O transporte dessa cidade é meu!

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Barbara Coutinho, Julia Zumerle, Luiza Marcondes, Mariah Friedrich, Rafaela Laiola e Rodrigo Schereder  Se locomover pelas grandes cidades, usufruir de transporte coletivo com qualidade e ter segurança para ir e vir, podem parecer direitos óbvios, mas não é bem assim. Para grande parte da população brasileira, esse direito é cerceado por barreiras econômicas. Isso, é o que afirmam os entrevistados que falaram sobre mobilidade urbana e direito à cidade para o Universo Ufes.

Na Grande Vitória, a passagem dos ônibus intermunicipais custa R$ 2,75. Sendo assim, cada pessoa que se locomove de casa para o trabalho, supondo que receba apenas um salário mínimo de R$ 880, irá gastar R$ 110 em passagens, o que corresponde a 12,5% da sua remuneração mensal. Ou seja, dois dias e meio de trabalho todos os meses são só para pagar a passagem. Em um ano, equivale a um mês dedicado a esse fim.

Apesar do custo alto do transporte, Liah Maia, analista de documentação audiovisual, relata que as condições de locomoção não são as mais adequadas. Suas principais queixas são o tempo de espera e a superlotação.

“Se você tem uma família de duas, três pessoas, o custo com o transporte aumenta. Por exemplo, eu e minha filha, para a gente se deslocar para lazer, ir e voltar, é mais de R$ 10. Então se você pagar todo dia esse valor para um lazer, é difícil. Para ir à praia, mês de férias que você quer passear, é impraticável”.

Como solução possível para a discussão sobre a qualidade e custo do sistema de transportes coletivos, as reivindicações pelo “passe livre” ou “tarifa zero” põe em pauta um modelo que garanta o direito a locomoção no espaço urbano de forma gratuita. Tema de debate, principalmente do movimento estudantil, Sofhia Rosa e José Anésio falam sobre o tema.

O movimento pretende suprir principalmente a demanda das populações menos favorecidas economicamente. Para isso, é necessário que os interesses coletivos sobrepunham os individuais. Nos anos 90, a cidade belga Hasselt foi a primeira a ter 100% do transporte público gratuito. Já a primeira cidade grande a implantou o passe livre foi Sydney na Austrália.

Alternativa aos automóveis, as bicicletas como meio de locomoção se tornaram símbolo de  cidades sustentáveis. O cicloativista Rafael Darrouy uniu sua ideologia com algo rentável e criou a empresa Pedivela, especializada em entregas por meio de bicicletas. A vontade de tornar Vitória uma cidade mais humana surgiu após voltar do Canadá, país onde o uso da bicicleta como meio de locomoção é comum.

“A Pedivela é a interação logística urbana de bicicleta. A gente conecta empresas que têm que entregar carga nos centros urbanos à ciclistas autônomos, então fazemos com que caminhões de carga não precisem mais entrar dentro das cidades. A nossa principal dificuldade é a alta velocidade dos veículos automotores e a falta de estrutura cicloviária.”

“A cidade não é apenas a organização funcional do espaço, suas ruas e edificações, seus bairros, pessoas carregando sonhos, isoladas na multidão, em um deserto de prédios, que aboliu o horizonte e apagou as estrelas. A cidade é a expressão das relações sociais de produção capitalista, sua materialização política e espacial que está na base da produção e reprodução do capital.”

– Mauro Iasi

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