Entre desenhos e palavras

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(Lívia Corbellari)

Diego Lobo sempre gostou de inventar histórias e desde criança fez isso por meio do desenho. Costumava inventar mundos fantásticos e personagens excêntricos que se tornavam reais nas suas histórias em quadrinhos no estilo mangá. Até que o desenho começou a limitar suas ideias, que não cabiam mais nos pequenos quadros.

“Eu senti a necessidade de expandir minhas histórias e a literatura me pareceu a melhor maneira de fazer isso”, conta. Diego resolveu disponibilizar sua primeira grande narrativa na internet e teve uma resposta positiva do público, que o incentivou a publicar o que escrevera. Assim nasceu o livro Luxúria (Editora Dracaena), que inicia uma séria composta por mais três livros, Inveja e Avareza, que sai ainda este ano, Ira e Preguiça e Gula e Vaidade.

A trama envolve romance, magia e suspense e tem os jovens irmãos Cherry e Mike White como personagens principais. Enquanto eles ainda estão se adaptando ao novo lar na casa da avó, os dois conhecem sete estranhos jovens, que são a personificação dos pecados capitais. Diego propõe ao leitor um universo cheio de tentações e perigos mortais, “escrever para mim é poder compartilhar com as pessoas um pouco do que se passa na minha cabeça”, revela.

lalalalO escritor conta que os animes a mangás (desenhos de estilo japonês) serviram de referência para a sua literatura. “Foi onde conheci os primeiros mundos mágicos que incitavam minha imaginação e a vontade de criar uma história só minha”, diz. A pesquisa também foi importante para a composição da obra. Diego estudou um pouco sobre história cristã, mitologia e New Castle, cidade da Inglaterra onde se passa a trama.

“A questão dos sete pecados envolve um pouco de catolicismo. Apesar de me basear na bíblia, eu me permiti uma liberdade bem grande para criação. Por exemplo, ao invés de dizer que Adão e Eva tiveram apenas dois filhos, falei que eles tiveram sete e cada um deles era um pecado”, conta.

Formado em Publicidade, Diego revela que procurou deixar sua obra atraente para o mercado editorial e para o público jovem, mas que teve muito cuidado para manter seu estilo e originalidade. “Como é meu primeiro livro, achei importante mesclar essas duas características”, afirma.

Apesar de confessar ser um leitor compulsivo, na orelha de seu livro ele se descreve como um menino que nunca foi elogiado por seus professores de português na escola e ainda diz que seus familiares provavelmente devem estar surpresos por saberem que seu livro foi publicado. “Eu nunca tive experiência com escrita dessa forma antes. Por isso, durante o processo de criação do Luxúria, precisei aprender a fazer literatura, para poder expressar corretamente para as pessoas o que estava na minha cabeça”, declara.

O contato com a editora foi um capítulo à parte, Diego começou a escrever seu livro em 2008 e terminou um ano depois, mas só conseguiu publicá-lo em 2012. Ele mandou o original para dezenas de editoras e enfrentou muita burocracia até que recebesse uma resposta positiva da editora catarinense Dracaena. Agora, o autor se depara com outra etapa difícil que é a divulgação e distribuição do livro. Depois do evento de lançamento ele conseguiu uma parceria com a Livraria Leitura e sua obra também foi adotada por um colégio particular de Vila Velha.

“Se você acredita realmente na sua obra, não desista. Aqui no estado as coisas são muito difíceis. Assim como no Brasil todo, há uma extrema valorização de tudo que vem de fora, mas mesmo assim continue tentando que você vai encontrar o seu espaço”, aconselha Diego aos novos escritores.

Serviço

Você pode adquirir o Luxúria na página do Facebook, ou no site da obra

 

 

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