinha como temática central as estéticas do audiovisual contemporâneo, os cineastas falaram sobre suas experiências no mercado, os mecanismos de produção e a importância das obras audiovisuais na atualidade. Para Adirley, o cinema, principalmente as produções vindas da periferia e que possuem pequeno orçamento, possuem um espaço de luta política e não devem ser condescendentes.

“O cinema é a possibilidade do enfrentamento. O cinema tem que ser enfrentamento, tem que ser dialético nesse sentido. A dialética do cinema é basicamente enfrentar aquilo que te colocam. O cinema é esse lugar em que você se manifesta de maneira radical e essa manifestação aparece”, analisou ele.

Gabriela, durante sua fala, ressaltou o espaço elitista e segregador que a produção audiovisual ocupa. Durante sua formação como realizadora audiovisual ela passou pelas mais diversas áreas do cinema como assistente e identificou que o movimento era de invisibiliza-la. A partir daí, enxergou a necessidade de sair daquele espaço e buscar novos caminhos para a realização de um trabalho autoral.

“Eu fui me munindo, saindo de rede social, me protegendo de alguma maneira e entrando muito seriamente nos estudos. Comecei a ver filme para caramba, analisar os filmes que eu estava vendo, ouvir as pessoas que eu gostava do filme falarem. E naturalmente, com o conhecimento chegando, eu fui, eu estou, na verdade, entendendo para onde ir”, explicou.

Atualmente, Gabriela está desenvolvendo o projeto do longa Berlin-Betim, que conta com a participação de um coletivo de artistas trans. Além disso, ela já exibiu curtas de sua autoria em diversos festivais de cinema. Já Adirley possui 15 anos de experiência no ramo e já dirigiu diversos curtas e longas, como “Rap, o canto da Ceilândia”. O cineasta possui alguns prêmios em festivais nacionais.

Os profissionais do cinema refletiram ainda sobre a importância do trabalho coletivo, a relevância do som na criação audiovisual e a ocupação do território. O debate está disponível na íntegra no Youtube. Assista abaixo:

O Seminário Estéticas e Tecnologias Audiovisuais (SETA) é uma iniciativa do curso de Cinema e Audiovisual da Ufes, orientado pela professora Daniela Zanetti e pelos professores Cleber Carminatti e Pedro Marra, que tem como objetivo realizar discussões sobre o modelo contemporâneo do audiovisual em seus diversos formatos e corpos. A programação  do SETA vai até o dia 7 de dezembro, com lives todas as segundas-feiras, a partir das 19 horas, no canal do curso no Youtube.

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