Série Memórias: Balão Mágico

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[h4]Grupo da década de 80 utilizava pichações como forma de comunicar reivindicações que ainda são atuais[/h4]

(Letícia Comério) Movimento cultural formado por estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo na década de 80, o Balão Mágico utilizava pichações, produção de vídeo, dança, teatro, performances e outras intervenções para contestar práticas autoritárias, reivindicar melhorias na estrutura física e no ensino, além da democratização da universidade, e falar de temas que mesmo depois de 30 anos, ainda geram polêmica.

Formado em 1983, início da abertura política no Brasil, o grupo quebrava com a ideia de que assuntos sérios deveriam ser tratados com muita seriedade. Na época estudante e membro do Balão Mágico e hoje professor de Estética da Ufes, Cleber Carminati diz que “com o processo de abertura nós começamos a ter mais acesso a informações de organizações e movimentos de autogestão. A gente via um processo de transição entre um regime autoritário e um regime democrático; a gente não era uma organização que tinha hierarquia, era uma autogestão, uma organização em cima de um projeto cultural”.

Uma das plataformas usadas como forma de expressão era a pichação, que foge do conceito tradicional estético do que é belo. “A ideia do estigma ainda é muito forte, da sujeira, do feio. Hoje se aceita o grafite como arte, mas a pichação, o grafite enquanto manifestação, sem levar em consideração o projeto estético stricto sensu é criminalizado. E nós não fizemos muita novidade. Na ditadura, o grafite, a pichação nas paredes,  era muito usado como suporte para o grito, para a expressão política. Usávamos aquele espaço para manifestação, para contestar. A gente provocava impacto, que é uma coisa que eu acho que a arte tem que trazer e mesmo que não seja uma obra do mercado que alguém compre e leve para casa, mas uma arte que dialoga com a rua, com a política”, lembra Carminati.

O desejo por mudanças dos jovens universitários que pertenciam ao Balão Mágico era o que motivava suas ações e produzia questionamentos. Sobre a diferença entre o estudante de Comunicação naquele período de atuação do grupo para o atual, o professor comenta: “É sempre os jovens que, de alguma forma, contestam os valores vigentes. Hoje, nós vivemos uma mudança marcada pelo neoliberalismo, o que acaba reforçando a competição, a concorrência, o individualismo; e a universidade preparando apenas  para o mercado de trabalho. Há uma cobrança muito mais forte sobre os jovens para se inserirem no mercado. A instituição de ensino deveria formar cidadãos e não profissionais para atuar no mercado; e isso o Balão falava muito. Nós queremos cidadania, nós queremos formar pessoas que tenham sensibilidade com responsabilidade social”.

Veja fotos de 1984 das primeiras pichações do grupo Balão Mágico na Ufes:

 

 

 

 

 

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Imagens do Acervo de Coleções Especiais, Sistema Integrado de Bibliotecas, Universidade Federal do Espírito Santo

 

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