Fotografia analógica ainda sobrevive na era digital

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[h4]Apesar de suas dificuldades e da facilidade proposta pelos produtos digitais, há ainda quem pratique a fotografia analógica. [/h4]

(Letícia Comério) E não é falta por falta de acesso à tecnologia, mas sim um hobby, uma opção. Com a maior acessibilidade da internet as novidades aparecem mais rápido e seu consumo torna os produtos facilmente atrasados e descartáveis, diminuindo seu ciclo de vida, diferentemente de antigamente, em que as coisas eram “feitas para durar”. Também há algum tempo o celular deixou de ser um aparelho exclusivamente feito para realizar ligações, assumindo outras funções, dentre elas tirar fotos, o que aumentou muito a quantidade de fotografias que circulam diariamente.

E está enganado quem pensa que fotografia analógica é coisa para pessoas mais velhas. “Se fossem pelos mais velhos essa cultura já tinha acabado, os jovens é que estão insistindo. Quem ainda revela, em sua maioria, são jovens”, afirma o gerente da Full Color, única loja de revelação de filmes em Vitória, Marcos Barbosa. O fato de não poder ver a foto logo após o disparo, faz com que se pense melhor a fotografia, ou seja, ela é feita com mais cuidado, além de criar curiosidade e expectativa em imaginar como as fotos vão ficar. “A tecnologia privilegia a preguiça. Não se pensa mais, tudo vem pronto”, observa Marcos.

Esse interessante processo criativo de construção da imagem reflete diretamente na qualidade do resultado. Sobre essa experiência a estudante Tarciana Bride comenta: “O que me atrai é que tudo é você quem controla ou escolhe não controlar, não é algo que você clica e já aparece pronto. Gosto do suspense de esperar uma foto pra ser revelada e ver como ficou, sem poder apagar o que você fez, e as vezes o resultado sair melhor que o esperado” e sobre sua prática e aprendizado com esse tipo de fotografia completa, “O que me levou a começar foi simplesmente uma questão estética, mas depois fui tomando gosto por escolher bem o que eu iria fotografar, afinal é uma coisa cara, portanto, você não vai querer desperdiçar uma foto numa selfie, por exemplo. E foi principalmente com uma SLR manual que aprendi a fotografar, porque precisava escolher todas configurações e se eu errasse perderia dinheiro.”

Em contrapartida a atual massificação e banalização da fotografia, feita pelas câmeras digitais e de celular, esse retorno ao passado com a foto analógica não é só um ato nostálgico e saudosista, gerações atuais estão descobrindo-a. “Sempre brinquei com câmera analógica, desde pequena. Quando minha mãe comprou sua primeira câmera digital ela me deu uma velha que tinha e revelava meus filmes. Acho que em 2011, navegando na internet, vi que ainda tinha uma galera que usava essas câmeras e achei o máximo porque lembrei como era legal e ai resolvi comprar outra câmera e vi os filmes diferentes, os jeitos que as fotos saem e achei a coisa mais legal do mundo porque tem aquela emoção de ter que revelar a foto pra ver como vai ficar e não da para tirar 599 vezes até acertar e depois ainda mexer no photoshop. Você tem que ver certinho porque só vai saber depois que estiver pronta. As fotos ficam com mais sentimento, é muito mais emocionante!” diz a estudante Lígia Teles.

Lomo Fisheye

Na fotografia analógica um dos seus diferenciais é que não existe certo ou errado. É possível fazer experimentações tanto nos equipamentos quanto nos filmes, o que aumenta a possibilidade criativa dos resultados, gerando imperfeições e efeitos que podem ser únicos, muitas vezes até imitados por filtros de aplicativos de fotos. Apesar de atualmente ser possível fotografar, ver, editar e compartilhar imediatamente, do ato fotográfico a revelação a fotografia analógica é uma experiência singular.

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