“Meus alunos fizeram dos meus dias de Ufes dias muito bonitos”, diz professora do curso de cinema e audiovisual

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Repórter: Cássia Rocha // Edição: Heloísa Bergami

Neste ano em que o curso de Cinema e Audiovisual da Ufes comemora dez anos, a professora Gabriela Alves também comemora o mesmo tempo de jornada como docente na Universidade. Ela conta um pouco da sua trajetória, suas contribuições para o curso, fala sobre a realidade machista da área e relembra os momentos mais marcantes à frente de disciplinas do cinema e audiovisual. Confira:

História 

Eu atuo como professora há vinte e quatro anos, além de Comunicação Social, eu também graduei em História. Comecei dando aulas para os ensinos fundamental e médio, pré-vestibulares, já ministrei para vários níveis. No ensino superior, eu tenho 20 anos de experiência, então quando eu cheguei na Ufes por concurso público, eu já tinha uma bagagem como professora do curso de comunicação social. Decidi ir pra Ufes por conta da possibilidade de dedicar um tempo maior à pesquisa e à extensão.

Eu me sinto filha da Ufes, porque eu sou capixaba, nasci em Vitória e lá eu fiz minha graduação, duas especializações, um mestrado e trabalhei como professora substituta. Então eu sempre tive muita gratidão pela Universidade, porque ela contribui muito para a minha vida, eu quis voltar como forma de contribuir tudo aquilo que a Ufes foi e continua sendo na minha vida. Além disso, minha família toda é de professores e eu tenho muito orgulho dessa profissão.

Machismo

O campo do cinema e audiovisual no Espírito Santo reflete aquilo que também é no  Brasil e de alguma forma no mundo ocidental. Então, quando se pensa o machismo dentro da produção cinematográfica, da produção audiovisual, nós falamos muitas vezes do lugar que as mulheres ocupam na cadeia audiovisual. Nos postos de hierarquias maiores, como a direção e o roteiro das obras audiovisuais, são poucas mulheres ainda que ocupam esses lugares.

Então, eu acho que é muito importante ter professoras mulheres na Universidade como um todo. Nós temos conquistado cada vez mais espaços, mas ainda falta muito na nossa caminhada, por exemplo, não temos professoras negras no Departamento de Comunicação e número de professoras é menor quando comparado ao de professores. Então, é de extrema importância a presença de nós, professoras, é uma forma de combater essa marca patriarcal. 

Eu como professora do curso de Cinema, estou sempre muito preocupada com essa questão. As disciplinas optativas que eu ministro são sempre nesse campo da teoria feminista e cultura audiovisual. Para que nós possamos ler mulheres, assistir mulheres, estudar a teoria feminista. As pesquisas que as alunas produzem comigo,  tanto na graduação quanto no mestrado, também são geralmente nesse campo. Eu entendo como uma forma de combater o status tradicionalmente da área. 

Contribuições

Sobre a minha maior contribuição para o curso, considero existir e resistir como mulher, como aliada da luta antirracista, que enfrenta cotidianamente o machismo e não se cala. Como uma mulher que desenvolve – no ensino, na pesquisa e na extensão – esse trabalho de enfrentamento. Na minha concepção, isso contribui para os alunos e para a sociedade como um todo. 

10 anos de curso e de universidade

Eu fico muito feliz, mesmo neste momento em que estamos vivendo, de pandemia e que é importante destacar. É um ano muito atípico, muito difícil este, mas ao mesmo tempo, eu acho que a gente deve se dar esses momentos de gratidão e de felicidade. Então, eu sou muito grata, porque além de comemorar os dez anos do curso, também comemoro meus dez anos de universidade.

Sou grata à Ufes, ao Departamento e aos alunos que nesse tempo me ensinaram tantas coisas e trocaram tantas vidas e experiências bonitas comigo. Principalmente aos alunos, eles fizeram dos meus dias de Ufes, dias muito bonitos. A educação se dá nessa troca, não dá pra tornar mecânico aquilo que é tão vivo e tem tanta força.

Então, o que eu sinto em relação aos dez anos é um sentimento muito grande de gratidão.  

professora Gabriela Alves

Vivências inesquecíveis

Foram muitos momentos mais marcantes na minha trajetória, mas vou destacar as colações de grau, eu gosto muito de estar lá e ver os alunos vivendo essa fase. Isso dentro de um cenário de vários momentos importantes, como as bancas de TCC, que depois de um curso todo, os estudantes conquistam aquilo. 

A mostra “Próximos Olhares”, que foi um projeto de extensão que tivemos durante um tempo no curso também me emocionou muito. Enfim, para mim, os momentos mais marcantes são aqueles em que eu posso dividir uma felicidade, uma conquista com os alunos e com as alunas. 

O que vem por aí?

A gente precisa pensar o que a gente tem pela frente, talvez o desafio seja esse. Pensar nessa realidade de ensino remoto, como vai ser daqui pra frente. Teremos que pensar muito e nos reinventar para que a gente consiga manter a universidade de pé, esse lugar que é tão importante. Nós sabemos que não é o modelo ideal, mas estamos fazendo o que é possível agora. 

Pensar o que vai ser daqui pra frente é um desafio é uma responsabilidade de todos nós, professores, alunos, supervisores. Ocupar a universidade é um privilégio, muita gente não pôde, muita gente quis e não conseguiu, por uma série de fatores. A universidade mudou minha vida e eu sou muito grata.  

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