O carnaval de quem faz samba

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[h4]Compositores das escolas de samba capixabas contam sobre o processo de criação de um samba-enredo e a emoção de ver seu hino na voz da comunidade.[/h4]

Eduardo Dias, Henrique Montovanelli e Mateus Cordeiro – Estamos no inicio do mês de agosto e ainda faltam aproximadamente 200 dias para carnaval de Vitória. Porém, para as Escolas de Samba que desfilarão no Sambão do Povo em 2014, o tempo é curto e os preparativos já estão a todo vapor.

As agremiações já realizam ensaios e começam a caminhada para o tão sonhado título de campeão do carnaval capixaba do próximo ano e para aqueles que não vivem tão intensamente o mundo do samba, não se espantem, um carnaval começa bem antes da sexta-feira de momo.

O primeiro ponto é definir o enredo – o tema e a história que a escola vai contar na avenida. Os carnavalescos se reúnem e, geralmente, logo após um desfile, o enredo da próxima festa já está escolhido.

A partir disso começa o momento tão aguardado para os sambistas: as disputas para escolha do samba-enredo, o hino que vai embalar a escola durante a fase de preparação, ensaios técnicos e será um dos quesitos que estarão em julgamento no desfile oficial.

Douglas Jacaré
Douglas interpretando samba de sua autoria

O compositor Douglas Alves, conhecido no mundo do samba capixaba como Jacaré, que já possui cinco sambas de sua autoria gravados falou sobre o processo de criação de um samba-enredo “O começo de tudo é quando o carnavalesco entrega a sinopse do enredo e dá dicas de palavras-chaves do que devem ser colocadas no samba concorrente. A partir disso começamos a discutir com os parceiros de composição nossas ideias de melodias e letra. Juntamos tudo e levamos a letra final para a gravação e a disputa”

As disputas costumam ser acirradas e nas escolas mais tradicionais o número de sambas concorrentes passam de uma dezena. Aí é que entra outro fator importante na competição para ver sua música se tornar um hino de uma escola de samba: os gastos.

Leley do Cavaco
Compositor Leley do Cavaco gravando um de seus sambas

O compositor Leley do Cavaco, campeão em diversas agremiações do carnaval capixaba, falou sobre o investimento para fazer um samba vencedor. “Entre gravação e apresentações já chegamos a investir até R$ 1.500,00, e isso ainda é pouco tendo em vista que a nossa parceria, além de compor, também grava a obra. Algumas parcerias ainda têm que pagar material humano para as gravações”.

Ainda sobre os gastos Douglas ressaltou o fato de as premiações oferecidas pelas escolas de samba não cobrirem nem metade do investimento feito “Fazemos samba-enredo por amor, pois na maioria das vezes, a premiação oferecida pelas escolas não cobrem nem metade dos nossos gastos. Acredito que isso não seja culpa somente das agremiações, que também precisam de apoio, mas uma maior premiação é importante para a valorização dos compositores”.

Por fim, Leley falou sobre a emoção de ver um samba de sua autoria passando na avenida. “Ver um samba da sua parceria na avenida é uma emoção sensacional, afinal é como se durante ensaios e apresentações da escola antes do carnaval estivéssemos acompanhando o crescimento de um filho e no dia do desfile ele estivesse comemorando aniversário,  é incrível”.

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