Pesquisa mostra televisão à frente de sites de notícias e redes sociais; eleitores ouvidos pela reportagem também citam internet, jornais e panfletos
A televisão ainda é o principal meio pelo qual o eleitor de Vitória busca informação sobre os candidatos. Pesquisa realizada nas eleições municipais de 2024 pelo 100% Cidades, em parceria com a Futura Inteligência, mostra que 40,1% dos entrevistados citaram a TV, contra 30,1% que mencionaram sites de notícias e 26,4%, redes sociais.
Na sequência, aparecem as conversas com amigos e parentes (14,8%) e os jornais (13,9%). Rádio e revistas foram pouco lembrados, com menos de 3%.
Os entrevistados responderam sem ver uma lista de opções e podiam citar mais de um meio. Por isso, a soma dos percentuais passa de 100%.
A pesquisa ouviu 600 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, em abril de 2024, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código ES-00672/2024. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Lúcia Vilarinho, servidora pública de 73 anos, afirmou que acompanha os candidatos principalmente pela TV. Ela disse que busca estudar para escolher uma opção mais próxima do que pensa. “Ver o candidato falando na TV é uma forma de entender melhor suas propostas”, aponta. Lúcia destaca ainda que esse processo pode ajudar a observar o que ele pretende fazer e o que já realizou.
Entre os que disseram buscar informações em redes sociais, o Instagram foi a plataforma mais citada (78,6%), seguido pelo Facebook (25,5%) e pelo WhatsApp (12,5%). O X (antigo Twitter) aparece com 12,4%, o YouTube com 5,1% e o TikTok com 2,0%.
Outro ponto importante é que os mais jovens ouvidos pela reportagem, a internet apareceu como caminho para procurar propostas e conteúdos eleitorais. Sérgio Paulo, aluno da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) de 19 anos, disse que costuma usar o Google e assistir a vídeos no YouTube pela facilidade que os aplicativos proporcionam.

Além da televisão e das redes sociais, outras mídias também ocupam espaço nas propagandas eleitorais. A diversidade de canais comunicacionais utilizados nas campanhas não só transmitem argumentos que sustentam a candidatura, mas também criam um novo modo de ver o mundo.
De acordo com o sociólogo político Pablo Ornelas, a propaganda eleitoral influencia diretamente a vida cotidiana e revela de que forma os veículos de mídia induzem e direcionam um posicionamento. “Impacta muito mais pelo modo como organiza afetos, produz verdades e distribui posições do que pela transmissão de argumentos”, diz o estudioso.
A internet ganha espaço, mas não substitui os meios tradicionais
Para o consultor de marketing político Darlan Campos, a internet mudou a comunicação eleitoral, mas não substitui completamente os meios tradicionais. Segundo ele, as campanhas precisam combinar diferentes canais para alcançar públicos distintos. “Hoje uma campanha não pode colocar todas as energias na TV”, afirmou.

Entre os eleitores ouvidos pela reportagem, essa diversidade de meios se confirmou. As estudantes Victoria Lima, de 22 anos, e Maria Eduarda Assis, de 21, citaram panfletos, televisão, jornais e internet como fontes de informação.
Segundo Ornelas, as mensagens são reforçadas direta ou indiretamente, se mesclando com a rotina. Dessa forma, os meios não funcionam de forma isolada, conteúdos da televisão podem circular em aplicativos de mensagens e temas das redes sociais podem pautar sites de notícias.
O contexto como filtro de recepção
A diversidade de canais leva também a uma adaptação na linguagem considerando seu público-alvo e suas características principais. Darlan explica que as estratégias variam conforme o público de cada plataforma e a linguagem usada em cada canal.
Ele citou o Facebook como rede utilizada por pessoas com mais de 50 anos, o Instagram como espaço com público mais homogêneo e o TikTok como plataforma voltada a pessoas mais jovens. Para medir a recepção das mensagens, ele apontou pesquisas, engajamento digital e o contato com eleitores como ferramentas usadas pelas campanhas.
A linguagem do canal não é o único fator determinante na emissão de uma mensagem, o contexto social do receptor também impacta na interpretação das propostas eleitorais.
De acordo com Ornelas, fatores como classe social, território, religião, idade e trajetória de vida interferem na compreensão dos conteúdos. Ele avaliou que a comunicação política atual busca públicos segmentados por características e interesses.
Nesse cenário, o eleitor recebe informações por diferentes meios ao longo da rotina e pode encontrar uma mesma mensagem em mais de uma plataforma. Para os especialistas, compreender como essas campanhas circulam também exige observar o contexto em que cada pessoa recebe, interpreta e compartilha os conteúdos eleitorais.
Expediente: reportagem produzida neste semestre letivo dentro da disciplina Laboratório de Jornalismo – Turma 1. Estudantes: Barbara Oliveira Chaves (repórter), Débora Silva Machado (repórter), Isabely Almeida da Silva (mídias sociais), Larissa Garcia Nali (pauteira), Larissa Fiório Mazolli (editora) e Tarciso Jeanmonod Costa (fotógrafo). Professor e jornalista responsável: Ademar Possebom Pessini Junior (ES01474/JP). Crédito da imagem destacada: imagem de Ricardo IV Tamayo por Unsplash.

