Moda à Flor de Maria

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Bianca Bortolon e Jéssica Dantas – De cabelos desgrenhados e sorriso manso, Nana Muriel se utiliza da definição de uma amiga para caracterizar seu estilo. “Ela, certa vez, disse que pareço uma árvore: sapatos escuros, saia marrom e blusa com tons de folhas secas”, brinca. Entrando na analogia, seus galhos, assim como os troncos repletos de mensagens românticas nas praças do interior, são talhados – mas as declarações dão lugar às tatuagens em lembrança de suas coleções.

Em uma medida de sua imagem, a impressão geral é que a moda foi um adubo constante na vida da jovem estilista. Mas o ditado, ao menos para ela, é válido: as aparências enganam. Aos risos, ela diz que a mãe, costureira, jamais imaginou que seu caminho a lançaria na trilha da moda. “Achou que ficaríamos traumatizadas com a bagunça”, narra. Ela mesma admite que, ao crescer, a moda não era parte de suas aspirações.

DSC_0147Nana conta que mesmo a pressão do ensino médio não a empurrou para uma decisão da escolha profissional e, após dois anos de um período oscilante entre descanso e trabalho, a descoberta do interesse pelo campo, ainda que tímido, só surgiu após um emprego em uma loja de roupas.

Matriculou-se na faculdade de Moda ainda sem demasiada empolgação, mas, como todo bom relacionamento, o amor foi uma construção. O desabrocho veio com as primeiras noções de história da moda, em uma disciplina que a fez entender como moda, expressão, contos e sociedade estão intrinsecamente ligados. A “Flor de Maria”, porém, veio quase ao fim da graduação. Foi durante a matéria “Desenvolvimento de coleção” que Nana deu início à concepção da marca, em 2010. Inspirada, resolveu que o produto seria mais que um trabalho final.

Árvore que é, a natureza e seus entornos  são sua principal inspiração, seja para o nome das coleções (vento, tempo, astros…) como no desenvolvimento das peças. A preferência por tecidos orgânicos, em especial o linho, são marca registrada da Flor de Maria. A organicidade foi também elemento fundamental na criação do nome. Prana, a primeira opção, é um termo da ioga, “o sopro da vida”. Ele, no entanto, já estava registrado. Foi aí que Nana, em uma reflexão deveras poética, bolou o termo que dá nome à marca.

DSC_0133As flores, em sua concepção, não podem ser menos que uma dádiva da natureza:  a beleza, o cheiro, o desapego às árvores, a sobrevivência… Para Nana, as flores são verdadeiros presentes que nos foram dados para que vejamos a graça e possamos apreciar a natureza. Já “Maria” seria a representação universal das mulheres. “Flor de Maria” é, portanto, um presente para as moças, um contato com os encantos que a vida na Terra tem a nos oferecer.

O que encanta as clientes da “Flor de Maria” é, de certo modo, a sensação de que tudo foi feito com muito amor e dedicação. Desde o caráter exclusivo das peças – fabricadas em baixíssima escala – aos cuidados minuciosos com a decoração da loja. Mesmo estando em um prédio comercial, a loja de Nana exala boas energias, como se estivéssemos em um passeio no campo onde é possível encontrar roupas ao invés de pedras no caminho.

Quando perguntada sobre a possibilidade de expansão da marca, o sorriso ganhou lugar no rosto e de fato comprovou que os objetivos ultrapassam as fronteiras do solo capixaba. Ainda embarcada na pergunta, Nana contou que no último verão enveredou por novos horizontes. Baiana de coração, ela não via a hora de divulgar seu trabalho no nordeste. Com alguma sorte ou, quem sabe, coincidência, surgiu a possibilidade de alugar um dos metros quadrados mais disputados de Trancoso, onde montou uma pequena loja e ali ficou durante os três meses da alta temporada. Foi um sucesso.

No retorno do sonho de verão, com mais experiência na bagagem e o sentimento de que ainda existe espaço para o autoral e sustentável no concorrido mundo da moda, a jovem estilista concretiza mais um sonho este ano: o lançamento do segmento masculino da “Flor de Maria”. A coleção, mal saída do forno, traz toda a originalidade e exclusividade que são caras da marca como um todo..

Nana Muriel carrega muitos sonhos na garupa de sua bicicleta. E por mais que o pé esteja no chão, entendendo que o reconhecimento vem com a batalha diária, a bicicleta está nos ares, dando suporte para as roupas e as fantasias. “Flor de Maria” há de dar, como já o faz, cada vez melhores frutos.

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