ES registra alta na cobertura vacinal após queda durante a pandemia
Foco das autoridades sanitárias é manter o calendário de vacinação completo da população, especialmente para a vacinação da Influenza, que está em torno de 40% da cobertura total, com meta estabelecida de 90%, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde.
Ana Julia Cabral
Nos últimos anos, o Brasil enfrentou uma grave crise na cobertura vacinal, decorrente da onda de desinformação que marcou a pandemia da COVID-19. Apesar do histórico de sucesso do país em erradicar doenças através do Plano Nacional de Imunização (PNI), a desinformação gerou hesitação vacinal não somente para a vacina contra o vírus da pandemia, mas também para outras doenças, como Sarampo e Influenza.
Segundo Edgard Rebouças, ex-coordenador de comunicação da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, nos últimos anos, durante o período da pandemia, houve uma grande campanha de desinformação associada a questões políticas que levaram a população a desacreditar da vacinação no Brasil.
Para Giselle Saiter, enfermeira na Unidade Básica de Saúde do bairro de Jardim da Penha, ainda existe hesitação vacinal, principalmente em relação a COVID-19 mas também para outras vacinas do calendário, sobretudo com as crianças
“Ainda vemos crianças, às vezes de cinco anos, com o calendário pelo menos dois anos atrasados” Gisele Saiter.
Apesar da crise recente, há anos o Brasil é referência global numa tradição de saúde pública com a vacinação construída ao longo de gerações, consolidada como um pacto coletivo que erradicou e controlou diversas doenças graves, como a Poliomielite.
Período pandêmico
Segundo o painel do site oficial do Ministério da Saúde, no Espírito Santo, em 2022, a vacina contra o Sarampo, por exemplo, obtinha apenas 50% da cobertura vacinal. Junto com a Influenza e a Poliomielite, ficava em níveis preocupantes, abaixo de 70% de cobertura. A Subsecretaria em Vigilância em Saúde do governo estadual associava os números à hesitação vacinal, dificuldades no sistema e ao desabastecimento de insumos.
Para Rebouças, o período da pandemia foi apontado como o Paradoxo Brasileiro, onde apesar da descrença dos representantes políticos do momento, a população continuava a se vacinar, o que explica a rapidez do país em alcançar mais uma vez níveis altos de cobertura vacinal. “O caso da descrença contra a vacinação contra COVID-19 foi tão grave, que estudos mostram que cerca de 300 mil mortes poderiam ter sido evitadas se a população estivesse devidamente vacinada” relata o professor.
Em 2026, os índices gerais voltam ao normal, com cerca de 90% da população vacinada. O calendário que antes estava praticamente todo abaixo do esperado, como a BCG, Sarampo e Poliomielite, agora atingem números satisfatórios para a saúde coletiva, de acordo com os dados disponibilizados pelas autoridades de saúde.
Movimento Anti-vacina
A hesitação vacinal não é novidade, desde o século 19 com a criação da tecnologia, houveram campanhas e movimentos chamados de anti-vacina, que posicionam-se contra a vacinação em massa. O movimento anti-vacina no Brasil ganhou força no início do século XX, principalmente ligado a crenças políticas ou religiosas.
A hesitação vacinal pode acontecer por vários fatores, mas a desinformação digital desempenhou um grande papel em veicular de forma rápida e com grande alcance informações incorretas sobre as vacinas, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Essa descrença acabou contaminando outros calendários de vacinação, especialmente ao público jovem, que gera sinal de alerta aos especialistas devido a baixa aderência, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações.
Cientificamente, a vacinação é uma importante medida de saúde coletiva, através dela, é possível diminuir expressivamente o contágio de doenças e proteger de condições desde a infância até a terceira idade. No Brasil, com um eficiente sistema de imunizações, foi possível erradicar a Varíola, em 1971 e também o Sarampo, sendo um dos primeiros do mundo a receber a certificação oficial de eliminação da doença.
O professor explica que é preciso recuperar a confiança da população em relação à vacina. Isso se mostra um desafio, por exemplo, na campanha de vacinação contra a Influenza, que encontra-se aberta a toda a população acima dos 6 meses de idade. No município de Vitória, é preciso realizar o agendamento antes de comparecer à UBS, através do site oficial da prefeitura ou pelo aplicativo Vitória Online.
“Não podemos pensar nessa realidade só como uma responsabilidade do governo, mas de todos; temos que proteger a todos (…) é importante estimular nas escolas, na igreja, no condomínio, que todo cidadão tenha esse papel”, Edgar Rebouças
Recuperação
Não somente em Vitória, mas em todo o território nacional, a vacinação é gratuita e universal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a profissional de saúde entrevistada, a procura no território tem sido satisfatória, com idosos, gestantes e crianças comparecendo à sala de vacinação. A vacinação é uma importante medida de saúde coletiva, que depende da aderência de toda a população. Para Edgard, o desafio da cobertura de vacinação é de todos.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são procuradas para a aplicação de vacinas por diversas idades. Crédito: (Maria Eduarda Rincon / Universo UFES)