Rubem Braga, o fazendeiro do ar

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(Karla Danielle Secatto e Lila Nascimento)

Em janeiro de 2013, celebrou-se o centenário de Rubem Braga. Em comemoração a este grande nome e à data, uma exposição interativa acontece no Palácio Anchieta desde o dia 26 de março. O público pode apreciar as crônicas, textos e reportagens desse capixaba que foi repórter, editor, escritor, amante das artes e diplomata.

Rubem Braga nasceu e permaneceu em Cachoeiro de Itapemirim até os seus 15 anos. Como todo bom cachoeirense, sua cidade natal é a “capital secreta do mundo”, por isso referências a ela e ao tempo em que lá viveu se fizeram presentes em inúmeros textos. Cachoeiro deixa de ser segredo e passa a ser admirada por meio de fotos e das impressões que deixou em Rubem Braga, que as transformou em belas poesias e declarações.

A mostra leva a uma imersão no mundo da leitura: um dos espaços está coberto, do teto ao chão, com suas crônicas. Com um clique na máquina de escrever,  os textos se tornam disponível para leitura na tela do tablet. A cada espaço expositivo, uma nova face de Rubem Braga pode ser conhecida e apreciada. Quem quiser, pode levar para casa uma versão do texto impresso.

O que será que ouvira Rubem Braga quando repórter? Que notícias viu e transmitiu quando corresponde de guerra?  Os visitantes têm a oportunidade de sentar e ouvir o capixaba narrar 10 das inúmeras situações que relatou, como a morte de Mussolini em praça pública.

Não era sobre os horrores da guerra que preferia escrever. De aviões de guerra aos pássaros que admirava, a exposição nos põe de frente ao céu azul, onde aves interagem digitalmente com a sombra do visitante, e onde podemos nos identificar com um homem que, mesmo com toda experiência, manteve a simplicidade.

“Devo confessar preliminarmente que, entre um Conde e um passarinho, prefiro um passarinho. Torço pelo passarinho. Não é por nada. Nem sei mesmo explicar essa preferência. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O Conde não sabe gorjear nem voar. O Conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de fábricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos operários, dos teares, das máquinas de aço e de carne que trabalham para o Conde. O Conde gorjeia com o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o Conde é um industrial, e o Conde é Conde porque é industrial. O passarinho não é industrial, não é Conde, não tem fábricas. Tem um ninho, sabe cantar, sabe voar, é apenas um passarinho e isso é gentil, ser um passarinho.”
– O Conde e o passarinho, Rubem Braga

O cachoeirense provavelmente foi o único que levou uma bateria de samba aos salões do Palácio Anchieta. A Escola de Samba Unidos de Jucutuquara, que no Carnaval deste ano fez uma homenagem ao escritor,  apresentou seu samba enredo na abertura da exposição. Essa não foi a única inovação inspirada pelo inventor da crônica moderna. No mesmo dia, o governador Renato Casagrande assinou um decreto que institui a Comenda ‘Rubem Braga’, que será entregue  anualmente em 05 de novembro, Dia da Cultura Capixaba, visando a promover o reconhecimento público de ações, história e memória de artistas, profissionais, autoridades e dirigentes que se destacam e contribuem para o desenvolvimento cultural do Estado.

Após esse contato com Rubem Braga, ainda se tem a oportunidade de sentar-se em sua cobertura e conhecer seus amigos. Em um espaço que retrata a vista da cobertura em que morou em Ipanema, a exposição finaliza a experiência com vídeos com depoimentos de amigos próximos do escritor, como Ziraldo, Ana Maria Machado, Fernanda Montenegro, dentre outros.

A exposição ‘Rubem Braga – o fazendeiro do ar’ segue aberta para visitação até o dia 26 de maio, com entrada franca. Depois segue para São Paulo e Rio de Janeiro, e por fim chega a Cachoeiro de Itapemirim, na Casa dos Braga. Uma experiência tão rica quanto a vida do homem que a inspirou.

(Karla Danielle Secatto e Lila Nascimento)

 

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