Pé direito para começar o mundial

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Bianca Bortolon – Superstição, crendice, mandinga, cisma ou simplesmente tradição. Não importa o nome: se há algo inerente ao coração do torcedor, este é acreditar que certas crenças fazem a diferença.
O estudante de engenharia civil Rafael Nogueira, corinthiano roxo, endossa a teoria. “Só assisto jogos do Corinthians em casa e sozinho. Quando resolvi quebrá-la e chamar a namorada, o Timão foi desclassificado da Libertadores, contra o Boca Juniors. E o pior, por erro da arbitragem”, indigna-se. 1 a 1, com vantagem para o time argentino.
Mas se há terreno ainda mais fértil para a superstição que os jogos do time de coração, esse são os jogos da seleção brasileira. É difícil explicar como se aflora o tal sentimento patriota característico das Copas do Mundo. Mas assim como as crenças, o amor pela seleção não se explica.
O professor José Gonçalves que o diga. “Sempre gostei de Copa do Mundo. Lembro ainda hoje da seleção de 70. Mas por algum motivo não estava empolgado… Não estava sentindo o clima de Copa”, lamentou. No entanto, a paixão até tarda, mas não falha. Pouco antes do primeiro jogo do Brasil, algo despertou e o fez sair para comprar camisas para todos da família – até mesmo para o genro. “Se der certo, todos vestirão as mesmas camisas até a última partida que da seleção”. Não deu outra. 3 a 1 para o Brasil. E 1 a 0 para a superstição.

Elas não são comuns apenas aos brasileiros. O holandês Jasper, há seis meses no Brasil, batalhou para conseguir uma camisa da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza) do Rio de Janeiro. O motivo? A cor. O laranja, cor do uniforme dos garis cariocas, é o mesmo da camisa oficial do time holandês. No dia 13 de junho, recebeu a roupa embalada de um amigo gari, a quem havia importunado por semanas. Usou no mesmo dia para assistir a partida entre Holanda e Espanha. Fatídico. 5 a 1 para a Laranja Mecânica.

E também não são apenas dos torcedores. A abertura da Copa, dia 12 de junho, contou com a partida entre Brasil e Croácia. Em sua maioria, os jogadores da seleção canarinho, apesar de já estarem com a sorte de jogar em casa para milhares de fãs clamorosos, entraram em campo com o pé direito, talvez a mais clássica das crenças. Deu certo. 3 a 1 para o Brasil.
Até mesmo Dilma mostra sua faceta supersticiosa quando o assunto é Copa do Mundo. Em recentes entrevistas e discursos oficiais, a presidenta afirmou sempre assistir os jogos da mesma maneira, bater na madeira para espantar o azar, cruzar os dedos, tapar os olhos em momentos difíceis… O local – agora um compartimento VIP que lhe é reservado na arena – mudou, mas parece que até mesmo superstições são voláteis. Ao menos, a força de outras sobrepõe a falha de uma. Porque deu certo. 3 a 1 para o Brasil. E assim seja.

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