Pronto para morar em república?

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Rayanne Matiazzi– Difícil seria imaginar uma república sem barulho, comida congelada, macarrão instantâneo e falta de “grana”. A saudade de casa, da comida caseira e dos amigos de infância “bate” logo de cara. Quando você chegar à noite, vai perceber que as opções do momento são a televisão aberta, o sinal da internet compartilhado, os livros e aquele cansaço do trabalho e da faculdade. Mas, calma! Nossos bravos estudantes consideram que a vida não seria a mesma sem as experiências das “reps”.

A verdade é que nenhum estudante que acabou de ingressar na universidade está preparado para essa nova fase. São muitas responsabilidades! Dividir o quarto ou a casa com um desconhecido, por exemplo, requer de você um bom “jogo de cintura”. Pode ser alguém com uma criação diferente, com manias e gostos que não te agradam, e ele vai ser seu companheiro por um mês ou, talvez, anos. Mas vai ser também alguém para conversar e trocar experiências, como explica a paulista e estudante de Publicidade e Propaganda, Vanessa Salvador, 27 anos.  “A gente aprende que, pra qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, sempre vai ter alguém com quem pode contar, seja pra buscar um remédio na farmácia, seja pra desabafar brevemente sobre uma “bad amorosa”, contou.

Uma turma de quatro amigos resolveu iniciar essa nova etapa da vida juntos. A euforia de passar no vestibular da Ufes ainda era grande e eles foram em busca de um “cantinho” bom e seguro para o seu novo lar. Saíram da cidade de Guarapari e foram morar em Vitória, onde os principais campi da universidade estão localizados. Navegantes de primeira viagem, alugaram um “apê” próximo à Ufes, que aparentemente atendia às suas necessidades. Wládia Marchezi, 20 anos, estudante de Administração, conta que no começo eles passaram alguns “perrengues” com bagunça e desorganização. Mas, quando o primeiro problema sério apareceu, eles se organizaram. “Um dos meus amigos se esqueceu de pagar a conta, daí atrasou e tivemos prejuízos. Foi nessa hora que tivemos que delegar funções e fixamos um quadro com as tarefas atrás da porta de entrada”, disse a estudante.

A convivência não é fácil, mas nem tudo são espinhos. Os benefícios são muitos e vale o esforço. Já está achando que eu vou falar das festas, né? Sim, elas existem! E também os barzinhos, fiéis companheiros. Com eles, a vida de república se torna muito proveitosa. Porém, eles só valem a pena porque se conhece pessoas diferentes, novas amizades são firmadas e as experiências são extremamente divertidas. Os almoços coletivos, as recepções em casa e os “esquentas” pré-balada também fazem parte. “Já rolou esquentas, sim, em casa. O bacana é que junta a galera de cada pessoa e, quando você vai ver, a reuniãozinha acabou virando quase uma balada. Já aconteceu de uma moradora chegar, dar de cara com pessoas desconhecidas e perguntar: ‘Quem são vocês? Estou na casa certa?’, e só depois se tocar que a anfitriã não aguentou o tranco e deixou os convidados sozinhos enquanto dormia”, lembrou Vanessa.

As “noitadas” não serão os únicos benefícios. Com a convivência, você aprende a testar os seus limites, ser mais flexível, a lidar com algumas situações pelas quais jamais passaria se estivesse morando com os pais. São muitos os aprendizados e obrigações. Mas lembre-se: você está na república para estudar. A estudante de Jornalismo, Mallena Arpini Pezzin, 20 anos, conta que trabalhar a paciência foi um dos maiores aprendizados. “Tive que aprender a ter muita paciência. Principalmente com as pessoas que utilizam todos os copos da casa para beber água e não lavam, com os atrasos no aluguel e até mesmo com o IPTU”, disse.

Lições do mercado

Bom, tem coisa melhor do que comprar todas as guloseimas que você quer sem que seus pais digam se pode ou não pose? Balas, pizza congelada, Danoninho… Huuuum, já está com água na boca? Seja precavido. Não gaste mais do que o necessário, senão a “grana” pode ficar comprometida e faltar no fim do mês. Para controlar essa situação, alguém pode ficar responsável pelas compras, podendo haver revezamento. Tenha uma lista fixa e acrescente ou retire os itens que variam cada mês. Para comprar verduras e frutas, se reorganizem quinzenalmente.

A saga das tarefas domésticas

A louça está suja? As panelas estão em cima do fogão? O banheiro continua aquela “zona”? Está na hora de fazer um quadro de tarefas! Sem dúvidas é a melhor solução. Evita problemas de convivência e mantém a casa limpa e organizada. Entra aqui também o pagamento das contas. Não deixe pra fazer isso em cima da hora, pague antes tudo o que puder.

Lavando a roupa suja

Acredite, a sua roupa não vai estar limpa quando você precisar! É preciso trocar o lençol, as toalhas, e você é o único responsável por isso. Nem todas as repúblicas possuem máquinas de lavar, então, caso a sua não tenha, se prepare para lavar à mão. “Ufa! Aqui tem máquina”.  Apenas lembre-se de que ela é um bem comum.

Usou? Lave. Sujou? Limpe

Fez aquele lanche rápido e retirou pão, ovo, maionese da geladeira? Então guarde tudo no lugar e lave o que sujou.

Festas

Vai fazer aquela “festinha” ou “aquecimento” pré-balada em casa? Fique atento que no dia seguinte a sujeira vai ser proporcional ou maior que o número de pessoas convidadas. Conversem entre si para combinar como será a forma de limpeza. Os vizinhos também são importantes, mantenha uma boa relação com eles. Afinal, som ligado até tarde incomoda quem não participa do evento.

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