O despertar político

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[medium]Foto: Lais Lorenzoni[/medium]

[h4]Jovens assumem novas posturas diante do cenário de manifestações e descontentamento político[/h4]

Astrid Malacarne, Daiane Delpupo e Jéssica Romanha
Quando nos afastamos da política, e nos tornamos inertes às decisões tomadas pelos nossos governantes, nos distanciamos, juntamente, daquelas decisões que regem a vida civilizada e ditam as regras, as leis e os parâmetros para o nosso viver individual e coletivo. Estamos tão envolvidos com nós mesmos que quando, de repente, percebemos que o outro ao lado quer lutar e luta pelas mesmas quebras de paradigmas que nós, nos sentimos atropelados pelo sentimento coletivo. O mais interessante é que quando vamos para as ruas não só vai o “eu” – cheio de individualidades e conceitos -, mas vai o “nós”. Viramos um conjunto de indignações por motivos variados, decepcionados com os atos de corrupção, desvios, imoralidades e desigualdade, que só deseja mudanças no sistema vigente.

Diante dessa perspectiva é que milhares de jovens e adolescentes saem às ruas, cheios de esperança, levantando seus cartazes com cobranças e repúdio pela situação política brasileira. Chegamos ao limite da nossa tolerância. As questões públicas conseguiram penetrar nossa zona privada e levar milhares a bradar por segurança, saúde, educação, transporte público, qualidade de vida, etc.

Renato Feitoza é brasileiro e inconformado com a nossa atual situação política. O jovem confessa que há algum tempo discutia com os amigos sobre a política brasileira, mas que devido aos protestos essas discussões se intensificaram. “Me sinto decepcionado com os rumos da política no país”, diz. Para ele, a política no Brasil serve para beneficiar, somente, os próprios detentores do poder. “A atual estrutura da nossa política é totalmente desfavorável para o povo, por isso a gente vê o que acontece hoje nas ruas.” O jovem de 24 anos, que participa das atuais manifestações e chama todos os amigos na sua foto de capa no Facebook com a hashtag “VemPraRua”, comenta: “É importante ir para as ruas, a pressão está funcionando, os brasileiros estão acordando aos poucos, e eu sei que as coisas vão mudar.”

Kariny Santos é estudante e tem o sonho de ser presidente do Brasil. “Diante de tudo que passamos hoje, quero poder chegar lá e fazer diferente”. A adolescente de 15 anos diz que antes não refletia sobre o cenário político brasileiro, nem se interessava em ler sobre o assunto, mas agora já pensa diferente. “Converso sobre política em casa e faço debates entre amigos”, conta. A jovem que se reuniu com amigos da igreja para participar de protestos na Grande Vitória afirma que o Brasil precisa mudar e que ela, hoje, luta por isso. “Vou às ruas por que sou contra a construção da Usina de Belo Monte (que atualmente enfrenta problemas políticos, técnicos, financeiros, ambientais e trabalhistas), por causa do descaso com o dinheiro público e pela falta de hospitais.”

Moises Littig, 22 anos, estudante de Medicina, confessa que a onda de protestos chamou a sua atenção para saber mais sobre política e se inteirar sobre o que se passa no Brasil. Ele diz que a sua grande decepção com a política brasileira é a má vontade dos políticos em resolver os problemas da população. Em contraponto, ressalta “Estou indo para as ruas protestar, pois sei que se não mostrarmos o que está errado, o que não estamos de acordo, o governo não vai mudar. O governo não muda se ficarmos na zona de conforto, da qual estamos saindo.”

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