Feiras, tradição milenar

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[h4]A feira, prática simples que iniciou na Idade Média, cresceu, agregou características e interesses e, hoje, se classifica e se distingue em especificidades.[/h4]

Astrid Malacarne, Daiane Delpupo e Jéssica Romanha- Um lugar onde pessoas que precisavam de determinadas mercadorias se encontravam e estabeleciam contato por meio da troca de excedentes. Assim eram as feiras livres, que datam da Idade Média, fruto do surgimento dos burgos – núcleos populacionais ao redor dos castelos medievais.  Com o nascimento das vilas no feudalismo, era comum as feiras acontecerem nas praças das Igrejas ou nas entradas das pequenas cidades.

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Foto: Site faculty.nmu.edu

Essa prática contribuiu para o desenvolvimento do comércio medieval e para o crescimento das cidades. “Também fez aumentar a conexão entre os centros urbanos e o campo”, explica o professor da Ufes, especialista em História Medieval, Ricardo da Costa.

Segundo o professor, as feiras contavam com as bênçãos da Igreja Católica para garantir seu “status” e condição de confiança social, “isto é, que não seriam cobrados preços considerados abusivos pela tradição ética cristã. Embora isso, na prática, nunca tenha sido totalmente implementado, por causa do desejo de enriquecimento dos mercadores”.

O crescimento da Europa, a partir do século XIV, tem nas feiras um de seus aspectos mais notáveis. De acordo com o professor, foi graças a elas que os camponeses podiam vender o excedente de suas terras. Alguns até enriqueceram com isso. “O comércio de média e longa distância teve seu escoamento favorecido. A economia aqueceu, a sociedade cresceu. A feira era um lugar de sociabilidade. Uma cidade com uma feira pujante era sinal de prosperidade e bom governo”, afirma.

Essa prática de troca de mercadorias por dinheiro persiste até hoje com as feiras de hortifruti e de artesanato nos grandes centros urbanos e, também, no interior. Foi com as feiras que surgiram os grandes centros comerciais e a economia que conhecemos hoje. As feiras, no entanto, se redefiniram e, com isso, surgiram novas relações de troca.

As feiras mais tradicionais e mais vistas nas cidades, em todo canto do Brasil, seja metrópole ou lugarejos do interior, são as famosas feiras de produtos agrícolas. Essas foram iniciadas pelos imigrantes alemães, poloneses e italianos, em meados do século XIX. Com suas carroças, os imigrantes levavam o que produziam em suas chácaras até a cidade, lançando a concepção da comercialização de hortifrutigranjeiros.

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Fotos: Daiane Delpupo

Essa concepção se mantém até hoje. Nas feiras, espalhadas pelos grandes centros, os produtores do interior, em sua maioria descendentes de imigrantes, levam verduras, frutas, legumes, grãos, farinha, queijo, pães caseiros e tantas outras mercadorias para serem vendidas na cidade.

Esse tipo de feira, que antes se resumia a produtos agrícolas, atualmente possui características que a classifica como feira agroindustrial. Hoje, além dessas mercadorias agrícolas, também oferecem frios, carnes, pescados, massas e alimentos produzidos artesanalmente, além de acessórios e confecções, em geral.

Outras feiras que ganharam espaço no comércio livre das cidades são as de artesanato, onde são encontradas peças feitas por artesãos e artistas que expõem seus trabalhos. No Espírito Santo, e também em outros estados do Brasil, é possível estabelecer um contato mais próximo com o criador da obra, pois geralmente é ele quem está na barraquinha vendendo sua arte.

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Foto: Astrid Malacarne

O trabalho é mais do que vender um produto ou expor uma obra. Os artesanatos, em geral, são peças feitas a mão e de caráter único e autoral. Hoje em dia, com a produção em larga escala, também é possível encontrar várias peças semelhantes. Porém, todas foram feitas pelo artesão, sem intervenção industrial.

Além de encontrar peças únicas, as feiras de artesanato também são ponto de encontro e de passeio nas cidades. Nelas, também há uma área destinada a barraquinhas de comida onde as pessoas podem se alimentar depois de apreciarem ou comprarem os artesanatos.

Já a feira de negócio traz características marcantes em relação às primeiras e às atuais feiras. O volume de expositores, por exemplo, é muito superior ao das feiras de hortifruti e artesanato, chegando à casa dos milhares. Os espaços geralmente são pavilhões e grandes cerimoniais dotados de detalhes de sofisticação, como recepcionistas, ambientes climatizados, garçons e tapetes vermelhos. Os valores de transações em média, por empresa, podem chegar a R$ 500 milhões, por feira.  Elas também atraem autoridades públicas, estudantes e empresários devido ao número de negócios firmados, da mescla de investidores nacionais e internacionais reunidos e pelas novidades tecnológicas, de sabores, qualidade e diversidade expostas.

Cada comerciante possui seu estande e neles são oferecidos, produtos, serviços, financiamentos, entre outros. Painéis técnicos, de conteúdo setorizado, também são expostos nas feiras. O Espírito Santo tem como referência a principal feira de negócio da América Latina, a Vitória Stone Fair, referência no setor de rochas ornamentais.

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Foto: Site Stone Fair

As feiras de negócio não se limitam às compras e vendas, elas também são uma boa oportunidade para participar de congressos, minicursos e palestras. Além disso, é um ótimo ambiente para fazer networking com pessoas de mesmo interesse, o que pode gerar oportunidades para futuras negociações e parcerias.

Esse é o início de uma série de reportagens em diferentes narrativas e perspectivas sobre os tipos de feiras. Confira novas postagens nos próximos dias.

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