Segurança privada atuará com a Polícia Militar em eventos mundiais no Brasil

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[h4]Cerca de 50 mil vigilantes serão contratados para a Copa do Mundo de 2014, atuando na segurança interna de jogos e eventos das cidades-sede[/h4]

foto: Lais Lorenzoni

Karolina Lopes – Os eventos esportivos mundiais que acontecerão no Brasil estão cada vez mais próximos e, com a chegada da Copa das Confederações, a FIFA e o Governo Federal já definem os procedimentos de logística e segurança, para que as expectativas internacionais sejam atendidas. De acordo com o projeto, a Federação Internacional de Futebol pretende contratar 50 mil vigilantes para atuarem nas 12 cidades que sediarão os jogos.

O especialista e ex-superintendente da Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal (Delesp), Adelar Anderle, ressaltou que os profissionais terão que realizar curso de treinamento para atuação em grandes eventos (5h/aula, disponível em 200 escolas no país), além do curso de vigilante, que só pode ser feito por maiores de 21 anos.

Segundo o modelo de segurança acertado entre o Governo Federal e a FIFA, os vigilantes farão a segurança intramuros do evento, ou seja, atuarão nas concentrações, estádios e hotéis. Os profissionais também farão a segurança dos espaços reservados para representantes da FIFA, convidados Vip e patrocinadores, além de atuarem nas Fanfests, eventos que acontecerão antes e/ou depois das partidas por todo o Brasil. A Polícia Militar e suas tropas ficarão no entorno dos eventos e disponíveis para deslocamentos, de acordo com eventuais demandas, atuando na segurança preventiva e ostensiva.

O conceito trabalhando pela FIFA neste tipo de evento é de “mãos limpas”, e, para tanto, os vigilantes não utilizarão armamento letal, mas vão contar com o suporte de apoio especializado da polícia, que ficará de stand by para casos de tumultos e violência, reforço que o Governo exigiu que fosse aceito pela FIFA.   Nos estádios, também estarão disponíveis os serviços públicos de saúde, corpo de bombeiros e juizados de infância e juventude, exigidos pela lei brasileira em qualquer evento privado de grande porte.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Espírito Santo (Sindesp-ES), Jacymar Delfinno Dalcamini,  os vigilantes precisam entender claramente a fronteira entre público e privado, pois as tarefas que competem a cada grupo serão pré-determinadas pelo espaço físico. “Queremos deixar um legado após a realização dos eventos mundiais, com equipes privadas no interior dos estádios, liberando as forças públicas de segurança para o trabalho externo. É uma oportunidade de mostrarmos que o projeto funciona e, pleitearmos, esse espaço em campeonatos nacionais”, aposta.

Apesar da expectativa do sindicato, nenhuma empresa capixaba foi contratada, já que o estado não vai participar dos eventos. A assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Publica do Espírito Santo (Sesp-ES), por meio de nota, ressaltou que a atuação da segurança contratada em eventos privados é um método já bastante usado, mas não há projetos de parceria no que compete às funções que cabem à polícia. “A segurança de eventos privados é de responsabilidade de quem os realiza. Mas, para isso, os organizadores precisam comunicar à polícia, com antecedência, o porte do evento e critérios básicos, como presença do Corpo de Bombeiros, de assistência médica emergencial e juizados de infância e juventude. A polícia atua no entorno, para garantir a segurança e organização externa, e só entra no evento em um caso emergencial. Não há parceria com a segurança privada. O campo de atuação é extinto e muito bem definido”, esclareceu a nota.

Vulnerabilidade do Espírito Santo

Outro aspecto importante na atuação de vigilantes é quanto à segurança pública no Espírito Santo durante a Copa. Devido à proximidade com o Rio de Janeiro e a Bahia, o estado pode virar o que Adelar Anderle chamou de “depósito periférico momentâneo de bandidos”, levando em consideração que a prática criminosa deve estar reprimida nas cidades que sediarão os eventos e ganharão visibilidade mundial. Assim, há a preocupação de que, em função da proximidade geográfica e das semelhanças em praticas criminosas entre o os demais estados da Região Sudeste, o ES possa se tornar uma válvula de escape e, com isso, ter que lidar com uma demanda ainda maior de violência e criminalidade.

A assessoria da Sesp-ES ressaltou ainda que esta já é uma questão trabalhada pela entidade. “Nós estamos traçando estratégias e trabalhando com a possibilidade de que haja um movimento de migração criminal para o ES durante os eventos, mas é importante ressaltar que ainda não há força nessa tendência. Nossa estratégia está atrelada ao reforço de policiamento e vigilância em rotas de acesso ao estado”, diz a nota. O receio se dá pelo reforço Federal em policiamento que as cidades-sede receberão durante os eventos, mas não haverá retirada de policias capixabas para este reforço, já que será por parte da Polícia Federal e das Forças Armadas.

O especialista em segurança privada, Adelar Anderle, acredita que, caso o Espírito Santo não esteja na rota de alguma seleção de futebol para concentração e treinamento durante o Mundial, uma das alternativas do governo para garantir a redução da criminalidade seria a integração da segurança privada com a segurança pública. “O Espírito Santo deve formular uma estratégia ostensiva contra o “lixo criminal”, através da logística de acesso ao estado, construindo barreiras policias de vigilância e fiscalização de estradas, água e ar, mas o governo também deve trabalhar com outras possibilidades e investir no recebimento de equipes nos Centros de Treinamentos para movimentar a economia do estado. Não temos muitos exemplos de casos onde houve a integração das forças de segurança, mas é um desafio e o momento de provarmos que dá certo”.

 

 

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