Curso de Comunicação da Ufes suspenso pelo MEC tem plenas condições de funcionamento

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(Poliana Pauli e Vinícius Rocha) A decisão do MEC em suspender os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda da Ufes pegou muita gente de surpresa, particularmente os vestibulandos. Mas afinal, os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda podem ou não receber novos alunos? De acordo com o coordenador do curso de Comunicação Social da UFES, Rafael Paes, a resposta é sim. Entrevistamos o professor, que não tem dúvidas quanto à qualidade do corpo docente e à estrutura oferecida pela Universidade, para saber qual é a situação do curso atualmente e quais as perspectivas em relação à suspensão.

Qual a atual situação dos cursos de Comunicação Social no que se refere a infraestrutura, material humano e os outros critérios do MEC para a avaliação que foi feita?

O Departamento de Comunicação Social da Ufes, responsável pelas habilitações de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, conta, atualmente, com 24 professores, sendo que 62,5% deles (15 professores) possuem o título de doutor, outros três estão em processo de finalização de doutorado, três são mestres e três são especialistas. De 2009 para cá, novos concursos foram realizados e professores bastante qualificados trouxeram uma boa renovação e oxigenação ao curso. No que diz respeito a infraestrutura, podemos destacar que todas as salas de aula do curso de Comunicação Social são climatizadas, possuem equipamentos de projeção multimídia e boa parte possui tratamento acústico e cadeiras acolchoadas. Em 2010, um novo edifício de Laboratórios, e que também dispõe de mais salas de aula, foi inaugurado. O espaço oferece Laboratório de Informática com modernos computadores de 1 Terabyte; Estúdio de TV com 80 m2 de área e com tratamento acústico e luz fria; Estúdio de Fotografia; amplo Laboratório de Produção de Áudio, quatro salas onde funcionam as Ilhas de Edição Não-Lineares; Sala para redação jornalística e publicitária equipada com computadores, impressora e telefone via voip.

Ocorre que apenas a avaliação dos docentes foi o resultado de levantamentos da realidade local, realizada por meio de cadastro dos professores via Internet. Todos os outros índices que compuseram a nota são o resultado ou da nota que os alunos obtiveram na prova de conhecimentos específicos ou nas respostas, desses mesmos alunos, ao questionário que foi aplicado no mesmo dia da realização do Enade.

A avaliação da infraestrutura, por exemplo, foi obtida por meio da pergunta número 26 – “Aulas práticas: os equipamentos disponíveis são suficientes para todos os alunos?”. A organização didática também foi calculada com base na resposta de uma única pergunta do questionário. Foi a pergunta número 34: “Os planos de ensino contêm todos os seguintes aspectos: objetivos; procedimentos de ensino e avaliação; conteúdos e bibliografia da disciplina?”. As alternativas de resposta eram: (A) = Sim, todos contêm. / (B) = Sim, a maior parte contém. / (C) = Sim, mas apenas cerca da metade contém. / (D) = Sim, mas apenas menos da metade contém. / (E) = Não, nenhum contém.

A partir dessa pergunta, o MEC considerou-se como tendo avaliado positivamente a organização didático-pedagógica apenas os alunos que responderam (A). Desse modo, 70% do CPC insuficiente obtido por esses cursos, em 2012, são o resultado não de uma avaliação efetiva, mas do boicote e protesto organizados pelos alunos.

O senhor está de acordo com a avaliação do MEC? Há ou não condições de receber novos alunos?

Há plenas condições de receber novos alunos. Tanto no que diz respeito às condições estruturais quanto às qualidades didático-pedagógicas dos cursos. A avaliação não reflete, de modo algum, a realidade local. Prova disso foi a indicação da Revista Primeira Mão, desenvolvida pelos alunos do sexto período de Jornalismo, para o prêmio Expocom Região Sudeste 2013, como melhor revista-laboratório impressa.

Outro exemplo de como os cursos estão em plenas condições de oferecer um ensino de qualidade são as aprovações de diversos alunos egressos, nos principais programas de mestrado em todo Brasil e o altíssimo índice de empregabilidade no mercado de trabalho desses alunos. Também cabe destacar que o curso de Jornalismo ganhou sua quarta estrela na edição 2013, do Guia do Estudante, da Editora Abril, tonando-se o único curso de Comunicação Social do Espírito Santo com essa classificação.

Atualmente, estão em andamento dez projetos de extensão, além de outros dez grupos de pesquisa que investigam a Comunicação nos seus mais variados aspectos. Somente em iniciação científica, por exemplo, 31 alunos estão desenvolvendo suas pesquisas, com a orientação dos professores. Isso sem falar nas bolsas de extensão e nas monitorias.

Não me parece que esse seja o cenário para cursos que não tem mais condições de receber alunos ou que precisam ter o vestibular suspenso como medida cautelar de proteção dos vestibulandos. Ao contrário, acredito que os candidatos ao vestibular seriam os mais prejudicados com a aplicação da sanção.

A verdade é que nenhuma comissão do MEC visitou a Universidade antes de ser anunciada essa suspensão, de maneira que o Ministério desconhece as instalações e a organização pedagógica dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Ufes e parece estar punindo o boicote ao Enade promovido pelos alunos com uma medida que prejudica enormemente os 659 vestibulandos inscritos nos dois cursos.

Quais as principais deficiências e a relevância delas em relação à continuidade ou não do curso?

É preciso fazer uma reforma curricular para modernizar os conteúdos e adaptá-los à nova realidade da Comunicação. Mas isso não depende exclusivamente dos professores do Departamento. Estávamos aguardando a definição das novas Diretrizes Curriculares do Jornalismo, que foram aprovadas no segundo semestre deste ano de 2013, pelo próprio MEC para dar seguimento as mudanças.

A reforma do currículo de Publicidade e Propaganda também já está sendo pensada, mas precisaremos aguardar o trabalho de outra comissão de especialistas designada pelo MEC, que também trabalha em Novas Diretrizes de área, dessa vez para a Publicidade e Propaganda. Nada disso impede a continuidade dos cursos, mas faz parte de um processo normal e contínuo de adaptação do ensino à realidade do mundo externo à Universidade.

Há investimentos e/ou melhorias em andamento?

Novos equipamentos continuam chegando. Câmeras de vídeo, equipamentos de iluminação de estúdio, por exemplo, são as novidades que chegaram no final deste ano. A reforma curricular de Jornalismo será efetivada no primeiro semestre do ano que vem e a de Publicidade sairá assim que as Diretrizes federais forem definidas.

O senhor esteve em reunião na reitoria para tratar da suspensão do ingresso de novos alunos. Qual foi o desfecho da reunião?

Estivemos reunidos para elaborar o recurso à medida de suspensão que será encaminhado para o MEC.

Qual a sua expectativa em relação à decisão do MEC? Acredita que a situação será revertida?

Continuo acreditando que poderemos reverter a suspensão do vestibular e estamos trabalhando muito para isso.

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