Live relembra os 70 anos da Televisão Brasileira

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texto: Thauane Lima | edição e revisão: Daniel Jacobsen e Cecília Miliorelli

Em comemoração aos 70 anos da televisão brasileira, a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar) realizou, na tarde desta sexta-feira (18), a live “Rastros de Oralidade e Encenação: A dramaturgia nos 70 anos da TV”, que foi transmitida pelo Labvídeo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).  A mediação do evento foi realizada pelo professor Guilherme Fernandes.  Os palestrantes que compuseram o debate foram a professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marialva Barbosa, a professora titular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e coordenadora do curso de pós-graduação Lato Sensu em televisão, cinema e mídias digitais, Cristina Brandão, e o especialista em rádio Roberto Salvador.

Abrindo a live, Salvador ressaltou a importância da data, em que se comemora a história da televisão brasileira e de seu precursor: o rádio. “O rádio era um grande veículo de comunicação na época, porque ele alcançava as pessoas. A grande diversão das famílias era ouvir rádio e ir até os auditórios das emissoras ver os programas presencialmente, que eram populares naquela época. À noite, vestiam-se de acordo com a ocasião, para assistir orquestras e elenco de radioteatro”, destacou.

Cristina elogiou o tema do evento e lembrou que a televisão veio dos programas teatrais que viviam da dramaturgia universal. “A televisão foi criada no Brasil ao mesmo tempo em que a gente teve o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), as bienais, os museus e a Companhia de Cinema de Vera Cruz. A televisão veio com a alta cultura, então, ela trazia um referencial da cultura […] Assistíamos as adaptações de peças de Nelson Rodrigues, Tennessee Williams, Pirandello, esses clássicos da dramaturgia universal e nacional”, explicou.

Marialva destacou em sua fala que antes da chegada da televisão no Brasil, em 1950, grande expectativa já havia sido gerada. Ela citou o seu livro Histórias da televisão, que traz a ideia da imaginação televisual. “Antes da chegada da televisão houve toda a construção de uma imagem e imaginação da televisão, que existiu antes mesmo de ela chegar, são rastros do passado, do modo pelo qual imaginavam o que seria a televisão”, disse.

“É interessante alguém que já ouviu falar em televisão e agora vai ver televisão. Ou seja, aqui há entrelaçamento das materialidades midiáticas em que os personagens do anúncio eram como se estivessem em uma sala de cinema. Quase que prevendo como seriam os modos de assistir à televisão, que, no final, nunca foram os previstos. Mas era um misto entre rádio e televisão, na imaginação televisual, pois havia uma expectativa das materialidades de ver, dos modos de ver televisão, dos modos de construção de uma imaginação de mundo no qual a televisão estava incluída e queria também participar dessa imaginação de mundo”, considerou Barbosa.

Salvador ressaltou que no dia 25 de setembro comemora-se o aniversário de Edgar Roquette Pinto, pioneiro e protagonista da telecomunicação brasileira: “Tudo começou com ele, a televisão veio do rádio, a rádio veio com Roquette Pinto. Estamos aqui todos e vamos comemorar o dia 25 de setembro, o dia do rádio e dia do aniversário do introdutor do rádio no Brasil”. Ele encerrou a live reafirmando as palavras de Roquete Pinto na abertura do rádio no Brasil: “O rádio é o jornal daqueles que não sabem ler, é o mestre de quem não pode ir à escola. É o divertimento do pobre, é o animador de novas esperanças. O consolador dos enfermos, o guia dos sãos. Desde que realizem com espirito altruísta e elevado”, declamou.

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