Poesia de internet

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(Lívia Corbellari)

“Thalita Covre nasceu na ilha de Vitória. Vinte e poucos anos depois graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo. Tornou-se fotógrafa por acaso e poeta para manter-se viva”. Assim Thalita se descreve na contracapa do seu livro de estreia, Cacos de Verbos Inflamados. Para a escritora, a literatura é algo vital e inerente à sua forma de ver o mundo. “É uma reflexão, uma forma de perceber a morte e a vida, e eu só consigo sentir certas coisas por meio da palavra”, explica.

A obra, entretanto, não existe fisicamente apenas em formato digital publicada na internet. O livro é uma compilação de poemas que eram postados em seu blog e alguns poucos inéditos. Thalita conta que o blog lhe servia como uma espécie de diário, e que ela tinha essa prática de escrever textos pessoais desde muita nova. Quando começou a usar o computador só mudou a plataforma, que migrou do papel para a internet.

Cacos de Verbos Inflamados é um dos versos que compõem as páginas virtuais do e-book e foi sugestão da poeta, e também amiga de Thalita, Fernanda Tatagiba. “Quando ela leu o livro ela me disse que essa frase resumia a obra inteira e que seria um ótimo título”, conta a escritora.

Thalita Covre também é professora de literatura e descobriu seu interesse pela arte da palavra meio por acaso ainda criança. “Quando eu tinha uns 14 anos minha mãe me deu um castigo: ler o Dom Casmurro inteiro e depois ela me faria perguntas. Só que eu amei o livro e comecei a ler tudo de Machado de Assis”, conta Thalita.

A paixão pela literatura foi uma influência da mãe e também dos professores, que costumavam elogiar suas redações. Por isso acabou escolhendo o curso de letras quando prestou vestibular e mais ou menos na mesma época começou o blog Paroi de Lamentation, que logo alcançou um alto número de leitores.

“No inicio do blog, era uma escrita inocente, um tanto espontânea. E eu ainda não escrevia poemas, era mais prosa, aos poucos fui me aproximando de uma linguagem mais poética”, lembra Thalita. “A poesia é um trabalho mesmo, de estar sempre procurando as melhores palavras para formar os versos, além de um estudo muito intenso sobre as coisas que eu quero escrever”, completa.

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Thalita conta que optou por publicar sua obra no formato online para que seu público tivesse acesso ao conteúdo com mais facilidade. De fato, neste caso, a plataforma foi mais eficiente do que a impressa, uma vez que seu público eram as pessoas que já a conheciam pelo blog.

O livro é dividido em partes: Pele, que tem como temática o corpo; Silêncio, sobre a palavra – ou sua ausência; Paralisada, que também se refere à falta e à ausência; Mar, sobre a chuva; e Outros, sobre relações. Com uma escrita intimista reflexiva, a autora confessa que cada parte da obra representa um momento de sua vida.

De influencia ela cita alguns poucos poetas como Clarice Lispector, Drummond, a amiga Fernada Tatagiba, Manuel de Barros e a capixaba Viviane Mosé, que ela pode conhecer e trocar ideias durante a Oficina da Palavra, evento que aconteceu na Ufes em 2009.

Cacos de Verbos Inflamados contou com a ajuda dos amigos para ficar pronto, a diagramação ficou a cargo de Karina de Sá e a capa foi feita por Lucas Côrtes. Em seguida, Thalita o armazenou em um site que transforma arquivos de textos em Flash. Sobre a popularização dos e-books, Thalita afirma: “No Brasil, está bem lenta. Mas não deixa de ser – e eu creio que cresça – um caminho viável para aqueles que querem publicar seus livros e revistas sem muitos custos”.

Serviço

Leia o livro Cacos de Verbos Inflamados

 

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