AÇÕES DO BALÃO MÁGICO

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Foto: Izabela Toscano

A Turma do Balão tinha uma boa articulação com o Centro de Artes e especialmente com o Departamento de Comunicação Social. Apesar da fama, o Balão Mágico não era apenas ativismo. O grupo também pleiteava uma infraestrutura mais completa no curso, questionava e agia por melhorias. Mudanças no currículo do curso e, também, nas relações entre professor e aluno eram algumas das pautas do Balão. 

Videoclube na Biblioteca – 1984/1985 

A turma do Balão criou uma sala de vídeo na Biblioteca com sessões de filme na hora do almoço. As projeções funcionavam como uma espécie de Videoclube, democratizando o acesso ao vídeo e aos meios de comunicação. O consumo da época era somente baseado em televisão e filmes de Hollywood.  

Aquivo: Biblioteca Central da UFES

Primeira câmera de vídeo e novas máquinas de escrever – 1985 

Os integrantes do Balão Mágico organizaram uma greve para conseguir a primeira câmera de vídeo para o departamento de Comunicação. Durante a paralisação, os estudantes também empilharam, em frente a reitoria, todas as máquinas de escrever do curso, reivindicando novos aparelhos. A greve durou cerca de um mês e foi bem sucedida. O grupo conseguia, então, a primeira câmera de vídeo e novas máquinas de escrever para o departamento. 

“Um momento importantíssimo foi a chegada da câmera VHS. Ao entrar numa reunião de conselho universitário, você poderia estar gravando e isso faz uma diferença enorme! Naquele momento, era extraordinário!”, disse Rosana Paste, uma das integrantes do Balão.

Estúdio de vídeo e fotografia – 1985

Durante o período da greve, também houve protestos para conseguir o primeiro estúdio de vídeo e fotografia para os cursos de Comunicação, que não havia na época. O pedido só foi realizado em meados de 1989 e 1990, contando com o apoio dos professores do departamento.

Aquivo: Biblioteca Central da UFES

Ocupações dos Cemuni’s – 1985/1986

Na década de 80, os cinco Cemuni’s contemplavam somente os cursos de Artes (licenciatura e bacharelado). Pela afinidade entre a Turma do Balão e o Centro de Artes (CAr) e pelas dificuldades de infraestrutura que os estudantes de Comunicação enfrentavam no CCJE na época, os integrantes do Balão ocuparam os Cemuni’s e reivindicaram uma transferência do curso para o CAr – mudança que só foi ocorrer nos anos 2000. 

O preâmbulo da Rádio Universitária

No dia 15 de maio de 1987, o Balão entrava no ar com Rádio Pirata TX 107.3, instalada na cabine 08 da Biblioteca Central da Ufes. Como uma espécie de projeto de extensão para a disciplina de Radiojornalismo, a rádio pirata teve o apoio da professora Gleyce Coutinho, que abraçou a causa dos integrantes do grupo, auxiliando-os na ação. 

Devido a ausência de equipamentos e ferramentas necessárias para as disciplinas de radiojornalismo e telejornalismo, os estudantes já reivindicavam uma rádio na Universidade desde 1985. Por isso, o Balão se articulou juntamente à professora Gleyce para inaugurar a primeira frequência de rádio na Ufes. 

Coutinho investia em oficinas de vídeo comunitárias feitas pelos integrantes da turma do Balão em São Pedro e, com o dinheiro que eles ganharam, investiram em um técnico em eletrotécnica para ajudar na instalação de uma rádio.

Em menos de uma semana a rádio já tinha uma programação elaborada e que ia ao ar das 7h às 22h, funcionando em um esquema de auto-gestão, em que, todos os membros da comunidade universitária poderiam falar o que quisessem. 

Após quase um mês de entrevistas, músicas e momentos livres na frequência pirata, o Departamento Nacional de Telecomunicações começou a monitorar as atividades da rádio, acentuando as tentativas de lacrar o transmissor. 

Como os estudantes não tinham onde exercitar os aprendizados da disciplina de rádio (que é previsto nas diretrizes do curso pelo MEC), os membros do Balão juntamente à professora Coutinho conseguiram pressionar a reitoria para pleitear uma Rádio Universitária na Ufes. Dois anos depois, dia 15 de maio de 1989, a 104.7 FM foi oficializada na Universidade.

Aquivo: Biblioteca Central da UFES

Modo de Pensar

Esse foi, talvez, um dos maiores legados deixados pelo Balão Mágico. Para Rosana Paste, a turma não acabou, mas vive dentro dela. “Pensar que o Balão Mágico acabou em 1986 é mentira! Se eu aprendi naquela escola e reproduzo hoje, ele está em mim”, diz.

Sobre o que o grupo deixou em sua vida, a professora foi enfática: “O Balão não foi um símbolo para mim, ele foi um aprendizado riquíssimo, intenso. Liberdade, abertura de olhares, diversidade,  respeito e profissionalismo”.

Para o Secretário de Cultura da Ufes, Rogério Borges, o Balão Mágico foi um movimento. “Era um movimento de comportamento, de cultura e de provocações, que contribuiu para além do processo estético dentro da Universidade”.

Imagem retirada do YouTube

Cinema e Teatro

A Turma do Balão Mágico fomentou a cultura dentro e fora da Universidade. As produções audiovisuais, como o filme “Diga Adeus a Lorna Love”, e as filmagens externas, traziam inovações para a época, como o uso de papel celofane nas lentes das câmeras para trazer novos efeitos visuais.

Além do cinema, parte da turma criou o clube performático nomeado “Éden Dionisíaco do Brasil”. Segundo Rosana Paste, o grupo fez várias apresentações pelo estado, incluindo a cidade de Conceição da Barra, a vila de Itaúnas e Santa Cruz.

O livro “Balzaquiano”, produzido em comemoração aos trinta anos do curso de comunicação na Ufes traz outras produções do Balão Mágico, como o Circo da Cultura, que ficou em frente à Biblioteca Central da Universidade durante algumas semanas e o vídeo “Refluxo”, produzido por Sérgio Medeiros, com estreia em 1986.