Toda poesia

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(Lívia Corbellari)

Sergio Blank e seus versos sonoros e irônicos influenciaram toda uma geração de escritores do Espírito Santo, nas décadas de 80 e 90. Com a sua bibliografia fora de circulação e sem material inédito publicado desde 1996, Blank resolveu ressuscitar seus poemas. Em parceria com a Editora Cousa, ele reuniu todos eles em uma só obra: Os Dias Ímpares. A coletânea inclui os livros Estilo de ser assim, tampouco (1984), Pus (1987), Um, (1988), A Tabela Periódica (1993), Vírgula (1996) e dois poemas avulsos: A torto e a direito e aos que mordem sem latir.

A obra do Blank se destaca, pois representa um dos conjuntos mais sólidos de poemas produzidos no Espírito Santo nos últimos 30 anos e está em pé de igualdade com a produção nacional do mesmo período, diferenciando-se apenas por questões de distribuição e mercado editorial. Como prova da sua importância, seus versos já foram tema de uma dissertação de mestrado apresentada na Ufes por Sinval Paulino, que se transformou no livro Sol, solidão: análise da obra de Sérgio Blank, publicado em 2007.

“Escrevo por uma necessidade de mostrar quem eu sou, o que eu sinto, minhas dúvidas”, explica Blank. Ele também conta que seu processo de criação envolve um olhar ao redor com mais gentileza e criticidade. Além disso, não é só escrever e sim “burilar o texto” até que ele ganhe a forma desejada. “Minha proposta é incentivar esse olhar mais carinhoso das pessoas para ver se o mundo melhora um pouquinho”, diz ele com sua voz suave.

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Os Dias Ímpares tem como um primeiro desafio agradar a todos os leitores e admiradores de Blank que acompanham sua trajetória literária desde o começo e, agora, terão um reencontro com toda a sua poesia. “Os livros do poeta se limitaram todos à 1ª edição, então seus leitores conhecem apenas um determinado livro. Agora, eles poderão se aprofundar mais no universo blankiano e novos leitores e fazedores de poesia serão apresentados à obra desse grande poeta”, diz Rodrigo Caldeira que faz parte do conselho editorial da Cousa.

“Em sua obra há uma atemporalidade fascinante. Muitas coisas escritas por ele nos anos 80 poderiam ter sido feitas hoje.”

Caê Guimarães

“Quando Vírgula saiu em 96, ele se tornou quase uma leitura obrigatória, na qual eu, que me arriscava nos meus primeiros poemas, aprendia muita coisa sobre como lidar com as palavras, os sons, sentidos e suas infinitas arestas.”

Erly Vieira Jr.

Sergio Blank nasceu em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, em 1964. Considera-se autodidata. Atualmente exerce a função de assessor especial da Biblioteca Pública do Espírito Santo (SECULT), onde promove eventos culturais, como lançamento de livros, sessões de contadores de histórias, também oficinas literárias, seminários e palestras.

Serviço

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