Um cinema alternativo

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(Ayanne Karoline, Juliana Borges e Thaynara Lebarchi)

Quando surgiu em 2006, o Cine Jardins era mais um cinema comercial com o intuito de atrair lojistas para o shopping em que se encontra, exibir filmes comerciais e agitar o bairro Jardim da Penha, que tem um perfil de pessoas jovens e antenadas, um bom público alvo para o cinema.

Mas com a chegada do produtor cultural Marcos Valério Guimarães na equipe em 2007 foi inserida uma sala digital que exibia filmes de arte, deixando o cinema com um duplo perfil, oscilando entre o comercial e o alternativo.

Em 2008 foi a vez de outro produtor cultural mudar mais uma vez o rumo do Cine Jardins. Desta vez, Talmon Fonseca Júnior chegou para radicalizar um pouco mais o estilo proposto pelo cinema. “Com minha chegada, mostrei ao proprietário que estes perfis, comercial e alternativo, não se harmonizavam, e defendi que as duas salas poderiam ser de filmes com conteúdo, descartando uma grande gama de filmes inúteis em sua essência. Radicalizei a proposta para o alternativo, sem radicalismos extremos, mas com personalidade”, disse.

Desde então o Cine Jardins vem se tornando uma alternativa ao cinema comercial e popular para o público capixaba que curte cinema e quer algo a mais do que o oferecido normalmente. Exibindo filmes com diversidade de culturas e temáticas o cine jardins traz, em média, 60 a 80 filmes por ano, que não chegariam a Vitória, se não existisse esta proposta.

Produções internacionais da Europa, Ásia, América Latina e brasileiros também atraem o público cinéfilo. A publicitária Carolina Goulart faz parte deste grupo e é presença constante no cinema. “Eu frequento o Cine Jardins porque ele tem sempre uma cartela de filmes diferente, como eu gosto de cinema independente, autoral, é sempre uma ótima opção. Eu gosto também porque dá pra assistir produções de países como, Irã, Israel, Finlândia. Normalmente os cinemas convencionais não exibem esses filmes, preferem mais os comerciais e de bilheteria gigante. Então é uma oportunidade de ter contato com filmes assim, além de ser um cinema super charmosinho”, relata Carolina.

A estudante Luanna Esteves também compartilha da opinião de Carolina. “O Cine Jardins tem uma proposta diferente das tradicionais salas de cinema, a programação é recheada de filmes que não são blockbusters, além de incentivar a reflexão dos filmes. É comum antes de uma sessão, vir um funcionário do cinema e situar o filme histórico-político e geograficamente”, diz Luanna.

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De acordo com Júnior, o Cine Jardins oferece sessões de filmes de todo o mundo, prevalecendo os europeus como franceses e alemães, porém, os asiáticos, brasileiros e da América Latina também são constantes, assim como os americanos que possuem conteúdo condizente com o estilo do cinema.

Na seleção dos filmes exibidos, Júnior conta com a ajuda do realizador cultural Diego Barbosa, que é seu braço direito na programação do cinema.   “Estamos sempre antenados com o desejo dos frequentadores, apesar de descartar algumas obras que não acho que estejam com o perfil da proposta do cinema. Também há trabalho de pesquisa em sites, revistas, festivais, além das contribuições do público e minha experiência já bastante desenvolvida por minha história com este tipo de trabalho”, conta o produtor.

Para Júnior a mentalidade seguida é que o cinema não pode funcionar só nas horas comuns de sessões comerciais. Programações diferenciadas são feitas todos os dias para que o espaço esteja “sempre pulsando, vivo e dinâmico”. Outro desafio enfrentado por ele é manter a equipe do cinema sempre interessa no que faz, apesar das diferenças de perfil de cada um entre as funções, para que o resultado seja satisfatório.

O cinema também possui projetos sociais consolidados como o “Projeto Escola” que traz, em sua maioria, crianças de escolas públicas para assistirem filmes infantis. “Criei este projeto no Espírito Santo e com ele possibilitamos que milhares de crianças que nunca haviam pisado numa sala de cinema pudessem ter esta diversão”, relata Júnior, que ressalta contemplar mais de 100 escolas por ano com a iniciativa.

Cine Jardins Capa

 Além do Projeto Escola, o Cine Jardins realiza mostras semestrais de filmes de diversos países, mostras alternativas de instituições que procuram o estabelecimento, com temáticas relacionadas ao audiovisual, e aniversários com exibição de filmes. Há também a “Mostra Varilux de Cinema”, que tem como objetivo lançar filmes de língua francesa no mercado brasileiro. A mostra que é da embaixada francesa, com apoio da “Aliança Francesa” tem alcançado grande sucesso de público nas suas edições.

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Mostra realizada pelo cinema.

Na opinião de Júnior, a proposta tem agradado o público capixaba, assim como a equipe por trás de todo o trabalho. “Amamos esta arte e acreditamos que ela possa, em sua dinâmica, contribuir individual e coletivamente no processo de conscientização das pessoas. Nosso objetivo é manter o nível da programação e valorizar o cinema nacional que tanto defendemos. Continuaremos com nossa proposta de ver filmes de qualquer país, com temáticas e realizações inovadoras”, relata.

Os anseios para o cinema são ambiciosos, mas sempre condizentes com a realidade. “Gostaria muito de poder ter um patrocinador para realizar muitos outros projetos, mas gosto também deste não crescimento, de manter esta estrutura pé no chão, informal, com respeito ao público e ao cinema. Não gosto muito de coisas que crescem e se tornam convencionais. Gosto de pequenos projetos ricos em conteúdo. Pelos comentários estamos indo bem, espero continuar assim”, finaliza Júnior, orgulhoso dos resultados obtidos.

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