Ghênis Carlos, editor geral
Prezado leitor, “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Esta é uma frase icônica do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Mas, convenhamos, não saber para onde vai é pior do que estar perdido. Perder-se pressupõe a existência de um objetivo, de um caminho a ser percorrido e um destino a ser alcançado. Por outro lado, não ter ideia de onde se quer chegar reflete o medo de criar expectativas para o futuro, por isso, tudo lhe aparenta ser possível, qualquer caminho lhe parece oportuno. No entanto, a realidade confronta esse ilusório mar de possibilidades e essa estranha ausência de sentido.
Atenção: jornalistas precisam saber para onde vão e qual caminho devem percorrer. Isso porque um texto jornalístico exige saber para onde vai antes mesmo de ser escrito. É preciso definir de antemão quem é o público alvo. Este, por sua vez, serve de parâmetro para escolher o melhor caminho, ou seja, o melhor ângulo para se contar uma versão de determinada história. Se esses elementos não estiverem óbvios para quem escreve, o resultado é uma narrativa incompleta, sem sentido e sem contexto. Esse também é o perigo que corremos, ter uma vida vazia, incompleta e sem sentido.
É preciso ter esperança. As possibilidades, as portas e os caminhos já estão diante de nossos olhos. Já podemos avistar vestígios do que o futuro nos reserva, mas o desconhecemos. Exige-se de nós, hoje, definir onde queremos chegar e apesar disso, não há como assegurar a existência do amanhã. Por isso Fernando Pessoa discordaria disso tudo, diria que devemos apenas nos importar com o lugar onde estamos. Para ele, “se há alguém para além da curva da estrada, esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada”.
Caro leitor, devo lhe dizer que a cada dia amadurecemos nossa compreensão do jornalismo. Perdoe-nos, se ainda não ultrapassamos a curva de nossa estrada acadêmica, mas estamos confiantes de que a cada passo apuramos a atitude crítica necessária a um bom jornalista. Felizmente, fomos conduzidos até aqui pelo olhar treinado de nossas supervisoras. Elas sim, já ultrapassaram muitas curvas ao longo de suas estradas.
Esta edição encerra uma parte do caminho que estamos percorrendo enquanto estudantes de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Mantidos pela esperança, seguiremos em busca dos nossos objetivos. O que nos aguarda depois da curva da estrada? Não sabemos. De qualquer forma, as dúvidas não assustam um bom jornalista, mas o instiga a escrever.
Tenha uma boa leitura!